Avaliação das competências das empresas de real estate brasileiras para expansão em mercados internacionais | Construção Mercado

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Avaliação das competências das empresas de real estate brasileiras para expansão em mercados internacionais

Por Fabricio A. Richmond Navarro
Edição 153 - Março/2014

Na economia globalizada atual é possível que as empresas ampliem seus mercados com foco internacional. Empresas de manufatura e serviços têm implementado dentre suas estratégias a expansão fora de suas fronteiras de atuação, na procura de novos clientes. Mesmo que as empresas de manufatura tenham uma maior tradição nesta abertura, companhias de serviços vêm se desenvolvendo rapidamente com uma expressiva participação no comércio internacional.

No caso das empresas de Real Estate, estas podem encontrar maiores vantagens neste tipo de estratégia, pois este setor se desenvolve em uma economia aberta, sem nenhuma barreira "a priori", como a necessidade de aplicação intensiva de capital para implantar o sistema de produção ou tecnologias exclusivas. Assim, estes atores podem ser inseridos facilmente na dinâmica dos mercados internacionais.

Acervo pessoal



As empresas que pretendem manter seus patamares de crescimento poderiam tentar novas estratégias, como a internacionalização de suas atividades




Entre as condições que podem motivar as empresas por estratégias de internacionalização, se destacam:
- saturação do mercado local e a diminuição das oportunidades lucrativas
- melhor posicionamento frente à concorrência com presença em outros mercados
- reforçar suas competências produtivas, ou o acesso a recursos de menor custo
- mercados mais atrativos ou de maior tamanho que o nacional
- prever a dependência de um único mercado, diversificando o risco em vários focos de atuação
- migração dos maiores clientes para outras geografias
- temas de reputação, imagem e marca empresarial.

No contexto atual brasileiro, com os mercados residenciais saturados, escassez de terrenos, esgotamento de potencial construtivo e o aumento da agressividade das grandes incorporadoras por atingir suas metas, as empresas que pretendem manter seus patamares de crescimento poderiam tentar novas estratégias, como a internacionalização de suas atividades. Aproveitando a experiência e maturidade destas desenvolvidas nos anos passados.

Assim, para este movimento da empresa em direção ao exterior vai-se precisar da combinação de fatores externos e de um ambiente interno propício, distinguido principalmente pelas competências essenciais organizacionais. Estas definidas como "um aprendizado coletivo na organização".

Estas competências serão desenvolvidas quando os recursos e capacidades da empresa estiverem plenamente maduros, integrados entre si e alinhados em conjunto com a estratégia empresarial, articulados de maneira tal que sejam a base para as vantagens competitivas nos mercados internacionais.

Por último, a empresa deverá escolher qual vai ser o modo de entrada no novo mercado. Sendo esta uma decisão estratégica crucial na internacionalização de suas atividades, podendo comprometer a mobilidade e crescimento do plano de negócios da empresa.

O processo de entrada de uma empresa em novos mercados pode ser percebido como uma sequência de estágios de natureza incremental, devido às incertezas e imperfeições das informações deste.

Competências e modo de entrada das empresas brasileiras
A expansão geográfica pelo território nacional brasileiro feita pelas empresas de Real Estate residencial de grande porte entre os anos 2006-2010 pode ilustrar um fenômeno análogo à internacionalização das empresas, simulando um primeiro estágio do processo, com a incursão em mercados culturalmente similares aos locais.

Assim, foi avaliada a experiência das empresas listadas no setor construção civil do segmento novo mercado da BM&FBovespa em processos de expansão geográfica, usando principalmente os dados levantados por Souza (Souza, F. F. "Análise das Influências das Estratégias de Diversificação e dos Modelos de Negócios no Desempenho das Empresas de Real Estate No Período 2005 a 2010". Dissertação (Mestrado em Engenharia de Construção Civil e Urbana), São Paulo : Escola Politécnica: Universidade de São Paulo. 2011).

FIGURA 1
Fonte: Souza (2011), p.26.

Nesta avaliação das competências das empresas brasileiras de Real Estate, foram considerados os seguintes elementos como fatores que influenciaram seus desempenhos:
- quase a metade da produção destas empresas ficou no mercado de atuação local
- muitas empresas também se expandiram com novos produtos para faixas de renda para os quais não tinham experiência.

TABELA 1
Fonte: autor com resultados Souza (2011).

Fazendo a ressalva, se a mesma atividade tiver de ser realizada na mesma distância geográfica, mas em outro País, a incerteza seria ainda maior.

Nesta expansão geográfica e de segmentos de renda, as empresas de Real Estate optaram por diversos modelos de negócios ou modos de entrada para se desenvolver, desde o desenvolvimento próprio dos negócios até diferentes alianças estratégicas, a saber: parcerias, joint venture, aquisição e fusão.

A figura 1 apresenta como estas alianças estratégicas se comportaram desde 2006 até 2010, anos que podemos chamar de "expansão". Mostra-se uma predominante formação de parcerias, por ser um modelo de ágil implementação, e não requerem um redesenho organizacional nem tempo para que operem com eficiência como os outros tipos.

A evolução das alianças estratégicas apresentadas na figura 1 carece de um desenvolvimento dos modos de entrada que precisam maiores competências, apresentando as parcerias como o modelo preferido pelas empresas e não criando competências capazes de avaliar os novos mercados e parceiros, para aumentar o compromisso em recursos requeridos com o fim de maior controle sobre parceiros, produtos e sistemas de produção.


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