Impermeabilização flexível | Construção Mercado

Debates Técnicos

Impermeabilização flexível

Falta de informação sobre comportamento e desempenho dos materiais, além de fiscalização deficiente dos serviços executados emperram ampla difusão desses sistemas

Por Gisele C. Cichinelli
Edição 156 - Julho/2014

Mesa-redonda

Marcelo Scandaroli Marcelo Scandaroli Marcelo Scandaroli Marcelo Scandaroli
Carolina Martinez Rojas
coordenadora da área de tecnologia e desenvolvimento de produtos da Basf
Danilo Oliveira
gerente de vendas técnicas da Sika
Edison Gomes
vendedor técnico da Dryko Impermeabilizantes
Flávio de Camargo Martins
gerente técnico e de marketing da Denver Impermeabilizantes
Marcelo Scandaroli
Jordana Barros
gerente de produto da Weber
Marcelo Scandaroli Marcelo Scandaroli Marcelo Scandaroli Marcelo Scandaroli
Leandro Francischetti
engenheiro da área de assistência técnica e desenvolvimento tecnológico da Tarjab
Lígia Mariano
representante comercial da Lwart
Maria Amélia Silveira
consultora técnica do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI)
Sérgio Pousa
diretor da Proiso Projetos e Consultoria

Quais são os sistemas flexíveis mais comuns?
SÉRGIO POUSA - O sistema mais tradicionalmente usado ainda é a manta asfáltica. Mas há outros, como as membranas acrílicas, de poliuretano e poliureia. Trata-se de novos produtos, que estão chegando ao mercado brasileiro, mas ainda sem normalização. A poliureia, por exemplo, já é bastante usada fora do País.

A poliureia seria a maior a novidade?
JORDANA BARROS - Sim, mas vale lembrar que esse produto é mais usado em grandes obras de infraestrutura. Pode ser usado como impermeabilizante ou como capa protetiva. Há vários tipos de poliureia, que são desenvolvidas de acordo com as especificações do escritório projetista.
FLÁVIO DE CAMARGO MARTINS - Esses sistemas mais novos têm custos mais elevados. Por isso, para as obras imobiliárias não são indicados para todas as áreas, podendo ser usados apenas em trechos específicos que exigem soluções mais técnicas.
LEANDRO FRANCISCHETTI - A adesão a esses produtos é baixa justamente devido ao custo associado ao risco da inovação. Produtos novos estão sujeitos a problemas e temos que garantir a qualidade do edifício a ser entregue. Por que arriscar se é possível usar o sistema tradicional? Muitas vezes o convencional nem sempre é o melhor produto, mas seu uso e aplicação já são consagrados.
POUSA - Outro detalhe é a aplicação. A poliureia envolve uma logística de aplicação particular. O custo é muito elevado - quase 1.000% mais caro que o tradicional - e envolve uso de equipamentos específicos e mão de obra altamente especializada. A grande vantagem é que esse produto não necessita de acabamento, pode ficar exposto.
MARIA AMÉLIA SILVEIRA - Por isso, o uso do sistema é mais interessante em grandes áreas que podem ficar expostas. Na maioria das edificações residenciais, as coberturas são aproveitadas e exigem proteção. Nesses casos, os sistemas tradicionais atendem melhor.

E o que há de novidade para o mercado imobiliário, especificamente?
MARTINS - Não estamos aquém de nenhum outro país. Já disponibilizamos ao mercado grande parte das soluções existentes no mundo. As inovações são pontuais e tratam de melhorias dos sistemas disponíveis ou da migração de produtos para outras áreas.
POUSA - Há alguns produtos cristalizantes com algumas inovações em termos de secagem e que exigem menor quantidade de demãos e menor tempo de secagem. Uma particularidade do mercado brasileiro é que as empresas que vêm de fora não conseguem emplacar um sistema completo de impermeabilização, como estão acostumadas nos seus países de origem.
DANILO OLIVEIRA - Isso por conta dos custos. O que se faz é adaptá-las, o que é um risco, pois pode comprometer a solução. Isso aconteceu com a poliureia, que foi usada aqui de maneira indiscriminada. Muitos clientes nem querem ouvir falar do produto. Na falta de estudos técnicos adequados, ocorreram problemas de aderência e de surgimento de bolhas. Ou se oferece um sistema ou não se oferece nada. Se houver espaço para improvisos e adaptações, a chance de ocorrer problemas é enorme.

As construtoras têm o hábito de recorrer a projetos de impermeabilização que possam, inclusive, sugerir o uso correto desses produtos?
FRANCISCHETTI - Todo projeto é recomendável, pois o projetista envolvido pensa especificamente em um sistema e em produtos que se adequam à realidade construtiva com custos atrativos. Infelizmente, hoje o projeto tem sido pouco valorizado, justamente por questão de custo.
CAROLINA MARTINEZ ROJAS - A ausência de um projetista acaba dificultando a disseminação de produtos e sistemas novos. Sem projetista, a construtora tende a replicar a solução mais consolidada, que já usa há anos. Fica mais difícil romper essa barreira cultural e emplacar novas soluções.
LÍGIA MARIANO - Mas vale lembrar que, mesmo recorrendo a projetistas renomados, muitas obras acabam não seguindo as orientações do projeto por conta de problemas no cronograma. São executadas sem impermeabilização e têm de (ou deveriam) ser refeitas. Esse tem sido um problema cada vez mais comum no setor imobiliário.
POUSA - Com o crescimento do setor, muita coisa mudou. Há alguns anos, o engenheiro de obra era uma figura presente nas reuniões de desenvolvimento de projetos. Podia opinar, inclusive, sobre a impermeabilização. Hoje os arquitetos comandam os projetos e, na outra ponta, a engenharia faz a obra acontecer. Os engenheiros nem sabem que o projeto existe. Acabam administrando a obra com foco em custo e cronograma e nem veem o que está sendo executado.

A qualidade da mão de obra ainda é muito deficiente ou o cenário melhorou com a retração do mercado de construção civil?
FRANCISCHETTI - O problema não é nem a qualidade e sim a falta de mão de obra, o que pode induzir o mercado a usar cada vez mais sistemas mais fáceis de serem aplicados.
MARIA AMÉLIA - O uso de peças auxiliares para impermeabilização, bastante difundido em outros países, poderia reduzir erros de execução, mas não se consolidou no Brasil. Há itens para cantos, ralos e outras interferências que minimizariam o risco de erros da mão de obra, independentemente da sua qualificação. O custo dessas peças é insignificante comparado a valores para corrigir falhas.


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