Fundação Vanzolini se alia a entidade francesa para criar selo de sustentabilidade internacional para empreendimentos comerciais e residenciais | Construção Mercado

Negócios

Certificação ambiental

Fundação Vanzolini se alia a entidade francesa para criar selo de sustentabilidade internacional para empreendimentos comerciais e residenciais

Por Juliana Nakamura
Edição 152 - Março/2014
 

Divulgação: Damha
O residencial Damha Golf I em São Carlos (SP) foi o primeiro loteamento do País a conquistar a certificação de sustentabilidade Alta Qualidade Ambiental (Aqua)

A certificação é um dos instrumentos técnicos e gerenciais de proteção ambiental mais valorizados pelas empresas e consumidores. No Brasil, o número de empreendimentos certificados comprova essa tese. Só o Alta Qualidade Ambiental (Aqua-HQET), emitido pela Fundação Vanzolini, certificou mais de um milhão de metros quadrados, em um total de 7.711 unidades habitacionais desde 2010.

Um passo para a evolução desse processo é o alinhamento dos referenciais técnicos com as certificações empregadas em outros países. O Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) já funciona como um sistema internacional de certificação, utilizado em 143 países. Agora o Processo Aqua, criado no Brasil para certificar edifícios habitacionais, comerciais e de serviços, além de loteamentos, também está se internacionalizando após um acordo firmado entre a Fundação Vanzolini e a Cerway, entidade francesa responsável pela emissão do selo Haute Qualité Environmentale (HQE). O HQE já foi concedido a mais de 230 mil projetos em todo o mundo, o equivalente a 36 milhões de metros quadrados certificados. A nova denominação e os detalhes do processo serão lançados oficialmente em evento no dia 18 de março, em São Paulo.

"O Aqua-HQE deve aperfeiçoar critérios que envolvem a matriz do sistema no Brasil e na França, de modo a convergir com os mais avançados indicadores de desempenho globais", acredita o engenheiro Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do Processo Aqua e coordenador técnico da certificação de sistemas de gestão ambiental ISO 14.000 da Fundação Vanzolini.

Na prática o Aqua aplicado no Brasil já tem muito do HQE. Primeiro porque quando começou a ser estruturado em 2007, o Processo utilizou como referência o selo francês, que foi adaptado à legislação, normas técnicas e características culturais e ambientais do Brasil. Além disso, a Fundação Vanzolini já vinha trabalhando em um maior alinhamento com os referenciais franceses, tanto que em abril do ano passado anunciou novas exigências para a emissão do selo, contemplando pontos como maior rigor na valorização dos resíduos gerados no canteiro de obras, monitoramento do consumo de água e energia durante a execução do projeto, minimização dos riscos sanitários no canteiro e escolha de produtos com procedência, como forma de desestimular a informalidade na cadeia produtiva de materiais de construção. O mercado não deve esperar, portanto, mudanças conceituais muito drásticas. "Embora alguns critérios devam ser aprofundados, a transição do Aqua para o Aqua/HQE deve ser suave. O processo em si não vai mudar", garante Martins.

 

Entenda a certificação

viCToR CoRREia/ShuTTERSToCK

O Aqua contempla o processo de construção como um todo, iniciando com a análise do terreno e programa de necessidades, passando pela concepção do projeto, a execução da obra e finalizando com o uso e ocupação do edifício. A certificação é concedida em cada uma destas fases mediante auditoria presencial. A avaliação considera o programa de necessidades da habitação, o contexto local, a estratégia ambiental do empreendedor, a análise econômica global, o usuário, as demais partes interessadas e a regulamentação. No total, o Aqua estabelece itens de qualidade que precisam ser atendidos dentro de um conjunto de classificação: bom, superior e excelente. Ao final das obras, atingindo o objetivo definido, o empreendedor obtém o selo de Alta Qualidade Ambiental para seu empreendimento.

 

"Embora alguns critérios devam ser aprofundados, a transição do Aqua para o Aqua/HQE deve ser suave. O processo em si não vai mudar"
Manuel Carlos Reis Martins
coordenador executivo do Processo aqua na Fundação Vanzolini

Linguagem comum
Manuel Martins explica que a nova certificação foi feita com caráter de universalidade, com base na soma das experiências francesa e brasileira. Um dos objetivos é que se tenha valores comparáveis entre os países, sobretudo em indicadores como energia, água, resíduos e qualidade do ar. "Nesses casos, é importante que se fale o mesmo idioma no mundo inteiro", afirma.

Alinhar os parâmetros não significa, contudo, que a exigência será a mesma em todos os países. "No Brasil, a água é um recurso tão crítico quanto energia. Já no hemisfério norte, a energia é muito mais crítica. É preciso considerar essas particularidades na hora de definir o nível de exigência", comenta o coordenador executivo do Aqua.

Além da energia, outra diferenciação está no requisito desempenho acústico, que é bastante valorizado na Europa, mas que no Brasil deve ser cobrado de forma mais amena, pelo menos em um primeiro momento. "É verdade que a qualidade dos materiais, como os caixilhos, melhorou. Mas os projetos brasileiros ainda precisam avançar muito com relação à acústica", analisa Martins. Segundo ele, a entrada em vigor da NBR 15.575 - Edificações Habitacionais - Desempenho no ano passado, ampliou a preocupação sobre a qualidade acústica dos edifícios residenciais. Mesmo assim, vedar o edifício contra a entrada de ruídos ainda representa um desafio para projetistas, construtores e incorporadores porque a cultura brasileira, até em função das suas características climáticas, é a de privilegiar a ventilação.

 

Destaques da Loja Pini
Aplicativos