Cada vez mais importantes nos canteiros, equipamentos de movimentação de cargas e pessoas precisam de dimensionamento, especificação, instalação e utilização criteriosos para garantir a mecanização bem sucedida dos processos | Construção Mercado

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Mecanização do canteiro

Cada vez mais importantes nos canteiros, equipamentos de movimentação de cargas e pessoas precisam de dimensionamento, especificação, instalação e utilização criteriosos para garantir a mecanização bem sucedida dos processos

Por Juliana Nakamura
Edição 151 - Fevereiro/2014
 

Equipamentos para movimentação segura e rápida de cargas e trabalhadores são determinantes para obtenção de bons índices de produtividade em obras.Para se ter uma ideia, um terço do tempo despendido em um canteiro corresponde ao transporte de pessoas e materiais, segundo estudo de Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Produtime.

Os bons resultados, contudo, dependem da especificação, aquisição e uso adequados desses equipamentos, bem como de um projeto de logística global da obra. A escolha deve ser realizada de forma conjunta, considerando a dinâmica da obra, o layout do canteiro e os principais materiais e componentes a serem transportados. "É importante fazer um dimensionamento cuidadoso do conjunto de equipamentos a serem utilizados, partindo sempre de um planejamento de longo prazo, com a prévia definição do ritmo dos principais processos e com um projeto de layout do canteiro", recomenda Carlos Torres Formoso, professor-doutor do Núcleo Orientado para a Inovação da Edificação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Norie - UFRGS).

A variedade de soluções para a movimentação de insumos e pessoas no canteiro é relativamente grande, indo de simples andaimes a plataformas aéreas e gruas com grande capacidade de carga. Cada equipamento requer cuidados específicos (ver boxes). Mas há recomendações relacionadas à aquisição dessas máquinas comuns para todos os casos.

Uma delas é verificar se o equipamento em questão atende, efetivamente, às necessidades da obra, bem como aos requisitos de segurança determinados pelas normas técnicas vigentes, sobretudo a NR-18. "Há uma tendência errada de se economizar com o subdimensionamento dos equipamentos de elevação e transporte, o que acaba causando um problema de congestionamento em obra e, consequentemente, a diminuição do rendimento que o equipamento poderia oferecer", alerta Paulo Melo Alves de Carvalho, diretor da Associação Brasileira das Empresas Locadoras de Bens Móveis (Alec).

A escolha do fornecedor do equipamento deve ser sempre precedida de pesquisa da procedência dos materiais, processos de distribuição e de qualidade empregados na produção do sistema. Além disso, é importante que sejam tomados cuidados na contratação, principalmente nos casos em que o equipamento for alugado. O construtor deve exigir a assessoria e a manutenção técnica dos fornecedores, bem como a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) dos equipamentos.

"O contrato de locação precisa definir claramente as responsabilidades de cada parte", destaca Flávio Figueiredo, vice-presidente da Associação Paulista dos Empreiteiros e Locadores de Máquinas de Terraplanagem, Ar comprimido, Hidráulicos e de Equipamentos de Construção Civil (Apelmat). Entre os temas a serem previamente acordados estão práticas e sanções, caso o prazo de locação precise ser estendido, a assistência técnica e o pagamento de horas em que o equipamento esteve parado. Parte fundamental para a garantia de segurança e produtividade, os operadores devem receber um curso específico, que geralmente é ministrado pelo fornecedor do equipamento. Os certificados de participação nesse curso devem estar disponíveis no canteiro.

Marco Aurélio da Cunha, presidente da Associação Brasileira de Empresas Locadoras de Bens Móveis para Construção Civil (Alec), alerta que na totalidade das locações, as máquinas de menor porte, geralmente utilizadas no segmento de obras imobiliárias, são as que mais operam com mão de obra pouco qualificada. "O problema se agrava ainda mais porque em obras prediais nem sempre há um corpo de segurança para fiscalizar diariamente os trabalhos com os equipamentos", diz ele.

