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Entenda como funciona a Charrette, metodologia de planejamento multidisciplinar desenvolvida nos Estados Unidos e que pode reduzir retrabalhos e encurtar o tempo de desenvolvimento de projetos

Por Maryana Giribola
Edição 150 - Janeiro/2014
Divulgação: Charrette
A charrette para o desenvolvimento do bairro Cidade Pedra Branca em Palhoça (SC) durou duas semanas e contou com cerca de 30 profissionais permanentes

Há cerca de dois anos, uma ferramenta que promete dar eficiência ao processo de desenvolvimento de projetos vem sendo adotada por grandes incorporadoras brasileiras. Conhecida como charrette, a metodologia é aplicada por urbanistas norte-americanos em projetos e planejamento de comunidades desde a década de 1980. A prática consiste em reunir todos os envolvidos no desenvolvimento de um produto para debater, ao longo de um período predeterminado, as soluções que serão adotadas.

Embora pareça simples, a charrette não é apenas uma reunião. É uma técnica, com metodologia estabelecida, usada para conduzir um processo de planejamento participativo e multidisciplinar. Nos Estados Unidos, as charrettes costumam durar cerca de uma semana, "porque lá os profissionais são acostumados a planejar", opina Guilherme Takeda, sócio-diretor da Takeda Arquitetos Paisagistas e um dos profissionais que têm desenvolvido as reuniões em projetos imobiliários no Brasil.


Por aqui, os encontros costumam durar de um a três dias, dependendo da complexidade do empreendimento. "Algumas empresas têm contratado consultoria americana para o desenvolvimento das charrettes, mas não tem dado muito certo por que não estamos acostumados a passar dias planejando um projeto. Tanto é que temos encurtado esse tempo", explica Takeda.

Acervo pessoal
 


'Algumas empresas têm contratado consultoria americana para o desenvolvimento das charrettes, mas não tem dado muito certo por que não estamos acostumados a passar dias planejando um projeto'

Guilherme Takeda
sócio-diretor da Takeda Arquitetos Paisagistas

Acervo pessoal


'O trabalho de coordenar consiste em fazer com que as pessoas não fujam do tema e sejam produtivas'

Dilnei Bittencourt
diretor de engenharia da Cidade Pedra Branca



O principal objetivo da metodologia é fazer com que o produto sofra o mínimo de interferências possível depois de definido. Isso porque, ao contrário do que é praticado normalmente, todas as áreas envolvidas no projeto colaboram com ideias no momento da criação do produto. Na prática, isso significa, por exemplo, que o engenheiro contratado pode avaliar se as propostas feitas pelos arquitetos são viáveis do ponto de vista técnico da obra, o que não acontece quando os profissionais são contratados e elaboram seus projetos individualmente. Com isso, o período necessário para concluir um projeto pode ser encurtado.

Para que a charrette consiga criar um produto com a menor incidência possível de retrabalhos, é importante que reúna todos os profissionais envolvidos no projeto. Além da equipe de projetos, como arquitetos, paisagistas, designers de interiores, urbanistas e engenheiros, as áreas comercial e de marketing da incorporadora também participam das reuniões. "O projeto já nasce diferenciado dos que existem nas proximidades da obra porque, desde o início, são apontadas as tendências de mercado interessantes ao produto", explica Takeda.

Ferramenta flexível
Charrettes são indicadas para o desenvolvimento de qualquer tipo de projeto. No entanto, os ganhos são maiores em empreendimentos de maior complexidade, como os de desenvolvimento urbano e de cidades. Segundo Rafael Cardoso, diretor-regional da Rossi, "para os empreendimentos econômicos, as charrettes podem ter um cunho menos comercial, dispensando a participação dos departamentos de marketing e comercial. Mas é sempre importante realizar as reuniões envolvendo todos os projetistas".

Atualmente, os projetos que mais se aproveitam dessa metodologia são os de planejamento urbano. Mas Takeda aposta no maior interesse por essa solução nos próximos anos também para o desenvolvimento de projetos imobiliários. "Uma das propostas do grupo de urbanismo do Sindicato de Habitação de São Paulo (Secovi-SP) para 2014 é promover um curso de charrettes. A intenção é fazer com que as empresas brasileiras vejam a importância da ferramenta e passem a aplicá-la mais corriqueiramente", comenta.

Como organizar
Para que a charrette tenha sucesso é necessário todo um planejamento prévio. São as chamadas pré-charrettes, que consistem na elaboração de um briefing detalhado de tudo o que vai acontecer nos dias de reunião. Nelas, "a programação do evento deve ser traçada e passada aos convidados com pelo menos três semanas de antecedência, para que todos tenham tempo de alinhar as informações e desenvolver o pré-briefing", conta Walter Lopes, gerente de desenvolvimento de produtos da Rossi e coordenador das charrettes elaboradas pela empresa.

Na pré-charrette são definidos os materiais que cada profissional deverá apresentar. Entre eles, projetos, mapas, fotos, topografias, legislações, tendências de mercado etc., que servirão de subsídio inicial para as discussões.

Os preparativos contemplam, ainda, a definição do espaço em que a reunião será realizada. Como nas charrettes todos os desenhos são feitos à mão, a sala deve contar com mesas e material como papéis de diversos tipos e espessuras, flip charts, lápis, canetas, borrachas e post-its. Além disso, é indispensável que o espaço disponha de estrutura para retroprojetores e laptops, bem como ofereça conexão wireless estável.

Como as reuniões se estendem durante todo o dia, ininterruptamente, a organização deve prever coffee breaks pela manhã e à tarde, almoço em local próximo ou, preferencialmente, no mesmo local "para evitar que o grupo se disperse", aconselha Guilherme Takeda. Também é importante fazer com que todos os convidados mantenham seus celulares e e-mails desligados.


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