Setor cresce e atrai atenção de investidores, incorporadoras e compradores. Entenda o cenário | Construção Mercado

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Setor cresce e atrai atenção de investidores, incorporadoras e compradores. Entenda o cenário

Por Bruno DAngelo
Edição 150 - Janeiro/2014
Ilustração: Daniel Beneventi

Desde 2012, quando o mercado de incorporação começou a desacelerar, os loteamentos vêm ganhando mais atenção de investidores, incorporadoras e compradores. O setor não tem dados de comportamento consolidados, mas as movimentações de mercado e os resultados das empresas confirmam o bom momento.

A Cipasa Urbanismo, que atua neste mercado há mais de 20 anos, é um exemplo. A empresa projeta para o período de janeiro de 2013 a dezembro de 2014 um Volume Geral de Vendas (VGV) de aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Para se ter ideia do crescimento, no mesmo período, entre 2012 e 2013, o valor foi de apenas R$ 360 milhões.

A Cipasa possui atualmente 190 projetos lançados ou em desenvolvimento, totalizando 15 milhões de metros quadrados. O diretor financeiro e administrativo da empresa, Pedro Lodovici, explica que a causa do otimismo em relação ao VGV reside na própria característica do negócio, que ao contrário do segmento de incorporações é muito pulverizado, possibilitando à empresa "ter vários players regionais". A Cipasa apresenta, por exemplo, negócios em diversos Estados brasileiros, entre os quais: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pará, Rio Grande do Sul e Rondônia. "Os centros urbanos estão muito lotados, gerando trânsito e perda de qualidade de vida. De uns cinco anos para cá, as pessoas buscam viver em locais que proporcionem contato com áreas verdes, natureza, onde possam fazer atividades físicas e descansar", afirma Lodovici. Segundo o diretor financeiro e administrativo da Cipasa, esta busca é por locais nos arredores dos grandes centros, onde ainda possam usufruir dos serviços e do comércio que as grandes cidades possuem.

Além dessa fuga do ritmo acelerado das metrópoles, os compradores são atraídos pelo preço do lote. Conforme Lodovici, em São Paulo, por exemplo, é mais barato comprar um lote fora da capital, objetivando construir nele no futuro, do que adquirir um imóvel na cidade com características semelhantes. "Comparamos com o preço médio do nosso lote, em um empreendimento no mesmo padrão da casa, junto com uma estimativa de construção", diz.


Divulgação: UrbanMais
O setor de loteamentos tem apresentado crescimento nos últimos anos mesmo com o pouco interesse dos bancos e do governo em oferecer e incentivar linhas de crédito para a o setor

Outra empresa que vem corroborando o aquecimento do mercado é a Alphaville Urbanismo. Com 40 anos de atuação, a companhia teve em 2012 o melhor ano de sua história em lançamentos imobiliários. A loteadora somou R$ 1,3 bilhão em lança mentos, número 38% superior ao apresentado em 2011. Além disso, aumentou suas vendas em 32%, totalizando R$ 1,1 bilhão em 2012. O ritmo de lançamentos e vendas nos nove primeiros meses de 2013, no entanto, foi menor. Os lançamentos nesse período apresentaram queda de 14,9% na comparação com o ano anterior. Já as vendas contratadas líquidas no período tiveram queda de 72,8% em comparação com 2013. No entanto, em seu relatório do terceiro trimestre de 2013 a empresa explicou que o resultado foi impactado pelo atraso na obtenção de algumas licenças e aprovações, "o que acabou deslocando alguns lançamentos para o quarto trimestre.


Foto: Sérgio Zacchi

'De uns cinco anos para cá, as pessoas buscam viver em locais que proporcionem contato com áreas verdes, natureza, onde possam fazer atividades físicas e descansar'
Pedro Lodovici
diretor financeiro e administrativo da Cipasa


Os resultados positivos da Alphaville em 2012 fizeram com que sua detentora, a construtora e incorporadora Gafisa, que passa por reestruturação, conseguisse vender 70% da empresa para a Blackstone Real Estate Advisors e para a Pátria Investimentos por R$ 1,4 bilhão. A conclusão do processo de venda foi anunciada ao mercado no início de dezembro último.

O mercado de loteamentos conta também com o interesse de investidores como o Grupo Brasilinvest, que, bem antes desse bom momento enfrentado pelo segmento, começou a investir na área. A empresa, cujo principal ramo de atividade é o imobiliário, já está há cerca de 30 anos adquirindo áreas e realizando parcerias como sócio desenvolvedor de loteamentos sustentáveis urbanos, tendo, neste período, já urbanizado mais de 10 milhões de metros quadrados em todo o País.


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