Cenário de incertezas leva incorporadoras a revisarem planos e apostarem em estratégias mais conservadoras. Apesar disso, não são esperadas mudanças drásticas de rota | Construção Mercado

Negócios

Perspectivas imobiliárias

Cenário de incertezas leva incorporadoras a revisarem planos e apostarem em estratégias mais conservadoras. Apesar disso, não são esperadas mudanças drásticas de rota

Por Juliana Nakamura
Edição 156 - Julho/2014
My Life Graphic/shutterstock

Revisar o planejamento estratégico é algo salutar e muito bem-vindo diante das alterações nas perspectivas econômicas. As empresas que ajustarem seus planos e ações em tempo ágil e de forma precisa tendem a passar mais incólumes às turbulências. Entre as incorporadoras, eventuais correções de rota são comuns, ainda mais em um cenário de estagnação da economia. As mudanças podem acontecer de forma mais ou menos contundente, seja com o aumento da cautela na tomada de decisão, com a diminuição no ritmo de lançamentos, com o direcionamento do foco para mercados mais seguros e, em caso mais drásticos, com o cancelamento de empreendimentos.

Inflação resistente e represada, juros altos, baixo crescimento do PIB e incertezas típicas de ano eleitoral são fatores que justificam a revisão de estratégias. "Não é hora de cancelar lançamentos, mas de avaliar ações com mais critérios e, quem sabe, adiar", assegura o diretor-executivo da Associação Brasileira das Incorporadoras (Abrainc), Renato Ventura. Segundo ele, as empresas naturalmente estão acompanhando atentas a economia e sua progressão. "Mas não há notícias de revisões amplas de estratégias nem de cancelamentos de lançamentos", diz o executivo. Vale lembrar que a PDG Realty anunciou no fim de 2013 o cancelamento de 48 projetos, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2,1 bilhões. Mas, segundo os analistas, essa decisão está muito mais atrelada a uma condição particular de endividamento da empresa do que a uma resposta ao desempenho da economia.


DIVULGAÇÃO: GRUPO MMC


'A gente evita saldões e feirões por acreditar que essas práticas não são saudáveis para o mercado nem para o retorno do empreendimento. Preferimos esperar e, enquanto isso, investimos em outras áreas da engenharia, diversificando a atuação'

Igor Marfará, diretor do Grupo MMC


Sem surpresas
O diretor da MS Properties, Maurenio Stortti, conta que, para o segundo semestre de 2014 e para 2015, o pessimismo é um pouco maior em relação às avaliações realizadas no ano passado, mas nada a ponto de surpreender o analista minimamente atento. "O mercado já esperava que o segundo semestre de 2014 estivesse focado na venda de estoques e na redução de preços dos lançamentos", afirma.

A opinião é compartilhada com Fábio Zaffalon, diretor da Promon Intelligens. Ele conta que já era esperado que a sobreoferta dos últimos anos provocasse um ajuste natural em 2014 - embora, possivelmente, com menos intensidade. Ele cita os números do primeiro trimestre deste ano que apontam vendas 40% inferiores ao registrado no mesmo período do ano passado.

O período de ajuste impacta três componentes em especial: velocidade de vendas, quantidade de lançamentos e volume de estoques. Para se ter uma ideia, até o final de março deste ano, os lançamentos em São Paulo totalizaram 3.908 unidades, com queda de 26,6% em relação a período equivalente no ano passado.

A Patrimar é uma das empresas que sentiu a redução da velocidade de vendas. "A procura nos estandes ainda acontece", revela o diretor comercial e de marketing da incorporadora mineira, Lucas Couto. "A diferença é que, antes, o cliente fechava o contrato em poucos dias. Agora, ele pensa e demora muito mais para a tomada de decisão. A venda acaba tendo que ser mais trabalhada. Se antes a gente fechava uma venda dez dias após a primeira visita, hoje o cliente fica um mês ou mais com a proposta debaixo do braço", continua.

Segundo ele, a Patrimar vem revisando estratégias, mas o objetivo de lançar entre oito e 12 empreendimentos em 2014 não foi alterado por conta do cenário macroeconômico. Na verdade, o que pode comprometer o número de lançamentos é o gargalo na aprovação dos projetos pela prefeitura. Para 2015 a empresa ainda elabora seu planejamento, mas já há previsão de pelo menos três ou quatro lançamentos no primeiro semestre.

O Grupo MMC também observa atentamente o desempenho da economia. O diretor Igor Marfará conta que é prática da empresa revisar o planejamento estratégico a cada dois meses. Mas revisar não significa, necessariamente, mudar. Ainda mais porque, afirma ele, a empresa já vinha com uma postura de cautela desde 2013. "As incorporadoras são as primeiras a sentir os efeitos do cenário econômico porque trabalham com ciclo de produção longo. Sabemos que o sucesso nesse mercado depende muito de conhecer o próprio limite", acredita Marfará, lembrando que o maior controle do número de lançamentos impacta positivamente a redução do volume de estoques.

Pisar no freio com mais ou menos força depende, em grande medida, da necessidade da empresa de vender para gerar caixa. A Cyrela Brazil Realty, por exemplo, não tem planos de brecar lançamentos, como informou, em teleconferência com investidores em maio deste ano, o copresidente da companhia, Raphael Horn. Isso porque os lançamentos são importantes para motivar as equipes de vendas.

DIVULGAÇÃO: PROMOM INTELLIGENS


'Nos próximos anos, os olhos devem se voltar para terrenos problemáticos. Quem equacionar bem a operacionalização desses terrenos pode encontrar boas oportunidades'

Fábio Zaffalon, diretor da Promon Intelligens

Marcelo Scandaroli


'Não é hora de cancelar lançamentos, mas de avaliar ações com mais critérios e, quem sabe, adiar'

Renato Ventura, diretor-executivo da Associação Brasileira das Incorporadoras (Abrainc)



DIVULGAÇÃO: PATRIMAR


'A procura nos estandes ainda acontece. A diferença é que, se antes a gente fechava uma venda dez dias após a primeira visita, hoje o cliente fica um mês ou mais com a proposta debaixo do braço'

Lucas Couto diretor comercial e de marketing da Patrimar


PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
Destaques da Loja Pini
Aplicativos