Sinduscon-SP projeta alta de 2,8% do PIB do setor em 2014, diante de uma elevação do PIB nacional estimada em 2%; empresas esperam por novos estímulos governamentais neste ano | Construção Mercado

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Perspectivas da construção para 2014

Sinduscon-SP projeta alta de 2,8% do PIB do setor em 2014, diante de uma elevação do PIB nacional estimada em 2%; empresas esperam por novos estímulos governamentais neste ano

Edição 150 - Janeiro/2014
EMPREGO COM CARTEIRA NA CONSTRUÇÃO
Curvas mostram crescimento do emprego formal contra mesmo mês do ano anterior

A construção civil brasileira deve crescer 2,8% em 2014, de acordo com projeção do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP). A alta do PIB do setor acompanhará um crescimento de 2% do PIB brasileiro, segundo estimativa da entidade.

O SindusCon-SP projeta que o emprego formal na construção deve crescer 1,5% no ano que vem. Também devem ter altas superiores aos índices de 2013 a produção de materiais, com elevação de 3,6%, e a taxa de investimento, que corresponderá a 19,8% do PIB.

As projeções do SindusCon-SP para 2014 apontam para um crescimento da indústria da construção em patamares mais elevados do que em 2013, ano em que o PIB do setor, segundo estimativa da entidade, fechou em 2% - taxa menor do que o PIB nacional, projetado em 2,5%. Desde 2005 o crescimento da indústria da construção não era inferior à alta do PIB brasileiro.

Apostas frustradas em 2013, expectativas para 2014
A coordenadora de estudos de construção civil da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ana Maria Castelo, salienta que eram esperados, no fim de 2012, a recuperação do mercado imobiliário e o fortalecimento dos investimentos em infraestrutura. Apostava-se que o crescimento setorial e a alta do PIB seriam parecidos, com taxa de 3,5% a 4%. ''O PAC andou em ritmo devagar e o Programa de Investimentos em Logística começou a gerar os primeiros investimentos, mas o reflexo na atividade será no mínimo daqui a seis meses'', aponta Castelo.

Os resultados negativos refletiram-se em um ritmo menor do crescimento do número de empregos formais na construção. É o que mostra a curva de crescimento em duas frentes do segmento imobiliário - preparação de terrenos e obras de acabamento -, por exemplo (veja gráfico). A variação dos empregos em preparação de terrenos ficou em 0,19% em outubro. Já o crescimento das contratações formais em obras de acabamento permaneceu positivo ao longo do ano inteiro, embora em patamares progressivamente menores, terminando outubro em 3,63%. "Claramente vemos aqui o final de um ciclo de obra. Obras que foram iniciadas no período de 2008 a 2010 estão sendo entregues, ao passo que há menos obras se iniciando", explica Castelo.

Para 2014, as empresas esperam novos estímulos governamentais, conforme demonstram os resultados da 57a Sondagem Nacional da Indústria da Construção, realizada pelo SindusCon-SP e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em novembro. A pesquisa é composta por indicadores que vão de uma escala de 0 a 100, sendo positivos os indicadores acima de 50 e negativos os inferiores a 50.

O levantamento mostra que a expectativa com relação à necessidade de novos estímulos do governo obteve 78,3 pontos, enquanto que a estimativa de uma nova versão do programa Minha Casa Minha Vida atingiu 67,3 pontos.

Sinduscons passam a divulgar dois CUBs
Em dezembro de 2013, os Sinduscons de todo o País passaram a divulgar dois valores para o Custo Unitário Básico (CUB), índice calculado pela FGV. A medida deve-se à desoneração da folha de pagamento que passou a vigorar em 1o de novembro para uma parcela das empresas da indústria da construção.

A divulgação do CUB/m² atual (que mantém a metodologia em vigor) e do CUB/m² desonerado deve permanecer até dezembro de 2016, considerando a média do ciclo de uma obra de edificações.

Preparativos para a Copa no Brasil continuam reprovados

Áreas com pior avaliação incluem mobilidade urbana e aeroportuária

Foto: Marcelo Scandaroli
Mobilidade aeroportuária está entre itens mais mal-avaliados

O Termômetro Trevisan Copa 2014, levantamento realizado a cada trimestre pela Trevisan Gestão do Esporte, avalia a opinião de profissionais envolvidos com esporte sobre a organização e a realização da Copa do Mundo no Brasil. Em sua 5ª edição, o índice geral de percepção dos especialistas voltou a ficar abaixo do que é considerado aceitável. Os itens avaliados abordam sete áreas: Estádios, Telecomunicações, Hospedagem, Qualificação da mão de obra, Segurança pública, Transporte, Aeroportos e Portos. As áreas com pior avaliação incluem mobilidade urbana e aeroportuária.

Em uma escala de 1 a 5, todas as avaliações nunca ultrapassaram a marca de 3,4. A medição atual chegou a 2,3, índice inferior ao da última edição da pesquisa (2,4).

Entidades da construção se posicionam sobre fraudes
A Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de São Paulo prometeu informatizar até este mês o recolhimento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) ao final de uma obra. Para o SindusCon-SP, a medida é positiva e contribuirá para coibir a prática de ilícitos.

A entidade salienta, contudo, que a mudança não é suficiente, sendo necessário que a prefeitura respeite a legislação federal que estabelece que o recolhimento do ISS das construtoras tem de ser feito sobre o valor do serviço prestado - devendo-se abater materiais de construção e deduzir o tributo já recolhido sobre os serviços executados para a obra.

Além disso, o SindusCon-SP ressalta que a prefeitura deveria adequar a aplicação da pauta fiscal - valor de ISS arbitrado pela municipalidade em caso de inexistência de contabilidade ou irregularidades na documentação. A entidade aponta que o mecanismo, hoje adotado para todas as obras paulistanas, deveria ser revogado para as construtoras que tenham contabilidade regular.

Já o Secovi-SP afirma que sempre propôs à prefeitura a reformulação do sistema de arrecadação do ISS, a fim de diminuir a discricionariedade dos fiscais.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também considera que os casos de fraude recentemente divulgados alertam para a necessidade de avaliar o modelo atual de cálculo e cobrança do imposto.

CURTAS

R$ 508 bilhões para o saneamento
Até 2033, serão investidos R$ 508 bilhões em saneamento no âmbito do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), de acordo com portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) em dezembro do ano passado. No horizonte de 20 anos, o Plansab prevê atingir 99% de cobertura no abastecimento de água potável e 92% de cobertura de esgotamento sanitário.

Armco Staco em Resende (RJ)
A Armco Staco, fabricante de materiais para obras de infraestrutura, iniciou em novembro as operações de sua nova planta em Resende (RJ). A construção da unidade, localizada em um terreno de 48 mil m², teve investimento de R$ 40 milhões. A capacidade da nova fábrica é de 72 mil t de galvanização por ano.

15 anos...
A reportagem de capa da revista Construção São Paulo de janeiro de 1998 abordava dois novos polos de atração turística da região Sudeste: o Terra Encantada, na Barra da Tijuca (RJ), e o Wet'n Wild, em Vinhedo (SP). As duas obras juntas exigiram investimento de R$ 250 milhões - sendo R$ 200 milhões aplicados apenas no empreendimento carioca. Ambas as regiões apresentaram, com esses parques, grande potencial de desenvolvimento imobiliário.

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