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Uso de guindaste exige planejamento preciso do período em canteiro para evitar impactos no caixa e no cronograma de execução da obra

Por Kelly Carvalho
Edição 149 - Dezembro/2013
 

Marcelo Scandaroli

Os guindastes são equipamentos com grande capacidade de carga, indicados para operações de içamento a grandes alturas e distâncias. Lançamento de vigas pré-moldadas em concreto, movimentação de insumos nas construções prediais e obras de montagens de estruturas metálicas em geral são alguns exemplos de uso de guindastes, que em determinadas situações pode ser a única alternativa viável para a conclusão das obras com menor prazo e segurança.

A operação de guindastes demanda grande atenção, pois qualquer descuido pode causar graves acidentes envolvendo o pessoal de obra e do entorno, além de causar danos ao patrimônio. Dessa forma, a contratação deve exigir profissionais qualificados para a montagem e operação do equipamento. Também é essencial que o guindaste seja dimensionado de acordo com o uso previsto.

O fator custo também é outro aspecto importante desse tipo de contratação. Merecem especial cuidado a previsão correta dos custos de mobilização e desmobilização, os operacionais e, sobretudo, a garantia de que o equipamento chegará ao canteiro na data planejada. Atraso desse tipo pode gerar grande impacto no cronograma da obra.

Especificações
De acordo com informações da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), para a construção civil existem basicamente quatro grandes grupos de guindastes: gruas torre, guindastes treliçados sobre esteiras, guindastes hidráulicos sobre caminhão e guindastes hidráulicos autopropulsados. "Cada guindaste tem seu nicho de aplicação e sua faixa de capacidade de carga, que diminui na medida em que as distâncias e as alturas aumentam", explica Paulo Oscar Auler Neto, vice-presidente da Sobratema.

As maiores capacidades são alcançadas com os guindastes treliçados sobre esteiras. Os guindastes sobre caminhão oferecem maior mobilidade, os guindastes hidráulicos são mais versáteis e as gruas torre são as mais indicadas para obras de grande altura em regiões urbanas. Porém, Neto ressalta que cada necessidade deve ser estudada criteriosamente para a identificação do equipamento mais adequado sob os aspectos técnico e de custos.

A escolha da melhor opção disponível no mercado deve partir de um estudo da carga a ser transportada, envolvendo não somente o peso, distância e altura, mas também a forma geométrica, local de trabalho, geologia do terreno, posicionamento do guindaste, acessos e até condições climáticas.

Cotação de preços e fornecedores
Os custos do uso desse tipo de equipamento são significativos no caixa da obra e devem ser muito bem mensurados na contratação de um fornecedor. Um dos maiores impactos está relacionado à mobilização e desmobilização no canteiro. Também devem ser considerados os custos operacionais, como combustíveis, manutenção, operador, equipe de apoio - ajudantes e sinaleiros - e seguro. A contratação de um profissional para a elaboração do plano de movimentação de cargas (Rigger) pode ser necessária para o caso de operações mais delicadas e é recomendável que seja considerada nas contas também.

O fornecedor deve oferecer uma série de garantias para o contratante, a começar pela disponibilidade de entrega do guindaste na data contratada, uma vez que o atraso na mobilização do equipamento pode causar grande impacto no cronograma dos serviços. Também deve garantir disponibilidade mecânica de pelo menos 85%, conforme recomendação do vice- -presidente da Sobratema.

Ele ainda alerta que, para operações extremas, em que são envolvidos altos riscos e a operação for conduzida pelo locador, também poderá ser solicitada uma garantia de performance, para assegurar que os trabalhos serão executados dentro da qualidade e prazos contratados. "Se acontecer algum imprevisto neste caso, o locatário poderá recorrer à seguradora para se ressarcir do prejuízo", comenta.

 

ENTREVISTA - PAULO OSCAR AULER NETO

Segurança na operação

divulgação: Sobratema
'É necessário cuidado especial com relação à tabela de cargas. Recomenda-se trabalhar com no máximo 75% da capacidade nominal, deixando uma margem para imprevistos como movimentos dinâmicos, ventos ou mesmo ajustes do terreno'
Paulo Oscar Auler Neto, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema)

Como avaliar bons operadores de guindastes na contratação do serviço?
Somente os dados anotados na carteira profissional não são suficientes, os operadores devem estar certificados por alguma entidade específica atestando que estão devidamente capacitados a operar guindastes de determinada capacidade. Recomenda-se, ainda, uma entrevista e também consulta junto aos empregadores anteriores sobre a conduta do profissional. O operador deve, preferencialmente, ter o segundo grau completo como nível mínimo de escolaridade.

Há exigências com relação à saúde?
São exigidos exames médicos atestando a condição do profissional, principalmente relacionado a problemas cardíacos, respiratórios, acuidades visuais e auditivas, bem como de estabilidade emocional.

Que cuidados o contratante deve estar atento com relação à segurança?
A operação de guindastes geralmente envolve altos riscos, não somente com relação ao patrimônio, mas também com as pessoas no seu entorno. Qualquer falta de atenção ou descaso pode ocasionar acidentes sérios, inclusive com risco de morte. Ter profissionais qualificados e equipamentos bem dimensionados são investimentos que assegurarão que a operação ocorrerá sem surpresas. É necessário cuidado especial com relação à tabela de cargas. Recomenda-se trabalhar com no máximo 75% da capacidade nominal, deixando uma margem para imprevistos como movimentos dinâmicos, ventos ou mesmo ajustes do terreno.

 

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