Parede diafragma - Projeto de contenções deve apresentar informações de espessura da parede, cotas de arrasamento e de apoios das lamelas | Construção Mercado

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Técnica Ilustrada

Parede diafragma - Projeto de contenções deve apresentar informações de espessura da parede, cotas de arrasamento e de apoios das lamelas

Edição 154 - Maio/2014
 

Um dos métodos para estabilização de contenções e divisas é a execução da parede-diafragma. O sistema é composto de painéis de concreto, geralmente armado, pré-fabricados ou moldados in loco. "A parede-diafragma é uma máquina chamada diafragmadora que pode ter uma espessura variável, dependendo da profundidade e do tamanho dos esforços. Coloca-se uma armadura e se concreta debaixo para cima, com um tubo de concretagem no fundo da vala", explica Paulo Henrique Dias, vice-presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS). Esse tipo de parede tem sido usada nas obras de construção de edifícios residenciais e comerciais e também em obras de infraestrutura, como galerias de metrô e canais. Para a estabilização das paredes de contenção acima de certa altura, exige-se a execução de tirantes. "O projeto de contenções deve conter as informações da espessura da parede, que podem variar de 30 a 120 cm, conter cotas de arrasamento e cotas de apoio das lamelas, o perímetro de execução com a sequência executiva, especificação do concreto e detalhe das armações", explicam Guilherme Sartori e Luciano do Amaral, ambos diretores de operações da Gafisa.

 

Ilustração: Daniel BeneventI

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1. Mureta guia
A execução das muretas guias em concreto armado deve seguir a largura estipulada em projeto e servirá como guia do clamshell evitando o desmoronamento do terreno com a variação da altura da lama estabilizante. O conjunto de equipamentos e ferramentas de uma parede-diafragma é composto por clamshell, ferramenta responsável pela escavação das lamelas e guindaste para apoio.

2. Escavação para colocação das lamelas
A escavação para colocação das lamelas deve ser feita com o guindaste clamshell, de acordo com as fontes consultadas pela reportagem. Assim que for escavado 1,00 m da cota da boca da mureta, deve-se bombear a lama estabilizante. Com a retirada do material escavado, o volume da lama deve aumentar gradativamente, mas, se o nível não for mantido na cava, os trabalhos serão paralisados e solucionados para darem prosseguimento até a cota de apoio prevista em projeto.

3. Chapas-junta
Após terminar a escavação da lamela, montam-se as chapas-junta nas laterais - com apoio de guindaste - que irão solidarizar com a próxima lamela, o içamento e colocação da armação do painel com os roletes (espaçadores) e do tubo tremonha, que auxiliará na concretagem, onde é lançado direto do caminhão betoneira.

4. Tubos
Içado pelo guindaste, o tubo por onde a parede-diafragma será concretada é direcionado para o ponto central da armadura. Como a concretagem ocorre debaixo para cima, o correto é que ele atinja o ponto mais profundo da escavação. Caso seja necessário - para alcançar maior profundidade - deve-se rosquear outro tubo naquele que já foi colocado no buraco.

5. Lama estabilizante
Simultaneamente ao lançamento do concreto, que é mais denso, a lama sobe e é bombeada de volta ao reservatório - onde será reciclada por meio de desarenação ou misturada com lama nova, para que a construtora atinja os parâmetros recomendados. Com o uso contínuo, a lama perde sua eficiência e deve ser totalmente trocada. A lama estabilizante poderá ser bentonítica (mineral) ou polimérica (sintética biodegradável).

 

Normas técnicas relacionadas:
NBR 5.738 - Moldagem e Cura de Corpos de Prova Cilíndricos ou Prismáticos de Concreto
NBR 5.739 - Concreto - Ensaios de Compressão de Corpos de Prova Cilíndricos
NBR 6.118 - Projeto de Estruturas de Concreto - Procedimento
NBR 6.122 - Projeto e Execução de Fundações - Procedimento
NBR 7.211 - Agregado para Concreto
NBR 7.212 - Execução de Concreto Dosado em Central
NBR 8.953 - Concreto para Fins Estruturais - Classificação por Grupos de Resistência
NBR 11.578 - Cimento Portland Composto - Especificação
NBR 12.655 - Concreto - Preparo, Controle e Recebimento

Por Aline Mariane
Colaboração:
Paulo Henrique Dias, vice-presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS); Guilherme Sartori e Luciano do Amaral, ambos diretores de operações da Gafisa; Reportagem: Parede diafragma, Equipe de Obra, 57.

 

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