 

Marcelo Scandaroli
De acordo com a NR-18, os montantes tubulares metálicos dos andaimes precisam ter um diâmetro mínimo de 42,20 mm e espessura de parede superior a 2,65 mm (podendo chegar a 3 mm)

Equipamentos de acesso e movimentação de carga no canteiro

Andaimes
Estruturas provisórias para o acesso de pessoas e equipamentos a locais de trabalho em altura, os andaimes são plataformas elevadas que devem ser capazes de suportar, com segurança, os esforços a que serão submetidos. A construção civil utiliza duas tipologias, principalmente. Montado no local de utilização, o andaime tubular tem estrutura composta por painéis metálicos e diagonais tubulares para contraventamento, sobre uma base fixa ou regulável (sapatas). Utilizados para execução de serviços em fachadas, os andaimes fachadeiros são apoiados em uma base e montados com estrutura metálica tubular ou madeira. Devem ser amarrados à edificação para resistir às ações dos ventos.

- Cuidados: por mais simples que os andaimes possam parecer, seu uso não pode prescindir de um projeto que disponha de plantas, cortes, vistas e detalhes técnicos que definam claramente os encaixes, posicionamento de elementos estruturais, dimensionamento das peças, cargas adotadas, pontos de amarração e sequência de montagem. O projeto, a montagem e a supervisão devem ser acompanhados por profissional habilitado. O improviso é a principal causa de acidentes quando do uso desses equipamentos. Souza explica que o andaime fachadeiro pode ser boa opção tanto na construção de um sobrado quanto de um edifício. Mas ele é mais vantajoso quando o seu tempo de permanência na obra não é muito longo. "Se o edifício é muito alto, a estrutura montada no primeiro andar pode ficar ociosa por muito tempo, o que eleva o custo de locação. Nesse caso, o balancim torna-se a melhor opção", comenta o professor.

Balancins elétricos
Também conhecidos como andaimes suspensos motorizados, trata-se de uma plataforma elevada que funciona por meio de guinchos elétricos e cabos de aço. Normalmente são utilizados para a execução de serviços na área externa de prédios, como reparos na fachada, acabamento e pintura, aplicação de esquadrias e vidros, limpeza e manutenção. Em geral, os balancins elétricos possuem plataformas de alumínio moduláveis com comprimento que varia de 8 m a 12 m e largura de 70 cm a 90 cm. Os equipamentos podem suportar até 800 kg e apresentam velocidade vertical de até 9 m/min.

- Cuidados: a especificação do modelo depende do tipo de serviço que será executado e da velocidade de movimentação necessária para atender aos prazos do cronograma. O equipamento motorizado proporciona maior produtividade, menor risco de acidentes e eliminação do esforço físico do operador durante a movimentação. Contudo, seu custo de aquisição e locação é superior aos andaimes manuais. Os cuidados com a montagem do balancim devem começar no projeto arquitetônico, que deve prever locais adequados para fixar a estrutura de sustentação na cobertura.

Marcelo Scandaroli
O posicionamento da grua deve ser estudado visando a atender todas as áreas de carga e descarga do canteiro

Gruas
Utilizadas para o transporte vertical de cargas desde a fase de estrutura da obra até a conclusão do edifício, as gruas podem transportar diversos tipos de materiais, como blocos, concreto e aço, com a vantagem de descarregar os insumos diretamente no local onde serão usados. Há vários tipos de grua no mercado, com variações em relação à capacidade de içamento de cargas, alcance, finalidade e altura (que pode ser constante ou regulável). Os três tipos principais são: grua fixa (chumbada sobre um bloco de concreto), grua móvel (montada sobre trilhos) e grua ascensional (instalada dentro do prédio e remanejada para os andares superiores conforme a evolução da obra).

- Cuidados: capazes de racionalizar as atividades no canteiro, esses equipamentos de grande porte devem ter seu uso respaldado por um planejamento rigoroso que contemple ciclos de trabalho, velocidade de içamento e capacidade de carga. Por abrangerem uma área maior, as gruas têm grande risco de provocar acidentes. Por isso merecem um estudo de locação prévio do canteiro, elaboração do plano de cargas e infraestrutura específica para sua montagem. A locação de gruas deve ser feita com antecedência de pelo menos três meses. Entre os pontos a serem detalhados no contrato estão: descrição dos bens locados; responsabilidade por transporte, manutenção, montagem, reposição de peças, combustíveis e outros insumos; responsabilidade pelo seguro para o equipamento e para terceiros; regras para recebimento e devolução. É preciso elaborar ainda um termo de entrega técnica prevendo uma verificação operacional e de segurança.

 

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