Drywall | Construção Mercado

Debates Técnicos

Drywall

Mercado vem se expandindo impulsionado pela necessidade dos construtores de abreviar cronogramas de execução e de garantir o desempenho mínimo exigido em norma

Por Gisele C. Cichinelli
Edição 150 - Janeiro/2014

Como solucionar isso?
Martins Filho - Há um balizador maior, que é a Caixa Econômica Federal, com modelos de contratação e financiamento rígidos. Nesse nicho, temos menos capacidade de atuar. Mas para atender às construtoras, temos soluções prontas. Um grande fator que tem despertado o interesse pelo drywall tem sido a NBR 15.575 -Edificações Habitacionais - Desempenho. O sistema pode ajudar as construtoras a se enquadrarem aos requisitos exigidos.

'A maioria das incorporadoras ainda entende que o uso do drywall no segmento residencial é um risco para o negócio. Apesar da garantia de prazo e racionalização da obra, o cliente ainda é reticente'
Leandro Bruhns de Faro
diretor de tecnologia da Método Engenhari

Um dos apelos do drywall é o fato de reduzir a mão de obra no canteiro. Mas existem profissionais qualificados para fazer a instalação?
José Roberto Leite - Todas as nossas obras são residenciais e 100% dos nossos lançamentos estão sendo executados com drywall. As empresas do setor de drywall são naturalmente mais qualificadas e as equipes de execução são mais eficientes do que as de alvenaria convencional. Vale salientar que uma grande vantagem do sistema é o custo. Além de reduzir mão de obra, com o drywall o desperdício de material é muito menor.

Faro - Não só o desperdício é menor, como a produtividade é maior. Nos sistemas convencionais, há grande queda de produtividade da mão de obra, o que eleva o custo com esse item.

Como é feita a contratação da mão de obra e quais são os maiores problemas envolvendo a execução?
Leite - A contratação é por metro quadrado. A capacitação da mão de obra é, em parte, absorvida pelas construtoras.

Addor - Muitas vezes, o problema não é o sistema, mas suas interfaces com as demais instalações. Juntas malfeitas trincam e são consequência de erros de execução.

Martins Filho - Há reclamações que são destinadas erroneamente à mão de obra. Se não houver projeto ou se o sistema for malprojetado, a possibilidade de ocorrer erros é enorme.

Faro - Outro ponto crítico é falta de supervisão de campo da execução do serviço. O ideal é ter um sistema que demande menos supervisão e, nesse sentido, o drywall é uma ótima opção. Além de ter mais precisão dimensional, geralmente envolve mão de obra mais qualificada.

'Uma solução que tem se disseminado é o uso do drywall em revestimentos, aplicados sobre as paredes de alvenaria. Essa solução elimina a necessidade de execução de chapisco, emboço e reboco'
Luiz Antonio Martins Filho
gerente-executivo da Associação Dry

Eduardo de Barros Éboli - De fato, se não houver pessoas fazendo a interface entre indústria, construtora e empresa de montagem, a possibilidade de ocorrer problemas é maior.

Quem deve fazer essa supervisão?
Éboli - Esse profissional deve vir da empresa de montagem e trabalhar em conjunto com a construtora, fazendo a triangulação com a indústria, que tem de dar suporte técnico.

Ainda há muitos gesseiros atuando como montadores?
Martins Filho - Do universo de novos profissionais treinados para montar paredes de drywall, 46% são gesseiros, que chegam cheios de vícios e pouca disponibilidade para reaprender.

Zorzi - Investimos exaustivamente em formação de novos profissionais. Treinamos, todas as empresas juntas, aproximadamente dez mil pessoas por ano. A boa notícia é que já estamos conseguindo reter mais da metade desse pessoal no setor.

Faro - O drywall é uma solução que carrega uma inteligência maior que a alvenaria. Hoje, as empresas de montagem que melhor trabalham com drywall são aquelas que detêm o conhecimento técnico.

Surgiram novidades em termos de chapas, perfis, acessórios, ferramentas ou novos usos para do drywall nos últimos anos?
Zorzi - Todos os fabricantes estão oferecendo chapas mais finas, com 6,5 cm, que possibilitam a conformação de curvas.

Martins Filho - Uma solução que tem se disseminado é o uso do drywall em revestimentos, aplicados sobre as paredes de alvenaria. Essa solução elimina a necessidade de execução de chapisco, emboço e reboco.

A destinação dos resíduos de gesso ainda é um problema para o setor e para as construtoras?
Leite - A destinação de resíduos de chapas está mais facilitada porque os fabricantes estão recebendo esse material.

Faro - Já trabalhamos com empresas especializadas que retiram os componentes das chapas e fazem sua destinação correta.

Martins Filho - A resolução Conama de 2002 classificou o gesso na categoria errada, na "C", sem reciclagem possível, o que foi um erro grotesco. Somente com a revisão de 2009 pudemos mostrar que o gesso estava classificado de maneira errada. Durante esse período, que ficou na categoria C, surgiram diversos erros de destinação e reciclagem.

Como tem sido feita a destinação e a reciclagem?
Martins Filho - Para fazer regionalmente a reciclagem, há a opção de usar o gesso na indústria do cimento e também fazer fertilizante com resíduo de gesso. Todos os materiais vão para áreas de transbordo e triagem. As indústrias interessadas compram o gesso nesses locais.


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