Drywall | Construção Mercado

Debates Técnicos

Drywall

Mercado vem se expandindo impulsionado pela necessidade dos construtores de abreviar cronogramas de execução e de garantir o desempenho mínimo exigido em norma

Por Gisele C. Cichinelli
Edição 150 - Janeiro/2014
 
Foto: Marcelo Scandaroli

No último triênio, o crescimento médio do segmento de drywall tem sido de 15% ao ano, número bem acima do registrado pela construção civil no mesmo período. Uma combinação de fatores explica o atual estágio de desenvolvimento desse mercado. Desde que abriram o capital, em 2007, as construtoras passaram a demandar sistemas racionalizados. "É impossível construir em escala industrial, como se requer hoje, utilizando métodos artesanais ou semiartesanais. Há alguns anos, um edifício demorava de quatro a cinco anos para ficar pronto, hoje precisa ser executado em 18 meses", afirma Luiz Antonio Martins Filho, gerente- executivo da Associação Drywall.

A oferta de layout flexível e de várias opções de planta em empreendimentos residenciais também contribui para elevar o consumo do drywall. Para culminar, a entrada em vigor da NBR 15.575 - Edificações Habitacionais - Desempenho ampliou o interesse das construtoras pelo sistema. "Isso porque ele atende a todos os requisitos de resistência mecânica, estanqueidade, isolamento sonoro e comportamento ante o fogo", lembra o engenheiro.


Apesar do crescimento expressivo, ainda há um grande espaço para expansão do consumo do sistema no país. O Chile, país com maior tradição de uso na América do Sul, consome atualmente 1,20 m2 de drywall/habitante/ano contra apenas 0,25 m²/habitante/ano do Brasil. De olho nesse potencial, as empresas fabricantes, que hoje operam com quatro plantas, planejam a expansão. Quatros novas plantas devem ser inauguradas nos próximos dois anos, sendo duas na região Nordeste, uma na Sudeste e outra ainda sem localidade definida.

Qualidade da instalação
O sistema drywall oferece vantagens como flexibilidade de projeto, rapidez e limpeza na execução, além de precisão dimensional, maior qualidade de acabamento e ótimo desempenho acústico. Mas esses benefícios só são notados quando a execução em obra é correta

Além de seguir as normas técnicas, é preciso especificar o sistema completo, sem improvisações. Uma parede para a qual a norma técnica indique a necessidade de uso de lã mineral em seu interior para isolamento sonoro, por exemplo, não pode ser executada sem esse item. "Tirá-lo reduz o custo da vedação. Porém, prejudica o desempenho, mancha a imagem da construtora e também do sistema drywall e ainda expõe os responsáveis às sanções do Código de Defesa do Consumidor", lembra Martins Filho.

Os produtos a serem adquiridos também devem ser aprovados pelo Programa Setorial da Qualidade do Drywall (PSQ-Drywall), vinculado ao Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), do Ministério das Cidades. "Esses materiais comprovadamente cumprem os requisitos das normas técnicas para os componentes do drywall", observa o engenheiro, enfatizando que a comercialização e o uso de materiais em desacordo com as normas é crime.

Sem improvisos
Dentre os erros de execução mais críticos está o uso de perfis estruturais em desacordo com a norma, o que pode provocar perda da estabilidade e resistência mecânica da parede, além de impedir o suporte e a fixação de cargas de modo adequado. Durante a execução, o uso da banda acústica (fita de espuma autoadesiva que deve ser colada em todo o perímetro da estrutura em contato com a estrutura do edifício) é um cuidado importante. Além de corrigir pequenas imperfeições da superfície, esse acessório veda a passagem de ruídos, impedindo que o desempenho acústico do sistema seja comprometido.

Outro ponto que requer atenção é o tratamento das juntas. O recobrimento das cabeças dos parafusos jamais deve ser feito com gesso e sim com massa específica, sob pena de ocorrerem trincas, que impactam a estética, e fissuras, que prejudicam o desempenho acústico das paredes. "Se o tratamento das juntas for feito com fita telada (tela de plástico) em vez de fitas de papel microperfurado, como recomendado pela norma, a qualidade do acabamento também será comprometida", lembra Carlos Roberto de Luca, gerente técnico da Associação Drywall.

ENTREVISTA - CARLOS ROBERTO DE LUCA

Boas práticas

Quais são as principais restrições para o uso do drywall?
O sistema foi concebido para uso nas vedações internas (paredes, forros e revestimentos) de qualquer tipo de edificação. Portanto, não é recomendado para uso externo. Além disso, as paredes drywall não são estruturais, ou seja, não suportam cargas, como ocorre com paredes de alvenaria estrutural, nas quais podem ser apoiadas lajes e vigas.

O sistema deve ser previsto em projeto?
Não só deve ser previsto, como exige a especificação correta da tipologia de cada vedação.

Quais são os erros mais comuns de execução?
A não obediência à NBR 15.758 - Sistemas Construtivos em Chapas de Gesso para Drywall é a principal fonte de erros. Outro fato a se considerar é que o sistema não admite improvisações: todos os seus componentes foram projetados para serem utilizados em conjunto e montados da forma como a norma recomenda. Retirar um elemento ou substituí-lo por outro fora da norma é inaceitável.

Esse tipo de erro acontece com frequência?
Muitos gesseiros que entraram no mercado do drywall insistem em usar fita telada e gesso para tratamento de juntas. Argumentam que sempre fizeram assim e não aceitam obedecer à norma. Educar esses profissionais é um desafio para o mercado e essa educação depende muito dos construtores também


Foto: Marcelo Scandaroli


'O sistema não admite improvisações: todos os seus componentes foram projetados para serem utilizados em conjunto e montados da forma como a norma recomenda'

Carlos Roberto de Luca
gerente técnico da Associação Drywall



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