Paredes diafragma | Construção Mercado

Debates Técnicos

Paredes diafragma

A introdução de equipamentos mais modernos e eficientes tornou a execução desse tipo de contenção mais segura e viável em solos difíceis

Por Gisele C. Cichinelli
Edição 154 - Maio/2014
 

Divulgação: Geofix Fundações

A evolução do maquinário para execução de paredes-diafragma permitiu atingir cotas de escavação mais profundas, com menores níveis de ruído

Perfuratrizes hidráulicas capazes de corrigir desvios nos dois sentidos, avançar em profundidades maiores, operar com maior desempenho e produtividade, reduzindo o consumo de cimento. Esse tipo de maquinário já está disponível no mercado brasileiro, sobretudo para atender às obras da região Sudeste, onde se concentram grande parte das obras localizadas em terrenos "problemáticos". Com as hidrofesas, por exemplo, é possível executar paredes-diafragma em qualquer tipo de solo, inclusive, rochosos.

"As obras com cinco ou seis subsolos vêm se tornando cada vez mais comuns e os terrenos estão em lugares mais baixos, com nível de água mais elevado", comenta Frederico Falconi, sócio-diretor da ZF Solos & Engenheiros Associados, observando que a presença de água é um indicativo importante para escolha das paredes-diafragma. Em solos distantes do nível d'água é possível optar por um sistema de contenção com cortinas executadas com perfis metálicos.

Segundo Falconi, uma das maiores vantagens das paredes-diafragma é evitar a necessidade de rebaixamento do lençol freático na área externa à obra, permitindo que, na maioria dos casos, seja possível executar uma obra seca e sem o uso de laje subpressão. "Para um menor número de subsolos (dois ou três), as hélices secantes podem ser alternativa à parede-diafragma. Também há as estacas pranchas metálicas, o deep soil mix e o jet grounting, soluções também viáveis tecnicamente, porém mais caras e que apresentam algumas limitações", destaca o engenheiro.

Detalhes técnicos
As soluções de contenção dependem diretamente dos parâmetros de resistência considerados para o solo a ser contido e para o solo de fundação. "Um dos principais erros é a definição incorreta desses parâmetros, o que leva ao subdimensionamento das estruturas de contenção, ruptura do solo a ser contido ou deslocamentos além dos limites aceitáveis. Outro erro comum é negligenciar a necessidade de um bom sistema de drenagem, o que pode levar a contenção ao colapso generalizado", explica o engenheiro Luis Fernando de Seixas Neves, da Cepollina Engenheiros Consultores. Ele reforça que, durante a execução, o ideal é que os executores sigam o projeto à risca, "mesmo que o projetista tenha indicado procedimentos não usuais".

 

ENTREVISTA Frederico Falconi

Boas práticas executivas

Marcelo Scandaroli

"Se a parede guia não for bem-feita e corretamente reaterrada, pode haver o desbarrancamento da terra em torno dela gerando sobreconsumo de concreto"
Frederico Falconi
sócio-diretor da ZF Solos & Engenheiros Associados

Quais são as patologias mais graves envolvendo contenções?
São falhas de concretagem provocadas pelo atraso na entrega do concreto que provocam juntas secas ou prendem a chapa espelho ou o tubo junta. A aplicação de concreto fora do especificado ou ainda o lançamento com ficha acima do permitido para a tremonha também são problemáticos. Estas patologias têm solução onerosa e atrasam a obra.

Quais cuidados as construtoras devem ter ao contratar uma empresa de execução?
Deve-se verificar se essas empresas têm estrutura, suporte técnico e de equipamentos para executar as contenções. É fundamental que tenham oficinas, equipes de manutenção, peças em estoques para substituição em caso de quebra, sem que haja prejuízo ao cronograma de obras. A empresa contratada tem de oferecer essa estrutura, além do conhecimento técnico do serviço.

Há empresas com esse perfil em número suficiente para atender à demanda do mercado nacional?
Sim, mas a oferta de máquinas e mão de obra qualificada ainda está concentrada no eixo Rio- São Paulo. Para atender ao Nordeste, por exemplo, um mercado em expansão, é preciso levar os equipamentos daqui.

Que pontos devem ser observados com mais cuidado durante a fase de execução da contenção?
No caso das contenções executadas com perfis metálicos, é preciso locá-los corretamente, evitando desvios. Também é importante usar equipamento eficiente com martelo adequado para o solo e para a peça que se utiliza.

E quando se usam paredes-diafragma?
Nesses casos, é importante que as muretas guias estejam alinhadas e niveladas e que sejam concretadas contra o terreno. A parede guia bem-feita ajudará muito a execução de toda obra. Se a parede guia não for bem-feita e corretamente reaterrada, pode haver o desbarrancamento da terra em torno dela gerando sobreconsumo de concreto. Também devem ser observados o uso de fluido estabilizante, lama bentonítica ou polímero adequados, a retirada imediata do canteiro de obras do material escavado das lamelas, a execução da armadura, o lançamento do concreto (com intervalos que não permitam o início da pega do concreto), entre outros.

 

Neves acredita que o diálogo constante entre executora e projetista também é importante para que problemas não previstos na investigação geotécnica sejam rapidamente corrigidos, como a presença de interferências enterradas e de solo com resistência abaixo da indicada pelos estudos. Segundo ele, quando acontecem, os erros não costumam ser das contratantes e sim das executoras. "Muitas vezes elas acabam passando por cima de detalhes técnicos que, à primeira vista, parecem ser dispensáveis, mas se não forem executados podem não produzir os resultados desejados", observa Neves. Como exemplos ele cita detalhes sobre a posição e inclinação de tirantes, entre outros.

Atualmente várias empresas executam diversos tipos de contenção. Os projetos costumam ser bem claros quanto ao tipo de técnica indicada e as especificações necessárias minimizando, em muito, a chance de erro na etapa de contratação. "O projeto geométrico muitas vezes restringe os tipos de contenção que podem ser utilizados", lembra Neves. Dentre as variáveis a serem observadas na definição do sistema de contenção estão a sua altura, as características do solo a ser contido e também o solo de fundação. Por último, mas não menos importante, o estudo de impacto nos vizinhos, as fundações existentes e as cargas atuantes também são fatores que devem ser considerados com cuidado. "As tensões impostas pelas estruturas adjacentes podem fazer parte de uma parcela considerável das cargas atuantes na contenção a ser projetada", conclui o especialista.

 

Mesa-redonda

fotos: Marcelo Scandaroli

Quais as perspectivas para o setor de contenções em 2014?
Luiz André Gusso -
O ano de 2014 tende a ser menos aquecido para o mercado de contenções. Mas a boa notícia é que há algumas tecnologias novas chegando para atender ao segmento de contenções de blocos de rocha, como as barreiras dinâmicas flexíveis. Esse sistema, mais popular na Europa, começou a ser executado em 2012 no Brasil em obras rodoviárias. Trata-se, basicamente, de uma rede de anteparo dos blocos.
Ivan Grandis - Essa solução é bastante difundida na Europa, principalmente na Suíça. No Brasil, é particularmente indicada para obras de rodovias junto à costa. Nesse sistema, são aplicadas redes com postes ancorados no terreno. Não é bem uma solução de contenção, mas impede que as pedras rolem e caiam sobre os veículos.

 

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