Fôrmas e escoramentos podem induzir ganhos de produtividade, além de agregar economia e qualidade à estrutura. Conheça as principais tecnologias disponíveis e suas aplicações | Construção Mercado

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Fôrmas e escoramentos industrializados

Fôrmas e escoramentos podem induzir ganhos de produtividade, além de agregar economia e qualidade à estrutura. Conheça as principais tecnologias disponíveis e suas aplicações

Por Juliana Nakamura
Edição 152 - Março/2014
 

Hellen Sergeyeva/shutterstock
A escolha do melhor sistema de fôrmas depende do tipo de acabamento, porte da obra, número de reutilizações, entre outros pontos

Em obras prediais, o conjunto fôrmas e escoramento chega a representar 45% dos custos da estrutura. Só isso já seria um bom motivo para dedicar atenção à escolha, compra e uso desses equipamentos. Mas, além da questão financeira, há também motivações técnicas. A execução bem-sucedida das fôrmas e dos escoramentos impacta diretamente a qualidade da estrutura. Como é uma das primeiras atividades a ser executada em uma obra de concreto moldado in loco, ela influencia as etapas subsequentes. ''Trata-se de componentes responsáveis pela geometria, acabamento e qualidade da estrutura e, portanto, são peças de precisão'', destaca o consultor e projetista de fôrmas Eduardo Araki, da Ark Consultoria.

Para moldar o concreto, o mercado oferece soluções tradicionais, executadas in loco, em madeira, e os sistemas industrializados. A escolha do tipo mais adequado de fôrmas varia em função de uma série de fatores. Um deles é o acabamento do concreto. Se a opção for pelo concreto aparente, os painéis metálicos e as fôrmas de papelão apresentam melhor desempenho, pois garantem maior planicidade e oferecem maior garantia de nível e prumo.

"A especificação do melhor sistema está intrinsecamente atrelada ao prazo de execução da estrutura e deve ser pautada a partir da definição do partido estrutural do concreto, independentemente do tipo de fôrma", diz o engenheiro e projetista de fôrmas Nilton Nazar, diretor da Hold Engenharia.

Um aspecto a ser considerado, entre outros, é a existência de interferências na estrutura, como desníveis entre áreas, divisões de cômodos e embutidos (tubulações, ferros de espera, pinos, tirantes).

O prazo de utilização e a possibilidade de reaproveitar os equipamentos em empreendimentos diferentes são decisivos na hora de optar por comprar ou alugar um conjunto de fôrmas. Segundo cálculos da Associação Brasileira das Empresas de Fôrmas e Escoramentos (Abrasfe), a compra costuma ser uma boa opção para obras de longa duração, ou seja, com previsão de término superior a dois anos.

Some-se a tudo isso a necessidade do construtor gerenciar a mão de obra. Em alguns equipamentos industrializados alugados, a incidência efetiva de mão de obra, incluindo transporte, carga e descarga, estocagem, montagem e desmontagem, gira em torno de dois a quatro hh/m². No caso das soluções produzidas in loco esse índice sobe para até 20 hh/m².

Outro item a ser observado é a disponibilidade do equipamento. Grandes volumes devem ser contratados em empresas que tenham condições de garantir o fornecimento para que não haja atraso na execução. A disponibilidade de atendimento técnico próximo à obra, assim como o fornecimento de projetos de execução detalhados, também são critérios a serem analisados pelo construtor na hora de adquirir uma tecnologia de fôrmas, seja para aluguel ou compra.

Nos últimos anos, os fornecedores de fôrmas e escoramentos vêm investindo na oferta de tecnologias que simplifiquem as etapas de montagem e desmontagem. É o caso do sistema steel deck e das mesas voadoras. Indicado para a execução de lajes lisas e com pouca incidência de vigas, o sistema steel deck é composto por painéis modulares estruturados em alumínio e revestidos com chapa compensada plastificada. Os painéis são sustentados por escoras com cabeças especiais drop-head, mecanismo que permite a desenforma da laje, sem a necessidade de retirar a escora, abreviando o ciclo de concretagem.

Ainda pouco utilizadas, as mesas voadoras são montadas uma única vez na obra e conduzidas para os pavimentos de acordo com a necessidade. Esses equipamentos são indicados para estruturas de concreto com muitas repetições (verticais ou horizontais), com grandes lajes planas e ainda sem interferências de vigas internas e de vigas de borda. Sua especificação, contudo, requer integração entre o projetista estrutural, a construtora que vai executar a estrutura e o fornecedor do sistema de escoramento. Outro ponto a ser observado é a exigência de gruas com capacidades de carga para transportá-la.

 

Critérios de escolha

Ao comparar sistemas de fôrmas para estruturas de concreto, vale atentar para os seguintes aspectos:
Leveza. Avalie a relação peso/m² da fôrma. Quanto mais leve, mais fácil e rápido será o transporte horizontal e vertical de maiores áreas de fôrma (seja manual ou com máquinas ou gruas) e também a montagem, desmontagem, carga e descarga da fôrma.
Facilidade de montagem, colocação e desenforma. O ideal é haver menores quantidades de tirantes, grampos de fixação, arremates em madeira e vigas alinhadoras.
Sistema autoalinhável. Tal característica tende a resultar em melhor qualidade no alinhamento das paredes, vigas e pilares, diminuir a incidência de escoras de prumo e reduzir a demanda por mão de obra.
Concepção do sistema de fôrmas. Deve oferecer maior praticidade nas ligações dos painéis e acessórios da fôrma com qualidade na precisão e tolerância nos fechamentos, qualidade da superfície de contato e adaptabilidade aos sistemas convencionais de fôrmas.
Flexibilidade geométrica. O ideal é que o sistema apresente variedade e diversidade na dimensão dos painéis, permitindo maior flexibilidade para execução de fôrmas retas, circulares e angulares.
Adaptabilidade. O sistema de fôrma escolhido deve ser adaptável a diferentes estruturas da obra, como baldrames, blocos, radiers, pilares, vigas, paredes e lajes.
Resistência mecânica e segurança. As fôrmas devem possuir desempenho satisfatório, fundamental para absorver as pressões do concreto e para garantir maior quantidade de reutilizações.
Fonte: José Luiz Ary, sócio-diretor da Consultary Consultoria de Projetos e Obras.

 

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