Construtora reduz o prazo de execução e o volume de escavação após um conjunto de ações que incluem a alteração do sistema de drenagem | Construção Mercado

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Construtora reduz o prazo de execução e o volume de escavação após um conjunto de ações que incluem a alteração do sistema de drenagem

Por Juliana Nakamura
Edição 153 - Março/2014
Divulgação: Lafem
Substituição do sistema de drenagem compensou o atraso registrado nas etapas iniciais da obra de expansão do laboratório B. Braun, em São Gonçalo (RJ)

Há casos em que os ensaios geotécnicos indicam uma determinada condição do solo, mas a escavação apresenta outra realidade. Foi o que aconteceu durante a obra de expansão do laboratório B. Braun, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Quando as primeiras escavações foram realizadas, descobriu-se que a camada de rocha estava a 9 m de profundidade - e não a 6 m, como apontava a sondagem prévia. Além disso, identificou-se a existência de uma extensa camada de alteração de rocha, o que seria um complicador extra para a execução das fundações.

Tais imprevistos, logo no início dos trabalhos, obrigaram os engenheiros da obra e projetistas a buscarem novas soluções tecnológicas para viabilizar a execução, sem comprometimento de prazo, orçamento, qualidade e segurança. "Percebemos que seríamos obrigados a realizar uma movimentação de terra muito grande, interferindo, inclusive, na execução da drenagem", lembra o engenheiro Alexandre Corrêa, da Lafem Engenharia.

O projeto inicial previa a execução de uma canaleta de drenagem de 90 m, com tubos de concreto passando por debaixo dos blocos de estacas. "Nós nos debruçamos sobre o projeto e vimos que a tubulação de concreto, naquelas condições específicas, seria de difícil execução, pois exigiria escavação muito profunda, com elevado movimento de terra e muito escoramento. Sem contar o alto risco que envolveria, em função da proximidade com lençol freático e redes de gás", explica Corrêa.

Após exaustivos estudos, chegou-se à conclusão de que a melhor alternativa seria reduzir o diâmetro da canaleta, substituindo o tubo de concreto por uma tubulação de Polietileno de Alta Densidade (Pead).

Com esse material corrugado, seria possível passar a linha de drenagem por cima dos blocos de estacas, evitando escavar um volume de aproximadamente 200 m³ de terra em uma área confinada. Por apresentar baixa rugosidade em seu interior, esse tipo de tubulação também possibilitou a execução com declividade muito baixa.

Dessa forma, a construtora conseguiu fugir de uma escavação profunda - o que atrasaria o cronograma em 30 a 45 dias - e manter distância do lençol freático. De acordo com o engenheiro da Lafem, a decisão agregou ainda outras vantagens. Em comparação com a tubulação de concreto, os tubos de polietileno, por serem mais leves, têm instalação mais fácil (as uniões ocorrem por luvas) e com menor demanda de mão de obra. Os tubos de polietileno representam cerca de um décimo do peso dos tubos de concreto. "Além disso, eles têm manutenção mais simples", diz Corrêa.

Divulgação: Lafem
Opção por tubos de Pead para o sistema de drenagem da obra ocorreu após identificação de problemas no solo

Outras propriedades, como a alta resistência do material ao tráfego e a estabilidade dimensional, ajudaram as equipes de execução. Na obra do laboratório, foram utilizados tubos com diâmetros de 600 mm e de 400 mm.

"Colocando tudo no papel, o resultado foi um ganho no prazo de execução da drenagem e da fundação em torno de 50%. Além disso, houve um ganho de 40% no custo da drenagem e da fundação, decorrente de menores custos diretos e indiretos", revela o engenheiro da Lafem.

Outras intervenções
A substituição do sistema de drenagem foi um coadjuvante importante para compensar, no cronograma global, o atraso registrado nas etapas iniciais da obra. Mas não foi a única medida de impacto, segundo avaliação da construtora. Também colaboraram ações como a organização espacial do canteiro e a utilização de empilhadeiras (no caso, do próprio laboratório B. Braun) para a realização da descarga de materiais paletizados na obra.

Outra solução que contribuiu para que o cronograma fosse atendido foi o uso de reensaio não destrutivo para a prova de carga em estacas. O novo galpão dos laboratórios B. Braun está apoiado em 127 estacas- raiz, executadas pelo processo tradicional, com injeção de cal. Para a execução da prova de carga estática exigida pela NBR 6.122, a construtora preferiu o sistema de célula expansiva hidrodinâmica ao sistema convencional, que usa viga atirantada ou estacas de reação. "Além de ser mais limpo, esse processo é também mais rápido", compara Alexandre Corrêa, lembrando que em apenas dois dias foi possível realizar o ensaio, sendo um dia para a colocação do equipamento e outro para a leitura dos recalques.

FICHA TÉCNICA

Nome do empreendimento: Expansão do laboratório B. Braun
Local: São Gonçalo (RJ)
Área construída: 1.490,30 m²
Construção: Lafem Engenharia
Engenheiro responsável: Alexandre Corrêa da Silva
Gerenciamento: B. Braun
Projeto de Arquitetura e Instalações: Dupré Arquitetura
Projeto de Fundações: Clovis Maia Engenharia
Projeto de Estruturas: HF Engenharia
Projeto do Piso Industrial: LPE Engenharia e Consultoria
Execução das Instalações: MEI Instalação Industrial
Execução das estacas raiz: Thiagus Construções, Desmontes, Locações
Execução da Estrutura Metálica: Metalfenas
Execução da Cobertura e Salas Limpas: Dânica Termoindustrial
Execução do Piso Industrial: Solepoxy
Prova de carga estática em estacas: Arcos Engenharia de Solos
Início das obras: Março/2013
Conclusão das obras: Novembro/2013

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