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Locação tranquila de fôrmas prontas de madeira requer cuidados na hora de escolher o fornecedor, no momento de fechar o contrato e durante o recebimento dos equipamentos no canteiro

Juliana Nakamura
Edição 152 - Março/2014
 

divulgação: Formaplan
Fôrmas pré-fabricadas de madeiras são opção para construtoras que querem reduzir área e mão de obra no canteiro para carpintaria

As fôrmas de madeiras estão entre os tipos de moldes para estruturas de concreto mais utilizados nas obras brasileiras. Além de propriedades físicas adequadas para essa aplicação, como resistência e estabilidade, características como baixo custo em comparação a outros materiais, disponibilidade e facilidade de corte explicam a procura por essa solução, que é de fácil domínio pela mão de obra. Aliado a tudo isso, a fôrma de madeira é versátil e se adapta a praticamente qualquer geometria.

Para trabalhar com esses equipamentos, as construtoras têm à sua disposição duas opções: adquirir chapas de madeira ou de compensado para produzir as fôrmas no próprio canteiro a partir de um projeto específico, ou comprar/locar o sistema pré-fabricado. Em comparação com o molde feito em obra, o equipamento pronto agrega facilidade para aquisição, melhor aproveitamento da madeira decorrente da produção industrial e dispensa de área extra no canteiro para montar a carpintaria.

Para a produção dos moldes normalmente são empregadas madeiras serradas ou chapas compensadas nas dimensões 2,20 m x 1,10 m e 2,44 m x 1,22 m e espessuras que variam entre 6 mm e 21 mm. A tolerância dimensional aceitável é de ± 2 mm (largura e comprimento).

As chapas de compensado mais utilizadas na produção das fôrmas são resinadas e plastif icadas. As primeiras recebem resina fenólica para resistir à água e são indicamarcelo das para montagem de fôrmas de concreto não aparente. Já as chapas plastificadas recebem acabamento com filme plástico, conferindo-lhe melhor resistência à água e melhor acabamento superficial. O número de reutilizações varia de acordo com a espessura do filme, mas geralmente é o dobro da chapa resinada.

Seleção de fornecedores
A locação de fôrmas prontas para uma obra requer seleção criteriosa do fornecedor. Para isso, uma prática útil é analisar se a empresa possui uma carteira de clientes consistente e de obras já executadas. Também recomenda-se uma visita às instalações do fornecedor para conhecer o seu processo de fabricação e de controle das fôrmas. Vale, ainda, considerar os seguintes aspectos antes de fechar a contratação:
- O fornecedor mantém inspeção no recebimento das matérias-primas?
- Ele vai fornecer desenhos e projetos que orientem a montagem na obra?
- O fornecedor oferece serviço de assistência técnica na montagem e atendimento pós-venda?
- Verifique se é fornecido, junto à carga, um romaneio discriminando o que está sendo entregue. A ABNT NBR 15.696 - Fôrmas e Escoramentos para Estruturas de Concreto - projetos, dimensionamento e procedimentos executivos - traz, em um de seus anexos, requisitos para fornecedores de equipamentos para fôrmas e escoramentos. Entre eles destaca-se a disponibilidade de pessoal qualificado e de manual técnico para execução de projetos e montagens dos equipamentos.
- Certifique-se, também, de que o fornecedor utilize somente madeiras reflorestadas na produção das fôrmas.

"Em toda aquisição de sistemas de fôrmas é necessário estar consciente de que se trata não somente de contratação comercial, mas, principalmente, de uma contratação técnica", alerta o projetista de fôrmas Paulo Assahi.

Cuidados na contratação
Itens como prazo, preço, condição de pagamento e reajustes fazem parte de um contrato de locação típico. "No caso das fôrmas, o contratante deve dar atenção especial aos preços especificados para a reposição dos materiais que eventualmente forem danificados ou extraviados", diz o engenheiro Nilton Nazar, professor da Escola de Engenharia Mauá e diretor da Hold Engenharia. Isso porque, muitas vezes esses custos podem superam os valores de aquisição.

Aliás, cláusulas que estabelecem as condições de uso, manutenção e, principalmente, de devolução, costumam gerar conflitos entre as partes, demandando cuidado redobrado. "É muito comum surgirem conflitos no momento da devolução porque a avaliação da conservação dos equipamentos é subjetiva", salienta Paulo Assahi. "Na avaliação de danos causados no equipamento, sempre existirá duas versões. A de que a utilização foi inadequada e a de que a qualidade das fôrmas não atende às solicitações normais exigidas na obra", acrescenta Assahi.

Na hora de formalizar o pedido, o contratante precisa se certificar de que todos os requisitos estão definidos e documentados. A elaboração de um projeto de fôrmas é fundamental para que não haja retrabalhos. No caso das fôrmas pré-fabricadas, esse projeto deve ser elaborado a partir das seguintes informações, que devem ser fornecidas pelo contratante:
- Projeto estrutural (preferencialmente definitivo);
- Aparência desejada da superfície do concreto;
- Cronograma de execução da estrutura de concreto;
- Plano de ataque da obra;
- Características do concreto a ser utilizado (especificação, forma de adensamento etc.);
- Tipo de cimbramento;
- Número desejado de reaproveitamento;
- Tipo do transporte vertical da fôrma (manual ou mecânico).

Cuidados no recebimento
No canteiro, o recebimento das fôrmas é uma das etapas mais críticas. "A análise visual do estado do material recebido deve ser cuidadosa e, caso seja detectada alguma irregularidade, o fornecedor deve ser comunicado imediatamente, sob pena de posterior pagamento por mal-uso", destaca Nazar.

Para aceitação, os componentes de madeira não devem apresentar rachaduras e precisam apresentar boa fixação. As dimensões das fôrmas têm que estar coerentes com os desenhos fornecidos e compatíveis com as dimensões das peças (pilar, viga e laje) do projeto estrutural. As chapas não podem apresentar furos, bolhas ou qualquer dano na película plástica, para não permitir penetração de água e não "fotografar" defeitos na superfície do concreto.

Cautela deve ser adotada, também, na descarga, no armazenamento e na utilização das fôrmas. A desenforma é um momento especialmente sujeito a gerar danos nos painéis. Cuidados como usar cunhas de madeira em vez de pé-de-cabra e passar cordas pelas escoras, criando uma "cama" onde as chapas de lajes caem sem danificar suas bordas, são necessários para assegurar a durabilidade das peças. Da mesma forma são importantes a limpeza adequada e uso de desmoldantes apropriados.

Checklist
- Escolha um fornecedor com credibilidade no mercado;
- Antes de receber as fôrmas, verifique se as chapas têm algum defeito superficial, como bolhas;
- Verifique se as fôrmas apresentam geometria, alinhamentos e dimensões como o indicado nos desenhos de projeto, admitindo-se tolerâncias especificadas em norma;
- O armazenamento das peças deve acontecer em local protegido ou coberto, próximo ao local de uso ou do transporte vertical ou horizontal. Se necessário, empilhar as fôrmas sobre pontaletes ou paletes.

 

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