Contenção utiliza maciço armado com tiras metálicas e revestido com placas pré-moldadas de concreto | Construção Mercado

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Técnica Ilustrada

Contenção utiliza maciço armado com tiras metálicas e revestido com placas pré-moldadas de concreto

Por Romário Ferreira
Edição 154 - Maio/2014
 

Também chamadas de solo armado, as estruturas de terra armada são contenções que unem peças pré-moldadas de concreto, tiras metálicas lineares de reforço e aterro selecionado e compactado. O sistema, utilizado principalmente em obras rodoviárias e ferroviárias, é composto por um maciço contido pelas placas pré-moldadas de concreto - chamadas popularmente de escamas. A pressão do sistema é distribuída nas tiras metálicas, que são presas às placas. Essas tiras, colocadas dentro do solo na medida em que ele é compactado durante a execução, resistem aos esforços de tração por conta do atrito desenvolvido no maciço.

Em geral, a tecnologia consiste na interação entre o aterro selecionado e as tiras de reforço, que são as armaduras de alta aderência colocadas dentro do aterro. Os principais componentes desse sistema têm suas propriedades normatizadas pela NBR 9.286, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Além disso, as tiras metálicas devem atender aos critérios para aço CA-50 da NBR 7.480 - Aço Destinado à Construção Civil e da NBR 6.152 quanto à tração. Já a compactação das diversas camadas de solo deve seguir a NBR 7.182 - Solo - Ensaio de Compactação.

O processo de execução é relativamente simples e segue um ciclo repetitivo, com a colocação das escamas (painéis pré-moldados de revestimento), a fixação de uma camada de armaduras e o espalhamento e compactação das camadas de aterro selecionado sobre as armaduras. Veja, a seguir, essas etapas com mais detalhes:

Ilustração: daniel beneventi

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1. Solo
Camadas sucessivas e compactadas de solo compõem o maciço que formará o sistema de terra armada. Depois de consolidado, esse maciço deverá ter, no mínimo, um ângulo de atrito interno de 25°. Quanto ao material de composição, a NBR 9.286 recomenda que sejam usados solos naturais ou de origem industrial, e que não devem conter terra vegetal ou detritos domésticos. A norma sugere ainda que, no solo, não deve conter pedras maiores que 250 mm. Já nos maciços reforçados com geossintéticos, o aterro deverá ser executado com material predominantemente arenoso, limpo e isento de matéria orgânica, com menos de 5% de finos e sem a presença de grãos com dimensão superior a 15 mm.

2. Armaduras
As armaduras são peças lineares (tiras ou fitas), normalmente de aço galvanizado e nervuradas, que trabalham em atrito com o solo do aterro. São presas às placas de concreto por meio de parafusos e são responsáveis por grande parte da resistência interna à tração do maciço. Devem ter boa resistência e durabilidade, pouca deformabilidade, bom coeficiente de atrito e flexibilidade. Além de aço, as fitas também podem ser poliméricas, com superfícies rugosas, constituídas por fibras de poliéster de alta tenacidade. Nesse caso, o material para formação do aterro deve ser mais grosso. Em resumo, depois de fixadas, as armaduras são cobertas com o aterro selecionado, que é compactado para receber uma nova camada de armaduras, e assim sucessivamente até o maciço atingir a altura prevista em projeto.

3. Escamas de concreto
Chamadas de escamas, as placas prémoldadas formam o acabamento externo do maciço - uma superfície vertical - e são responsáveis pelo equilíbrio das tensões da periferia próxima ao paramento externo. Podem ser de concreto armado ou não, e têm sua geometria bem definida, normalmente em formato cruciforme.

4. Içamento das placas
As peças são içadas com ajuda de caminhões tipo "munck", tratores ou guindastes. Geralmente, a primeira linha de placas é montada sobre uma base de concreto (soleira) que cumpre a função de elemento de fundação para o paramento externo. A soleira deve estar apoiada em material resistente como solo compactado ou solo-cimento. A colocação das escamas é feita em linhas horizontais sucessivas, ao mesmo tempo em que o aterro é executado acompanhando a elevação das escamas. A montagem é garantida por encaixes e pinos presentes nas placas.

5. Fixação das armaduras
As tiras metálicas são colocadas perpendicularmente ao paramento, fixadas com parafusos nos elementos próprios das escamas. As tiras são aterradas e o solo é compactado com rolo compactador. Importante: evite danificar ou deslocar a posição original das tiras ou das escamas e, próximo ao paramento, recomenda-se que a compactação seja executada por meio de placas vibratórias. Outra recomendação é: o grau de compactação para a execução do aterro precisa ser de, no mínimo, 95% da densidade aparente seca máxima.

Por Romário Ferreira
Fontes:
Secretaria de Serviços Públicos da Prefeitura do Recife (Diretrizes Executivas de Serviços para Aterros Reforçados) e revista Infraestrutura Urbana 23 (novembro/2012), da Editora PINI.

 

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