Impermeabilização flexível | Construção Mercado

Debates Técnicos

Impermeabilização flexível

Falta de informação sobre comportamento e desempenho dos materiais, além de fiscalização deficiente dos serviços executados emperram ampla difusão desses sistemas

Por Gisele C. Cichinelli
Edição 156 - Julho/2014

As construtoras sabem contratar corretamente?
JORDANA - Temos uma equipe focada em especificação técnica para fazer essa prestação de serviço junto à construtora ou projetista. Há um contato técnico, mas, pela amplitude do mercado, poucas empresas recorrem a esse auxílio e à validação de projeto.
MARTINS - As empresas conhecem os sistemas, mas a decisão é muito conduzida por custos.
OLIVEIRA - Já tivemos situações de compra errada, mesmo com a especificação correta.
JORDANA - Em obras de infraestrutura, a interação entre o especificador técnico, o comprador e o próprio fabricante é muito maior. Nesse segmento, participamos muito mais da obra. No residencial, os departamentos são mais independentes. Custo e cronograma são os focos, enquanto que, no setor de infraestrutura, a parte técnica prevalece.

A falta de inspeção dos serviços executados ainda é um dos maiores gargalos do setor?
POUSA - Sim, é difícil garantir a execução daquilo que foi projetado. As equipes de aplicação, em geral, não sabem ler projetos e tampouco possuem mão de obra qualificada para executá-los. A construtora, diga-se, também deve oferecer condições para que o serviço seja corretamente executado.
FRANCISCHETTI - Temos limitação de mão de obra preparada para acompanhar esse serviço, que é cheio de detalhes e interferências e que tem formas de verificações específicas. O engenheiro tem de administrar a obra e o subempreiteiro contratado não tem preparo para fazer essas verificações. As especificações também são complicadas porque os mesmos produtos, muitas vezes, possuem nomes completamente diferentes, dificultando a comparação entre eles.

E quanto ao dimensionamento dos sistemas, está sendo feito corretamente?
MARTINS - Fala-se pouco de dimensionamento de sistemas de impermeabilização. A escolha não deveria ficar apenas a cargo do projeto, sem analise crítica do aplicador ou do fabricante.

Ainda é comum que problemas de cronograma afetem as etapas de preparação da base e o uso da quantidade correta de demãos?
POUSA - As empresas oferecem cursos para demonstrar suas tecnologias, mas os aplicadores não investem na atualização dos seus funcionários. Há situações de preparo precário de superfície. Se não houver fiscalização, o serviço será executado sobre essa área com falhas.

O segmento sentiu a retração do mercado de construção civil?
POUSA - Na parte de projetos, 2013 foi um ano bom. Agora, o mercado está menos aquecido.
MARTINS - Tivemos anos de crescimento, em 2011 e 2012. Já 2013 foi um ano estável e, agora, em 2014, o mercado está sofrendo altas e baixas: aqueceu após o carnaval e voltou a se retrair no período pré-Copa.
OLIVEIRA - É preciso dividir os mercados. O setor de obras de infraestrutura está aquecido. No segmento de indústria, ainda há resistência em se investir na impermeabilização. Já no setor imobiliário, os projetos já lançados estão em continuidade, mas o mercado está desaquecido. Tínhamos projetado um crescimento de 15% mas agora, com projetos sendo postergados, já se fala em 10% de crescimento.
BARROS - Somos novos nesse segmento, portanto o nosso crescimento tem sido expressivo. O ano de 2013 foi ótimo, tanto nos segmentos de varejo como no de construtoras. Em 2014, tivemos um primeiro semestre ótimo, mas abril e maio foram mais mornos.

Como está o quadro normativo do sistema?
MARTINS - Acabamos de homologar a NBR 9.952 - Manta Asfáltica para Impermeabilização. O texto foi revisado em 2013, trazendo novas conceituações aos tipos e classes de mantas e é um dos mais completos no que se refere a produtos. Também há a revisão da NBR 11.905 - Sistema de Impermeabilização Composto por Cimento Impermeabilizante e Polímeros - Especificação, de argamassa polimérica, e uma nova norma sendo elaborada, que tratará de fitas asfálticas autoadesivas (ou membranas asfálticas autoadesivas) que se encontra em andamento no Comitê Brasileiro de Impermeabilização (CB-22), da Associação Brasileira de Nornas Técnicas (ABNT).


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