Fiscalização de serviço deve garantir o cumprimento ao plano de fogo e aos procedimentos de segurança | Construção Mercado

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Como fiscalizar desmonte de rocha

Fiscalização de serviço deve garantir o cumprimento ao plano de fogo e aos procedimentos de segurança

Por Juliana Nakamura
Edição 148 - Novembro/2013
Divulgação: Desmontec
Seja a frio ou com explosivos, técnicas de desmonte de rocha têm como objetivo fragmentar o maciço em partes menores, viabilizando sua retirada

O desmonte de rocha é um serviço frequentemente exigido nas etapas iniciais da construção, quando os ensaios de prospecção do solo indicam a presença de formações rochosas em locais que podem atrapalhar a execução de outras etapas subsequentes, como a execução das fundações, o caminhamento de tubulações de gás, água e esgoto, ou mesmo a construção de subsolos.

O processo, também conhecido como desmonte de bancadas, consiste na fragmentação do bloco maciço em blocos menores. Trata-se de uma atividade que requer máxima especialização de quem vai executar, já que envolve riscos elevados. "Na maior parte das vezes, as construtoras preferem repassar essa atividade para empresas especializadas, que já possuem os equipamentos necessários, têm mais facilidade para a obtenção de explosivos e dispõem de mão de obra treinada", explica o engenheiro Fábio Bruno, diretor da empresa de engenharia que leva o seu nome.

Para o desmonte de rochas podem ser utilizadas diferentes estratégias. Entre as mais utilizadas estão as que usam explosivos, argamassa expansiva, rompedores e perfuratrizes pneumáticas, rompedores hidráulicos acoplados a escavadeiras e uso de máquinas de corte de fio diamantado. Carlos Henrique Navaes, gerente da Craft Engenharia, explica que, de forma geral, o escopo do serviço segue um roteiro que prevê a mobilização de pessoal e equipamentos, a execução do desmonte da rocha pelo processo escolhido, medições topográficas para controle e, por fim, a desmobilização. Além disso, a depender do interesse do construtor, o escopo pode prever a destinação final da rocha, que pode ser beneficiada no local com uso de britadores e peneiras móveis para emprego em outros processos construtivos, por exemplo.

Orçamento e seleção de fornecedores
Até por conta de todos os riscos envolvidos - perdas humanas e financeiras que podem incorrer em acionamentos legais cíveis e criminais - é fundamental que, para o desmonte de rochas, sejam contratadas somente empresas idôneas, reconhecidas no mercado pela adoção de boas práticas. "Experiência anterior, tipo de técnica a ser utilizada e a solidez financeira são fatores essenciais na escolha de uma empresa, assim como a presença de um profissional qualificado com registro no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Crea)", cita Navaes. "Também é recomendável analisar o histórico e conversar com outros contratantes para obter referências", acrescenta Fábio Bruno. A empresa que se presta a realizar desmonte de rochas deve possuir licença específica para a realização da obra.

Para obter um orçamento de desmonte de rocha, o construtor precisa dispor de uma série de informações. "Ele deve fornecer sondagens, as características da rocha, condições ambientais locais e, se possível, indicar o tipo de desmonte a ser empregado. Deve, ainda, informar as quantidades e o tipo de destinação final da rocha", informa Carlos Henrique Navaes. O preço pode variar, ainda, em função de diferentes variáveis, como a altura do corte, a produção mensal desejada, a sensibilidade da vizinhança e, principalmente, o tipo de rocha a ser desmontado. Arenitos, por exemplo, demandam muito menos força de detonação que os granitos.

Para que os orçamentos sejam feitos de forma mais precisa, também é importante que engenheiros da empresa executante visitem o local da obra. "Isso é fundamental para avaliar condicionantes que alteram a produtividade, como por exemplo, os acessos às máquinas e as condições de trabalho", complementa Bruno.

O engenheiro ressalta, ainda, que o construtor pode encontrar uma variação de preços elevada e que isso deve ser cuidadosamente analisado. "A comparação entre as propostas não pode se limitar a preço", afirma ele, lembrando que o principal insumo de uma empresa de desmonte de rochas não são os seus equipamentos, mas a sua mão de obra, devidamente treinada. "Seduzida por preços muito baixos, a construtora pode se sujeitar à contratação de uma empresa sem experiência e com funcionários pouco qualif icados. Consequentemente, estará mais suscetível a falhas", sintetiza. Em geral, os orçamentos são concebidos com base no volume, em metros cúbicos "in situ", ou por tonelada transportada no caminhão.

