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Ensaios do granito são fundamentais para a especificação dimensional e a garantia do desempenho uniforme das peças para fachadas

Por Kelly Carvalho
Edição 153 - Março/2014
Divulgação: Catédra Engenharia

O granito é muito empregado nos revestimentos externos para atribuir um aspecto de requinte às edificações. Como é um material caro em comparação a outros revestimentos, é mais comum encontrar esse tipo de rocha nas fachadas de edifícios comerciais ou nos residenciais de alto padrão.

O granito é um material resistente e de longa vida útil, mas é um produto natural, sujeito a alterações em sua composição que podem afetar seu desempenho. Por isso, os cuidados com a aquisição de produtos com qualidade atestada são fundamentais para garantir a segurança principalmente com relação à queda das placas.

Até por esse motivo, os sistemas de fixação são cada vez mais empregados na instalação das peças. Além da segurança, outro aspecto que merece destaque com o uso da fixação, especialmente com insertos metálicos, é o maior conforto térmico e acústico característico das fachadas ventiladas.

Especificações
De acordo com a norma NBR 15.012:2013 - Rochas para Revestimentos de Edificações -Terminologia, "o granito é uma rocha magmática, de granulação média a grossa, constituída por quartzo e feldspatos e, acessoriamente, por biotita, muscovita, anfibólios e raramente piroxênios".

O granito é a rocha ornamental mais apropriada para o uso em revestimentos externos, sendo comercializado, para essa função, em placas com 20 mm e 30 mm de espessura com dimensões que variam conforme o projeto arquitetônico da fachada.

O tipo de acabamento mais comum é o polido, mas a indústria promove diversas outras possibilidades, como o jateado, flameado, serrado e apicoado.

Quanto à instalação, os sistemas de fixação de fachadas ventiladas, principalmente com insertos metálicos, praticamente eliminaram o uso da técnica de assentamento convencional, mas o engenheiro civil Abílio Ribeiro Fernandes, diretor da Catédra Engenharia, lembra que a norma técnica não faz nenhuma menção quanto ao desuso de argamassas para o colamento das placas. A única referência sobre o assunto é a recomendação de que o assentamento convencional das placas seja feito em até 1,5 m de altura. "Nem é por uma questão de viabilidade, mas de impacto, porque se a peça está nessa altura em uma área de grande tráfego, a placa pode sofrer algum tipo de impacto e se quebrar", explica.

Outro método de fixação de fachadas ventiladas empregado no Brasil é o tipo glazing, de acordo com o engenheiro civil Sergio Trajano Franco Moreiras, professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Nesse sistema as placas são pré-montadas no solo em estruturas metálicas, geralmente de alumínio, e a seguir esse conjunto é fixado na estrutura da edificação. "As placas são fixadas nas estruturas portantes por rasgos tipo kerf. A largura da aba dos perfis metálicos é ligeiramente inferior à largura do entalhe, para permitir o uso de material de enchimento que absorva as vibrações", explica.

Cotação de preços e fornecedores
Um dos aspectos mais importantes para a especificação da fachada, principalmente a ventilada, é seu projeto estrutural. Normalmente um consultor de fachadas, com base nos ensaios recomendados por norma, é quem vai validar a intenção do projeto arquitetônico quanto ao dimensionamento das rochas, características do material e acabamento.

O diretor da Catédra Engenharia recomenda a contratação do projeto na fase inicial de concepção do empreendimento. "Sinto que ainda falta esse tipo de contratação, existem muitas empresas que deixam isso para depois, não dão o devido valor e quando começamos a desenvolver o trabalho, surgem algumas necessidades de complementos estruturais, principalmente", observa.

A partir do projeto técnico da instalação, automaticamente é gerada uma listagem com todos os dimensionais das placas, que deve ser aprovada e encaminhada pelo cliente ao fornecedor, com a ordem de corte das peças. No caso de uso dos insertos metálicos, as placas podem ser fornecidas com ou sem os furos.

Normalmente os fornecedores para esse segmento são indústrias com grande capacidade produtiva, em função da disponibilidade de elevado número de placas, e que devem manter as mesmas propriedades em todas as peças.

