Aspectos técnicos, como desempenho termoacústico e facilidade de manutenção, são cada vez mais valorizados na escolha de materiais para fachadas de edifícios de escritórios | Construção Mercado

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Revestimentos para fachadas

Aspectos técnicos, como desempenho termoacústico e facilidade de manutenção, são cada vez mais valorizados na escolha de materiais para fachadas de edifícios de escritórios

Por Juliana Nakamura
Edição 153 - Março/2014
Foto: Daniel Ducci
Com classificação Leed Gold, o edifício JK 1600, em São Paulo, usa vidro low-e em sua fachada, aliando a entrada da luz natural e o isolamento termoacústico

Em edifícios corporativos e de escritórios, a função da fachada vai muito além da vedação. Além do seu valor estético, as faces externas funcionam como um instrumento de comunicação, que pode transmitir valores empresariais, como transparência e solidez. Por tudo isso, tempo e investimento são dedicados à escolha da solução que irá envelopar esse tipo de prédio.

Nos últimos anos, inovações foram promovidas nesses sistemas e tornaram os revestimentos para fachada tecnicamente mais sofisticados. "O Brasil segue finalmente uma tendência mundial de utilizar sistemas construtivos industrializados", comenta o consultor em fachadas Jonas Medeiros, diretor técnico da Inovatec. Ele conta que passaram a ser mais frequentes soluções como a fachada unitizada, que é uma evolução do sistema structural glazing (com silicone estrutural), e as fachadas ventiladas com cerâmica ou rochas naturais.

Paralelamente, a preocupação com a sustentabilidade, especialmente com a obtenção de selos verdes, induziu a busca por soluções como os caixilhos especiais de alumínio. As fachadas envidraçadas se beneficiaram com o desenvolvimento de produtos como os vidros low-e, que filtram os raios solares e são bastante empregados nas torres triple A, e os vidros de espectro seletivo, capazes de selecionar o comprimento de onda solar mais benéfico para o conforto luminoso e o controle solar.

Segundo Medeiros, para que os melhores resultados sejam alcançados no canteiro e os sistemas de fachada sejam aproveitados em todo seu potencial, é preciso mudar a abordagem sobre a atividade de projetar e planejar. "Com uso de sistemas industrializados, a margem de manobra é menor e não há espaço para improvisos. Portanto, o nível de detalhamento do projeto e o tempo dedicado à compatibilização precisam ser maiores", explica o consultor.

Conheça os sistemas

Pele de vidro/Structural glazing/Sistema unitizado
Modernidade, tecnologia e transparência são valores associados às fachadas envidraçadas, o que ajuda a explicar o interesse das empresas por esse sistema. Baixo custo de manutenção e facilidade de conservação também são motivos que colaboram para a preferência por esse tipo de revestimento em empreendimentos de escritórios e corporativos. No Brasil há três tecnologias mais empregadas para a execução de fachadas translúcidas.

Pele de vidro: O sistema consiste em quadros de vidro aparafusados com presilhas, sobrepostos às colunas e travessas. Nesse caso, um esbelto perfil de alumínio fica visível no lado externo. Os quadros são independentes e podem ser retirados. Structural glazing: As fachadas estruturadas com silicone surgiram como resposta à demanda dos arquitetos que buscavam eliminar de vez a interferência visual dos perfis de alumínio. As colunas e travessas ainda são contínuas, presas à estrutura, e a montagem é feita manualmente com o uso de andaimes. Os vidros passaram a ser fixados por meio de silicones estruturais pela face externa dos caixilhos, tornando as fachadas mais leves e transparentes. Por possibilitar uma extensão maior de vidro nas fachadas, esse sistema tem seu desempenho térmico diretamente associado à qualidade do material utilizado, bem como ao uso de perfis com barreira de fluxo térmico.

Fachada unitizada: A necessidade de industrializar a montagem das fachadas levou ao desenvolvimento do sistema unitizado. Indicado para projetos de grande porte, é composto por painéis independentes estruturados com vidro, cerâmica ou granito, içados com auxílio de guindastes e fixados por meio de ancoragens reguláveis. Os painéis são totalmente pré-fabricados, o que aumenta o controle tecnológico. De acordo com o consultor em fachadas Paulo Duarte, a instalação dos módulos unitizados tende a ser mais rápida, principalmente porque a produção dos painéis pode ser iniciada antecipadamente. A partir de determinado pavimento de laje já concretado, é possível começar a montagem das fachadas, acompanhando a construção da estrutura. A solução também pode ser mais econômica, segundo ele, devido aos ganhos decorrentes da fabricação e montagem dos painéis unitizados em fábrica e a não utilização de andaimes e bandejas, além da economia de mão de obra.

Linguagem arquitetônica, desempenho e custo, além de tempo e segurança da instalação, são fatores a serem levados em conta na hora de comparar os sistemas. Independentemente do método de montagem da fachada, a análise cuidadosa dos esforços aos quais o vidro será submetido será decisiva para o sucesso da especificação e influenciará diretamente a definição da espessura, tipo e sistema de fixação em uma esquadria. Uma referência importante é a ABNT NBR 7.199 - Projeto, Execução e Aplicações de Vidros na Construção Civil.

Revestimento metálico para fachadas
Os painéis metálicos são uma alternativa de vedação pré-fabricada largamente utilizada no hemisfério Norte para edifícios de alto padrão, graças a características como a plasticidade, a maleabilidade, o baixo peso e a rápida montagem.

Divulgação: Arcelor Mittal
Entre as soluções metálicas para cobrir fachadas de edifícios corporativos e de escritórios, estão as chapas de aço, que podem empregar o metal inoxidável ou galvanizado

De forma geral, podem ser utilizados dois sistemas de revestimento metálico em uma fachada. O primeiro utiliza chapas únicas, constituídas de um só material, que pode ser cobre ou aço inoxidável, por exemplo. Há também os painéis compostos, formados por uma camada de polietileno revestida em ambas as faces por lâminas metálicas. Atualmente, o metal mais empregado em painéis compostos é o alumínio. Conhecido como Aluminium Composite Material (ACM), o painel é encontrado em diversas alternativas de comprimento e largura, com espessuras que variam de 3 mm a 6 mm.

Em relação às chapas únicas, o material composto oferece vantagens como menor peso/m², maior rigidez, planicidade e trabalhabilidade, características que, além de permitirem maior modulação da fachada, conferem melhor regularidade de superfície e desempenho térmico. Além disso, apresentam custo mais acessível, daí o seu uso mais extensivo no Brasil, em comparação com as chapas metálicas únicas.

Os painéis compostos chegam à obra usinados, cortados e calandrados, revestidos com um filme de proteção. Uma instalação adequada é determinante para conferir a estética, a planicidade e a vedação desejadas. Em geral, os painéis são aparafusados ou colados sobre uma subestrutura de alumínio.

Há diferentes métodos de instalação. Um dos mais utilizados é o sistema rebitado, que dispensa abas e que, por isso, chega a ser de 10% a 15% mais barato que outras formas de instalação. No entanto, embora o rebite possa ser pintado da mesma cor que o painel, essa solução costuma ser rejeitada pelos arquitetos por motivos estéticos. Outra forma de utilização é com juntas abertas, configurando uma fachada ventilada.


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