Fiscalização e controle de execução
Nas atividades de desmonte de rochas é obrigatória a adoção do "Plano de Fogo", documento a ser elaborado por profissional habilitado com base nas características da obra e nos ensaios geotécnicos. Nesse projeto, que irá respaldar a execução dos serviços, é obrigatória a identificação de um profissional responsável pelo armazenamento, preparação das cargas, carregamento das minas, ordem de fogo, detonação e retirada de explosivos não detonados e providências quanto ao destino adequado das sobras de explosivos. A quantidade de explosivos e acessórios necessários ao plano deve ser restrita ao momento de detonação, evitando-se a estocagem em local próximo à frente de trabalho.

O plano de fogo define, entre outros parâmetros, a razão de carga que será adotada, o ângulo e o diâmetro das perfurações, além da distância entre os furos onde serão colocados explosivos.

A fiscalização dos serviços deve acompanhar se a execução está seguindo plano, especialmente em relação à inclinação, profundidade dos furos e quantidade de explosivos por furo. Vale lembrar que quanto menor a quantidade de furos por metro quadrado, maior é a produtividade. Contudo, a redução indiscriminada de furos, assim como a utilização de explosivos em quantidade diferente da especificada, pode levar a retrabalhos e a acidentes. "O uso inadequado de razão de carga e a falta de procedimentos de proteção podem gerar vibração excessiva da rocha, gerar lançamentos não previstos de material, danificar edificações vizinhas e, até mesmo, levar a mortes", comenta Fábio Bruno.

Principais técnicas de desmonte de rocha

A frio - é aplicado em materiais de segunda e terceira categorias (rochas com diferentes graus de dureza). Normalmente é usado em situações em que há limitações do uso de explosivos, como em locais confinados ou em situações específicas onde é exigido o nível máximo de controle que não permitam ruídos, vibrações, ou expansão excessiva, com segurança e prazo.

Com explosivos - é feito em materiais de segunda e terceira categorias (rochas em diferentes estágios de dureza). Destaca-se pelo ótimo custo-benefício se comparado com o desmonte a frio. Sugere-se a sua aplicação em situações em que haja maior espaço para liberdade de movimentação e a comunidade local possa tolerar ruídos esporádicos.

Fonte: Arcoenge.


CHECKLIST - FISCALIZAÇÃO

A fiscalização dos serviços deve se dedicar a acompanhar e conferir se o plano de fogo está sendo seguido à risca pela empresa responsável pela execução. Aspectos que merecem atenção especial:
- controle do número e profundidade dos furos;
- conferência da carga e quantidade dos explosivos.

O fiscal também deve observar se as interferências na vizinhança estão ocorrendo como o programado. Recomenda-se a exigência de realização de laudo de avaliação das estruturas vizinhas, com comparação da situação das edificações mais próximas antes e depois do desmonte.
- O ideal é selecionar para a concorrência apenas empresas com bom histórico de obras executadas. Vale também a consulta a outros construtores para coleta de referências.
- É imprescindível garantir que a segurança de trabalhadores, mesmo subcontratados, e da vizinhança. A utilização de equipamentos de proteção individual adequados deve ser observada e exigida.
- Como critérios de desempenho é possível considerar, além do cumprimento de normas de segurança, o atendimento ao cronograma, a granulometria da rocha, a elaboração de relatórios de equipamentos e de mão de obra.

O monitoramento contínuo da execução também é necessário para minimizar e mitigar imprevistos. Nesse tipo de serviço, fatores ambientais (essencialmente chuvas) exercem grande impacto na produtividade das frentes de trabalho. Para evitar que surjam conflitos entre construtora e contratada é fundamental que sejam discutidos previamente eventuais multas e aditivos ao contrato, aos quais as partes estarão sujeitas em caso de imprevistos. "Os orçamentos poderão ser revistos, por exemplo, em caso de paralisações por causa de chuvas ou mesmo diante de uma falha na rocha não prevista pela sondagem", explica Bruno.

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