Apesar das incertezas do mercado por conta do mau desempenho em relação a 2013, a expectativa de negócios para o mês da Copa do Mundo é de estabilidade, apontam empresas do setor | Construção Mercado

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Apesar das incertezas do mercado por conta do mau desempenho em relação a 2013, a expectativa de negócios para o mês da Copa do Mundo é de estabilidade, apontam empresas do setor

Por Maryana Giribola
Edição 155 - Junho/2014
 

O mês da Copa do Mundo não deve determinar uma brusca interrupção das vendas imobiliárias - já afetadas, no primeiro trimestre, por um cenário de incerteza em relação à conjuntura econômica. Em geral, as empresas acreditam que a previsão de negócios para junho é de estabilidade, com pouca possibilidade de uma queda mais acentuada.

"Se, por um lado, o evento dará uma esvaziada no mercado, em seguida as expectativas são de recuperação", acredita Flávio Galizzi, vice-presidente da área de corretores da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi- MG). Para ele, as vendas serão interrompidas pontualmente, apenas em dias de jogos importantes, e devem retomar o ritmo normal logo após a segunda quinzena de julho.

Ana Maria Castelo, coordenadora de Estudos de Construção Civil do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), acredita que a Copa do Mundo, isoladamente, não deve ser um fator de preocupação para os empresários. "Se a Copa exerceu algum ambiente positivo pode ter sido antes, com investidores que, de repente, começaram a olhar o Brasil e quiseram investir."

"Sabemos que as visitas nos estandes podem ter uma baixa, mas não prevemos parada nas vendas", acredita Lucas Couto, diretor comercial e de marketing da Patrimar Engenharia. Para a Direcional Engenharia, as expectativas não são diferentes. "Talvez seja um mês que não contribua tanto para as vendas, mas não estamos imaginando que será negativo", explica Guilherme Diamante, diretor comercial da empresa.

No entanto, os esforços por parte das incorporadoras e imobiliárias para atingir o público devem ser redobrados no período. Mesmo não prevendo uma curva menor nas vendas durante junho, as empresas desenharam estratégias para se preparar e não sofrer muito o impacto dos dias de jogos. Uma das táticas foi planejar os lançamentos para antes ou depois do meio do ano.

"A maioria das empresas atendidas pela imobiliária tomou essa precaução e se programou para lançar empreendimentos em abril e maio, evitando o mês da Copa, e em agosto e setembro, evitando o mês das eleições", diz Carlos Valladão, sócio-diretor da Eugênio Marketing Imobiliário.

A Direcional Engenharia, por exemplo, não lançará nenhum empreendimento no período, justamente para fugir das possíveis baixas de procura nos estandes durante o mês. "Nossa estratégia foi antecipá-los para até o dia 7 de junho e dar sequência só após esse período", conta Diamante. Além disso, a empresa pretende promover feirões de imóveis voltados tanto para lançamentos quanto para estoques no mês, também a fim de alavancar as vendas em junho.

Na Lopes Royal, imobiliária do Distrito Federal, a estratégia foi criar campanhas para dar continuidade às vendas. "Isso tem estimulado os corretores nos dois meses anteriores da Copa e as ações deverão se estender até o final do período. Sem contar os prêmios que os incorporadores estão dando para os corretores que tenham desempenho diferenciado", conta Marco Antonio Demantini, diretor-executivo da empresa e vice-presidente administrativo do Sindicato de Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF).

Outro fator que levou as incorporadoras a lançarem seus empreendimentos fora dessa época foi a compra de mídia, que fica mais cara e concorrida em época de grandes eventos. Mas o uso da publicidade para as incorporadoras de maior porte também tem sido uma saída. A PDG, por exemplo, contratou um jogador convocado para a seleção brasileira deste ano para fazer parte de uma campanha promocional dos empreendimentos da empresa, Brasil afora.

Mau desempenho
Se a Copa não balançou tanto os negócios, outros fatores afetaram negativamente os resultados do começo do ano. Conforme aponta Ana Maria Castelo, as vendas imobiliárias têm sofrido o impacto do ambiente de incerteza no País.

Segundo pesquisa divulgada pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), em fevereiro a venda de imóveis novos residenciais na cidade registrou queda de 49,1%, em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Em nota, Emílio Kallas, vice-presidente do Secovi-SP, atribuiu parte do resultado negativo às incertezas dos empreendedores em relação aos rumos da economia, sem contar o encarecimento dos terrenos em função da exigência de contrapartidas e outorgas e os debates acerca do novo Plano Diretor Estratégico.

As quedas não aconteceram apenas em São Paulo. Segundo pesquisa do mercado imobiliário em Belo Horizonte realizada mensalmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead), a quantidade de imóveis residenciais vendidos caiu quase 70% em relação ao mesmo período de 2012 e 2013.

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