Após insucessos na expansão geográfica, grandes incorporadoras voltam para mercados de origem, onde a disputa por terrenos mantém preços em patamares elevados | Construção Mercado

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Fim da regionalização

Após insucessos na expansão geográfica, grandes incorporadoras voltam para mercados de origem, onde a disputa por terrenos mantém preços em patamares elevados

Por Luis Ricardo Bérgamo
Edição 151 - Fevereiro/2014
 

Acervo pessoal

"A liquidez baixa exige mais assertividade na localização e no tipo de produto que será lançado"
João Gabriel Tomé
Mário Rocha Neto, sócio da Rocontec

Os insucessos na expansão geográfica fizeram com que as incorporadoras de capital aberto buscassem suas regiões de origem, onde conhecem o mercado, possuem maior controle do processo construtivo e dispõem de parcerias já consolidadas. Com todas as atenções voltadas novamente para São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, mercados onde estão sediadas, as companhias disputarão espaço em um cenário de terrenos escassos e cada vez mais valorizados. Investimento em tecnologia e estratégia acurada de prospecção serão elementos-chave.

Em suas cidades-sede e em regiões próximas, as empresas podem prognosticar demanda constante e projetar resultados com mais assertividade. Nos mercados regionais em que se aventuraram, tiveram de lidar com frequentes desvios da rota planejada. "As grandes incorporadoras entraram nessas cidades menores e o mercado não atendeu as expectativas", descreve Lucas Guerra Martins, vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG.

Conforme explica Mário Rocha Neto, da Rocontec, as grandes empresas nunca deixaram de investir nos principais mercados imobiliários do País. O que aconteceu foi uma divisão do volume de lançamentos com o interior. Com os problemas que enfrentaram, precisam agora refinar sua estratégia. "A liquidez baixa exige mais assertividade na localização e no tipo de produto que será lançado", aconselha.

Isso só é possível em mercados já conhecidos. Neles, as empresas têm mais experiência para encontrar terrenos e suprir as demandas de cada bairro. Além disso, a proximidade com a sede traz maior controle dos processos relacionados diretamente à construção.

Divulgação: João Fortes

"Para alcançar um bom terreno, importa a rede de corretores e a velocidade na tomada de decisão"
Luiz Henrique Rimes
diretor nacional de negócios da João Fortes Engenharia

Disputa por terrenos
Para Rocha Neto, os terrenos continuarão com altos preços. A concorrência ampliada, além disso, tende a provocar mais valorização, na opinião de Odair Senra, vice-presidente de imobiliário do SindusCon-SP. Mas a volta das grandes incorporadoras de capital aberto não redundará obrigatoriamente em escassez de áreas para as empresas de menor porte.

Conforme salienta Luiz Henrique Rimes, diretor nacional de negócios da João Fortes Engenharia, sediada no Rio de Janeiro, o sucesso na disputa por terrenos não depende do tamanho das companhias. "Para alcançar um bom terreno, importa a rede de corretores e a velocidade na tomada de decisão", afirma. Para ele, se a competição entre grandes e pequenas se acirrar, a capacidade de prospecção será fator decisivo.

Para as empresas de menor porte, a recomendação é investir nas áreas centrais dos bairros, onde os terrenos são menores - o que nem sempre é interessante para as grandes incorporadoras.

Bons resultados dependerão, além disso, de criatividade e tecnologia, para diminuir o custo da construção, analisa Rocha Neto. A oferta de produtos diferenciados, direcionados a públicos específicos, também pode ser um fator relevante.

De acordo com Odair Senra, a economia estável e a oferta de financiamentos têm gerado novas oportunidades de negócios em São Paulo. A zona Leste da cidade, que tem se verticalizado na medida em que recebe investimentos em mobilidade urbana, é um dos destaques, além de bairros como a Mooca, Santo Amaro e Santana.

No Rio de Janeiro, Luiz Henrique Rimes identifica como regiões atraentes os bairros do Meyer e Tijuca, além de destacar os investimentos residenciais no Porto Maravilha e o crescimento em direção ao Recreio, onde há terrenos disponíveis. Fora da capital, chama atenção a cidade de Maricá, devido aos projetos atrelados ao pré-sal, e as zonas residenciais de Petrópolis e do distrito de Itaipava.

Empresas que querem investir em Belo Horizonte, de acordo com Martins, do Sinduscon-MG, podem prever cenário positivo, ocasionado pela normalização da demanda de mão de obra na capital mineira.

 

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