Ousadia planejada | Construção Mercado

Construção

Prêmio Incorporadora 2012

Ousadia planejada

Empreendimentos diversificados de alto padrão, com planejamento detalhado do produto, consagram modelo de negócio da JHSF, vencedora do Prêmio PINI Incorporadora do Ano 2012

Por Romário Ferreira
Edição 136 - Novembro/2012

Valor futuro
O analista da BB Investimentos, Wesley Bernabé, lembra que a empresa tem um grande hidden value que deverá ser explorado nos próximos anos, ou seja, um valor "escondido" dos projetos e terrenos que a companhia possui e que ainda não foram explorados - o banco de terrenos tem VGV avaliado em R$ 10,9 bilhões. Exemplos disso são os empreendimentos de larga escala, lançados em diversas fases. Como o período entre a aquisição do terreno e o lançamento pode ser grande, a empresa pode se beneficiar também de uma possível valorização. "Outro ponto importante é que, quando ela lança as primeiras fases e 'povoa' o loteamento, as vendas se tornam mais fáceis", analisa Bernabé.

Atualmente, a grande aposta da companhia é o Catarina (veja boxe), empreendimento com área de sete milhões de metros quadrados no município de São Roque (SP). O local é tão grande que abrigará até um aeroporto privado com pista maior que a do aeroporto de Congonhas, de São Paulo. A nova "minicidade" será composta por edifícios residenciais, complexo de escritórios, hotel, centro de convenções e um shopping, o Catarina Fashion Outlet. "Trabalhar só para alta renda ajuda e estimula a surpreender e fazer cada vez melhor, como nesse empreendimento", afirma Amaral.

Com investimento de aproximadamente R$ 1,6 bilhão, o Catarina será desenvolvido em oito fases ao longo de até 12 anos, gerando VGV de R$ 7,9 bilhões. De acordo com o analista da BB Investimentos, esses projetos, apesar do maior tempo de maturação, dão a segurança que investidores procuram em companhias do segmento imobiliário.

Marcelo Scandaroli/divulgação: JHSF
O edifício residencial Vitra, em São Paulo, assinado pelo arquiteto Daniel Libeskind, tem 14 unidades com plantas totalmente diferentes umas das outras. Ao lado, A partir da esquerda: Eliane Monetti (NRE-Poli), Victor Henrique Foroni (JHSF), Paulo Kiss (PINI), Eduardo S. Camara (JHSF) e Luciano Amaral (JHSF) durante entrega do Prêmio PINI Incorporadora do Ano, na sede da JHSF

Renda recorrente é diferencial
O desempenho financeiro da empresa também é destaque, com rentabilidade superior à média do mercado e endivida mento mantido em níveis saudáveis, segundo Bernabé. Isso se deve em boa parte ao segmento de renda recorrente, braço da JHSF que incorpora, constrói e administra shoppings e torres comerciais. A receita bruta desse segmento cresceu 29,5% no primeiro semestre de 2012 em relação ao mesmo período do ano passado. "É um porto seguro para as operações da empresa. A renda de aluguéis aparece como alternativa de diversificação, que é muito bem vista pelo mercado, pois o segmento encontra-se em crescimento e com grande potencial a ser explorado", argumenta o analista.

Entre as ações que terão melhor performance nos próximos anos, de acordo com a Coin Valores, estão as da JHSF. Para a Coin, o grande destaque da JHSF são justamente os projetos de renda recorrente. A corretora Ágora também destaca a empresa como única no setor, pois opera em diversos ramos. Em relatório divulgado em agosto deste ano, assinado por José Cataldo, a corretora diz que a receita líquida da empresa no segundo trimestre de 2012 totalizou R$ 227 milhões, 7,6% acima das projeções da Ágora. "O resultado foi forte, impulsionado pelo bom desempenho do segmento de renda recorrente", diz o relatório.

Bernabé explica que a eficiência das empresas de renda recorrente tem sido superior em relação às outras pelo caráter mais defensivo dos ativos e contratos atrelados à inflação e à valorização do portfólio. "No caso da JHSF, isso ajuda, mas não é determinante, uma vez que a maior parte do resultado vem da incorporação", diz o analista. "Ainda prefiro atribuir o desempenho da JHSF à sua operação, que tem se mostrado bem-sucedida. A companhia será reconhecida como uma incorporadora diversificada e uma gestora de properties de alto desempenho", completa.

Segundo previsão do último balanço da empresa, o braço de renda recorrente será a maior divisão de negócios da JHSF em 2015 em termos de geração de caixa e resultados, devido ao forte crescimento das receitas de aluguéis, que deverão saltar dos atuais R$ 93 milhões para R$ 400 milhões até 2015. Empreendimentos como Shopping Metrô Tucuruvi, Ponta Negra, Catarina, Cidade Jardim Shops e expansão do complexo Cidade Jardim deverão impulsionar esse resultado. Além disso, uma recente aquisição em Nova Iorque, na Quinta Avenida, em frente ao Central Park, será usada para a realização de um projeto de renda recorrente. Vale ressaltar que a JHSF já possui um empreendimento internacional: é o residencial Las Piedras Villas com um Hotel Fasano integrado, em Punta Del Este, no Uruguai.

