Grandes voltam à locação - Após onda de importação à época do boom imobiliário, grandes construtoras voltam a optar por máquinas alugadas | Construção Mercado

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Grandes voltam à locação - Após onda de importação à época do boom imobiliário, grandes construtoras voltam a optar por máquinas alugadas

Por Aline Mariane
Edição 153 - Março/2014
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Em 2013 houve redução de 5,3% na importação de máquinas e equipamentos para construção civil e, em paralelo, aumento superior a 25% na locação

Em julho de 2010, ao perceber aumento nos custos com locação de equipamentos e máquinas devido à alta demanda, a MRV Engenharia reviu suas estratégias e deu início à compra de equipamentos de grande porte, como gruas, para serem utilizados em seus canteiros de obra. "Investimos R$ 22 milhões na compra de equipamentos próprios entre julho de 2010 e julho de 2013", conta Álvares de Medeiros, diretor de suprimentos da empresa.

Para tornar produtivo o uso dos equipamentos comprados, a MRV constatou que equipamentos grandes, como gruas, costumam ficar em torno de seis a oito meses em um canteiro. Como a construtora tem um volume grande de obras, optou por utilizar em algumas delas - onde já havia o costume de trabalhar com esse tipo de equipamento - gruas próprias e, em outras, um manipulador telescópico locado.

Outras empresas de grande porte do segmento habitacional também decidiram investir na compra de equipamentos. A Trisul Incorporadora e Construtora, por exemplo, chegou a abrir uma empresa de máquinas, fechada há cerca de dois anos. O fechamento, segundo a assessoria de imprensa da construtora, se deu na época em que o mercado ainda estava aquecido. Ou seja, a descontinuidade do negócio decorreu da reestruturação interna e não por conta do mercado em si.

Importação em baixa
Muitas empresas decidiram comprar equipamentos importados devido ao alto custo dos equipamentos comercializados no Brasil e também por conta dos altos custos de locação no período do boom imobiliário. "Nós trouxemos equipamentos da Itália, da Alemanha. Fiquei 15 dias na China visitando fábricas e trouxemos mais de R$ 10 milhões em gruas de lá", conta Medeiros, da MRV.

A importação de equipamentos, no entanto, já apresenta sinais de desaceleração. De acordo com dados do Departamento de Competitividade, Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (DCEE - Abimaq), no ano de 2013 houve redução de 5,3% na importação de máquinas e equipamentos para construção civil. No mesmo período, o segmento de locação de equipamentos e ferramentas elétricas teve bom desempenho, com crescimento superior a 25%, segundo Fernando Forjaz, presidente da Alec. Estes dados reforçam a perspectiva de tendência de queda nas vendas de equipamentos.

Para Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (SindusCon- SP), a locação é mais prática e, por isso, vem sendo opção para a maioria das construtoras. Afinal, explica ele, ao comprar o equipamento, a construtora acaba arcando também com o ônus de manter operador habilitado, realizar a manutenção, contratar engenheiro mecânico para montagem, dentre outros. "Se a obra dura 24 meses e o equipamento é usado só durante metade do tempo, o que fazer com ele enquanto não há outra obra?", questiona Zaidan, lembrando que há, ainda, o custo com o operador ocioso.

Opinião semelhante tem Geraldo Jardim Linhares Júnior, vice-presidente da Área de Materiais, Tecnologia e Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). "Aqui em Minas Gerais, a maioria das empresas prefere alugar gruas, andaimes, elevadores de carga, cremalheira", ressalta.

Mesmo investindo em equipamentos, a MRV Engenharia continua fazendo locações de muitas máquinas. No período de 2013, a empresa investiu mais de R$ 40 milhões em locação, segundo Medeiros. "O volume de locação é muito maior do que o volume de compras de equipamentos. Como a gente tem mais de 330 canteiros, em 121 cidades, os equipamentos nunca ficam parados", explica o diretor de suprimentos da construtora.

Custos posteriores
Para Forjaz, algumas empresas negligenciaram a mensuração dos custos com manutenção dos equipamentos comprados a partir de 2010. "De uma hora para outra, o mercado brasileiro passou a não ter equipamentos suficientes para atender à demanda. Com isto, o custo da locação começou a se elevar e as empresas passaram a buscar alternativas, principalmente na China, onde os equipamentos custam 40% do valor praticado aqui", explica o presidente da Alec. No entanto, continua ele, "muitos equipamentos vieram com problemas, inclusive de confiabilidade, de manutenção, de falta de técnicos especializados e até de conhecimento do idioma dos manuais", complementa.

A depreciação dos equipamentos também deve ser levada em conta. Forjaz destaca que, em três anos, um equipamento perde até 60% de seu valor. A MRV afirma que todos os equipamentos comprados pela construtora têm duração mínima de cinco anos e que, dependendo do estado de cada um, a empresa decide pela manutenção ou pela venda. "Se começa a dar muita manutenção, o custo da obra parada por falta de equipamento é elevado", explica Medeiros. Inicialmente, a construtora comprava algumas máquinas usadas no Brasil, que foram vendidas quando da renovação da frota com equipamentos adquiridos na Alemanha, Itália e China.

PING PONG - FERNANDO FORJAZ

Demanda sazonal

Atualmente, quais equipamentos estão sendo mais demandados pela construção civil junto às locadoras?
Há uma demanda forte no segmento de acabamento. Isso porque uma obra demora dois anos e meio, normalmente, para ser concluída, sendo que, no primeiro ano, praticamente só se levanta estrutura. Assim, prédios que foram lançados há dois anos, com o boom imobiliário, agora entram na fase de acabamento, alvenaria, instalações.

Qual a característica dos equipamentos demandados?
Há grande procura por equipamentos de elevação de cargas, elevação de pessoal, para acabamentos de alvenaria, instalações de arcondicionado e dutos elétricos. Por outro lado, máquinas para produzir concreto têm menos procura. Pode ser que estejam sobrando no mercado equipamentos usados durante as fundações, já os equipamentos que participam do acabamento estão em falta.

Divulgação: Alec


'Há grande procura por equipamentos de elevação de cargas, elevação de pessoal, para acabamentos de alvenaria, instalações de arcondicionado e dutos elétricos'

Fernando Forjaz presidente da Alec

No que as empresas de locação estão investindo para atender o setor?
Existe hoje uma tendência em fazer investimento na compra de novos equipamentos. Porém, não como há dois anos. As empresas estão um pouco cautelosas porque esse ano será incerto devido às eleições e à Copa do Mundo. Em contrapartida, as fábricas também ficam numa situação de espera em ver o que as locadoras vão querer comprar.

Até o momento, não há indícios de como o ano será?
Começamos 2014 com um movimento muito bom. Temos conversado com alguns fabricantes e o pessoal tem vendido bem. Nosso volume de faturamento está caminhando junto. Mesmo sendo um ano incerto, sempre tivemos a ideia de que o Brasil começava depois do carnaval e isso não aconteceu. Este ano começou antes. Minha empresa, particularmente, tem comprado bastante equipamento para não deixar o cliente na mão.

Veja a pesquisa de indicadores conjunturais do Departamento de Competitividade, Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (DCEE - Abimaq), relativa ao ano de 2013.

Coletiva - Conjuntura - Dez 2013.pdf

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