Pré-fabricados de concreto já são largamente empregados em projetos com alto grau de repetição e amplos vãos livres. Mas uso em edifícios altos, especialmente residenciais, ainda é restrito | Construção Mercado

Construção

Estrutura industrializada

Pré-fabricados de concreto já são largamente empregados em projetos com alto grau de repetição e amplos vãos livres. Mas uso em edifícios altos, especialmente residenciais, ainda é restrito

Por Juliana Nakamura
Edição 149 - Dezembro/2013
 

divulgação: centro de eventos fortaleza
Os dois pavilhões do Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, foram erguidos com pré-fabricados de concreto, inclusive os pilares de 26,75 m de altura e as lajes alveolares que vencem vãos de até 15 m e chegam a suportar uma sobrecarga de 2 mil kg/m²

Impulsionada pela escassez de mão de obra e pela necessidade de racionalizar recursos, a construção civil brasileira vivenciou, nos últimos anos, avanços no uso de pré-moldados e pré-fabricados de concreto, especialmente em obras em que o prazo de execução é fator determinante. Normas publicadas, oferta de equipamentos para movimentação das peças e, principalmente, a maior familiaridade de projetistas e construtores com os sistemas construtivos industrializados foram decisivos para que se chegasse ao estágio atual de desenvolvimento. Algumas construtoras, por sua vez, passaram a identificar nos elementos pré-moldados aliados importantes para manter o controle sobre os seus custos, bem como para manter suas obras no prazo.

Tanto é que nos últimos três anos a construção industrializada de concreto teve uma expansão média anual da ordem de 15%, reflexo do bom momento vivido pela economia brasileira, segundo a Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic). "Mas o setor já vinha crescendo de forma constante pelo menos desde 2001", revela a engenheira Íria Doniak, presidente- executiva da Abcic. Segundo ela, tal evolução decorre da necessidade, cada vez mais presente, de se construir com qualidade e, simultaneamente, atender a cronogramas cada vez mais ousados. "Além das obras direcionadas aos segmentos industriais e para a construção de centros de distribuição e logística, o sistema pré-fabricado expandiu também para construções habitacionais, estádios de futebol, edifícios escolares, pontes e viadutos, entre outros", comenta Doniak, que projeta, para 2013, crescimento do segmento de pré-fabricados de concreto na casa dos 10%, em função de uma conjuntura econômica menos favorável.

Para a engenheira, outro aspecto que vai ao encontro do maior uso de estruturas pré-fabricadas é a sustentabilidade. A construção civil brasileira é uma intensiva geradora de resíduos. São, em média, 550 kg/ano/habitante, conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). "Nesse sentido, substituir processos artesanais por componentes produzidos na indústria e que são apenas montados nos canteiros é imperativo, da mesma forma que inovar seguindo as três dimensões da sustentabilidade (econômica, social e ambiental)", defende a presidente-executiva da Abcic.

divulgação: Munte

"Hoje, soluções como lajes alveolares e painéis arquitetônicos de fachada estão plenamente assimiladas em projetos de grande porte mais horizontalizados, como aeroportos, arenas esportivas, shoppings e centros comerciais", comenta o engenheiro Eduardo Millen, conselheiro da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece) e sócio-diretor da Zamarion e Millen Consultores. A inserção dos pré-moldados, contudo, é menos significativa em obras de edifícios residenciais e comerciais altos. Segundo Millen, isso acontece porque o pré-moldado é mais competitivo quando há repetitividade, ou seja, quando há vãos padronizados e sobrecargas constantes, o que raramente acontece em edificações residenciais.

Apesar dos avanços, ainda existem gargalos, como a escassez de equipamentos de movimentação no País. "Gruas de grande porte estão começando a aparecer, mas ainda são poucas, o que acaba sendo um obstáculo para o maior aproveitamento dos pré-moldados", acrescenta Millen. Vale lembrar que a execução de grandes edifícios com estrutura pré-fabricada de concreto está atrelada, dentre outros fatores, à disponibilidade de equipamentos de montagem de grande porte. Edifícios multipavimentos com até 30 m de altura podem ser montados com guindastes comuns, ao passo que construções com mais de 50 m de altura exigem gruas especialmente projetadas para sustentar o peso das peças.

Planejamento fundamental
Uma tendência que parece se consolidar no exterior e também no Brasil é a adoção de soluções híbridas, que combinam pré-fabricados de concreto com elementos moldados in loco ou de aço. "Em edifícios de escritórios, nos quais se exige flexibilidade de layout, uma combinação recorrente é o uso de lajes protendidas alveolares pré-fabricadas, capazes de vencer grandes vãos, e fechamento externo com painéis pré-fabricados e internos em drywall. Da mesma forma, em construções com estrutura metálica, é comum a incorporação de lajes de concreto pré-fabricadas que apresentam melhor desempenho diante do fogo e, por isso, oferecem vantagens com as seguradoras", comenta Íria Doniak. "Em galpões industriais, uma solução recorrente é a adoção de lajes e pilares pré-fabricados em combinação com cobertura metálica, que vence grandes vãos e é relativamente leve", acrescenta Eduardo Millen.

 

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