Entenda as regras da premiação

O Prêmio PINI Incorporadora do Ano é organizado pela Editora PINI com o apoio do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP (NRE-Poli), com o objetivo de reconhecer empresas com desempenho de destaque no mercado imobiliário nacional. Participam da premiação apenas as incorporadoras de capital aberto, por conta da uniformidade das informações econômico-financeiras dessas empresas, todas auditadas e facilmente comparáveis. Das convidadas, oito aceitaram concorrer nesta edição. A premiação analisou os dados das empresas em 2011 referentes ao comportamento com: clientes, funcionários, fornecedores, sociedade e meio ambiente. Também foi analisado o desempenho econômico-financeiro das empresas no ciclo 2009, 2010 e 2011.
Os critérios da premiação foram definidos na primeira edição do Prêmio, em 2010, com ampla participação dos envolvidos. Além de professores do NRE-Poli e de profissionais da PINI, as próprias empresas avaliadas ajudaram na definição dos atributos e de seus pesos relativos para a escolha do vencedor. É eleita Incorporadora do Ano aquela que obteve a maior pontuação geral na premiação. O prêmio reconhece também aquelas incorporadoras que obtiveram a maior pontuação apenas em categorias específicas da premiação. Conheça, a seguir, todos os vencedores do Prêmio PINI Incorporadora do Ano em 2012:
Incorporadora do Ano (vencedor geral) JHSF
Desempenho econômico-financeiro Eztec
Comportamento com o cliente JHSF
Comportamento com funcionários e fornecedores Tecnisa*

* A Tecnisa não atendeu à solicitação de entrevista para a produção da reportagem sobre a empresa, que sairia nesta edição.

Atendimento especializado
A receita para se destacar num mercado tão disputado também exige boa dose de atenção no trato com os clientes, que, no caso da JHSF, costumam ser cativos. A empresa possui sua própria equipe de venda e também tem parceria com a imobiliária Coelho da Fonseca. Segundo o gerente de relações com investidores, Márcio Fenelon, os contratos são sempre negociados com os compradores. "É o contrato que o cliente quiser. O advogado dele senta com o nosso para chegar a uma conclusão e, se for preciso, mudamos as cláusulas", diz Fenelon. No entanto, esse atendimento só é possível porque se trata de poucos contratos, já que os empreendimentos costumam ter poucas unidades.

A companhia não conta com um serviço de atendimento ao cliente (SAC), ao menos não na forma tradicional. O atendimento é feito de forma personalizada pelos gerentes de projeto ou por meio do concierge dos empreendimentos. Só no Parque Cidade Jardim já foram realizados cerca de seis mil atendimentos referentes a 322 unidades. São feitas também pesquisas de pós-ocupação e 39 funcionários da área de assistência técnica estão à disposição dos 680 clientes em carteira da empresa.

Essa preocupação evitou que a JHSF sofresse qualquer tipo de reclamação em 2011 na Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) e garantiu a ela a vitória também na categoria Comportamento da Empresa com os Clientes do III Prêmio PINI Incorporadora do Ano.

Uma nova cidade em São Roque (SP)

divulgação: JHSF
O Catarina, empreendimento com sete milhões de metros quadrados, abrigará um conjunto de edifícios residenciais, comerciais e de serviços, e terá aeroporto com pista maior que a de Congonhas

Shopping, residências de alto padrão, centro empresarial, distritos para desenvolvimento de hotel, centro de convenções, campo de golfe, centro equestre, quadras de tênis, spa, fazendinha, igreja, campus universitário, centro médico-hospitalar e até um aeroporto executivo. Tudo isso em uma área de aproximadamente sete milhões de metros quadrados, o equivalente a mais de 980 campos do estádio do Pacaembu. Esse novo empreendimento da JHSF, o Catarina, está localizado no km 60 da Rodovia Castello Branco, a 30 minutos da cidade de São Paulo. O primeiro lançamento dessa "minicidade" é o Catarina Fashion Outlet Shopping, com área bruta locável (ABL) de 25 mil m² que abrigará 120 lojas e mais de mil vagas de estacionamento. A inauguração do shopping está prevista para o primeiro semestre de 2013 e o investimento total estimado é de R$ 80 milhões. O investimento previsto para todo o empreendimento está na casa de R$ 1,6 bilhão. O Catarina será desenvolvido em oito fases ao longo de aproximadamente dez ou 12 anos, gerando volume geral de vendas (VGV) de R$ 7,9 bilhões.

A companhia informou que a construção do aeroporto já foi autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e os estudos mostram e atestam a viabilidade técnica da instalação do novo aeroporto executivo de São Paulo. "Esse importante equipamento colabora com a infraestrutura aeroportuária brasileira, bem como com a região metropolitana de São Paulo, e traz valor relevante e sinergias para o próprio empreendimento", justifica a empresa. Segundo o diretor de incorporações da JHSF, Luciano Amaral, a pista do aeroporto será maior que a do aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

 

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2
Destaques da Loja Pini
Aplicativos