Transporte e logística
As peças devem ser transportadas na vertical, com uma leve inclinação para evitar danos ao granito. O material pode chegar em paletes para facilitar seu descarregamento.

É recomendável que a construtora acompanhe o descarregamento do material, de preferência acompanhada por um supervisor da empresa contratada para a instalação da fachada. "Se o material foi danificado, como a gente rastreia o responsável pelo dano?", afirma Fernandes. "Então, é importante que haja esse acompanhamento", justifica.

De acordo com o professor da UEM, devem ser verificados individualmente se as dimensões das placas estão de acordo o projeto. O mesmo vale para o caso das placas que já chegarem furadas.

Além disso, a tonalidade e a textura das peças têm de seguir padrões definidos, devendo o material ser procedente da mesma pedreira e preferencialmente do mesmo lote. "A existência de fissuras, trincas e imperfeições que venham a comprometer o desempenho estrutural da placa após a sua instalação é motivo para rejeição do material", acrescenta. "Uma maneira prática de realçar essas feições é o umedecimento da superfície da placa com um pano molhado", sugere.

As placas devem ser estocadas na mesma posição em que foram transportadas. Como os canteiros normalmente dispõem de pouco espaço para estoque e os produtos já chegam prontos para a instalação, é comum que as peças já sejam posicionadas próximas aos locais de instalação. "Alguns fornecedores, quando recebem a ordem de corte, já têm o expertise de elencar as placas exatamente na posição da fachada e fornece o material na mesma ordem. Quando o supervisor junto com o almoxarife recebe esse material, já o envia para o local certo da instalação", finaliza Abílio Fernandes.

NORMAS TÉCNICAS

NBR 15.012:2013 - Rochas para Revestimentos de Edificações - Terminologia
NBR 15.844:2010 - Rochas para Revestimento - Requisitos para Granitos
NBR 15.845:2010 - Rochas para Revestimento - Métodos de Ensaio
NBR 15.846:2010 - Rochas para Revestimento - Projeto, Execução e Inspeção de Revestimento de Fachadas de Edificações com Placas Fixadas por Insertos Metálicos

ENTREVISTA - SÉRGIO TRAJANO FRANCO MOREIRAS

Resistência do granito

Por que o granito é a rocha mais indicada para fachadas?
Em geral o granito é a rocha ideal para essa finalidade não só porque tem maior resistência à intempérie como sua estrutura é maciça, ao contrário de outros tipos de rochas que são estratificadas e podem apresentar maiores alterações de resistência no ponto de fixação.

Acervo pessoal


'Para um projeto de fachada é importante obter os resultados do lote que será usado'

Sérgio Trajano Franco Moreiras engenheiro civil, professor da Universidade Estadual de Maringá e Doutor em Geotecnia pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo

Quais cuidados devem ser levados em consideração nos ensaios?
Para um projeto de fachada é importante obter os resultados do lote que será usado e não apenas aquele realizado pelo fornecedor para pré-selecionar a melhor finalidade de uso da rocha, se para piso, fachada etc. Diferentemente de uma cerâmica, por exemplo, cuja linha de produção garante a mesma propriedade em todas as peças, a rocha é um material natural e não é possível garantir sua uniformidade. Pelo menos o ensaio de resistência à tração na flexão tem de ser representativo do lote.

É o ensaio mais importante da fachada?
A norma define todos os ensaios necessários, mas esse é o mais específico para determinar a resistência da rocha na fachada.

CHECKLIST

- Contrate o projeto de fachadas durante a concepção do empreendimento
- Realize todos os ensaios estipulados em norma para assegurar o desempenho das peças
- As placas devem preferencialmente ter procedimento da mesma pedreira e lote
- Ao chegar ao canteiro, as rochas devem ser coesas e livres de fissuras e fraturas, que afetam sua integridade estrutural
- Verifique se as peças estão condizentes com o projeto técnico, principalmente se já vierem furadas da fábrica, no caso de sistemas de fixação com insertos
- Armazene as peças próximas aos locais de instalação

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