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Especificação de sistema de membrana química deve orientar sobre materiais e dimensões e definir responsabilidade pela compra dos produtos

Por Bruno Loturco
Edição 156 - Julho/2014
Marcelo Scandaroli
Na execução, é preciso atentar para o consumo de material e obediência ao prazo mínimo para a cura de cada camada, conforme indicação do fabricante

De acordo com a NBR 9.574 - Execução de Impermeabilização, membrana é a camada flexível de impermeabilização moldada no local e com espessura compatível para suportar movimentações do substrato, sendo estruturada ou não. Essa definição diferencia o material das mantas, por exemplo, fornecidas em rolos.

Sendo assim, é possível obter membranas de impermeabilização a partir de diferentes materiais, com finalidades e desempenhos característicos. De acordo com a engenheira Maria Amélia Silveira, do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI), os materiais mais comuns são membranas asfálticas, acrílicas e de poliuretano.

Em geral, esse tipo de sistema é utilizado em lajes de cobertura planas, inclinada, em abóbadas ou sheds, cozinhas, áreas de serviço, banheiros, lavabos e terraços. De acordo com Lourenço Granato, sócio-diretor da Casa Seca Impermeabilizações, alguns sistemas, como o de argamassa elastomérica flexível, por exemplo, têm restrições quanto à exposição a intempéries, sendo recomendável sempre observar as orientações do fabricante.

Especificações
Ao especificar, é imprescindível atentar para os seguintes itens, enumera Maria Amélia:
- Tipo de membrana, incluindo constituintes básicos - e não apenas o nome comercial;
- Quantidade em kg/m² e espessura final. "Indicar a quantidade de demãos não é suficiente, pois um produto pode ter menor teor de sólidos do que seu concorrente, resultando em camada aquém do necessário para o serviço em questão", explica ela;
- Indicar necessidade de telas de reforço e, em caso positivo, especificar suas características, como gramatura, resistência à tração, ao alongamento, dentre outros.

Granato lembra, ainda, que é necessário assegurar-se de que o produto seja fabricado de acordo com a norma. A especificação deve detalhar também a seção vertical da impermeabilização. Ou seja, o quanto a membrana avança além do piso, pelas paredes. "Tem que virar, no rodapé, no mínimo, 20 cm além da cota do piso acabado", alerta ele. Além disso, "é recomendável arredondar a transição entre piso e parede e na região de ralos, reforçando o trecho com tela de poliéster", exemplifica Granato, para o uso de argamassa polimérica. O serviço deve incluir o teste com lâmina d'água de 5 cm por 72 horas antes de liberar o ambiente para execução de contrapiso e revestimento.

"Em tese, todo serviço de impermeabilização tem um projeto. Então, a projetista especifica o sistema, a forma de aplicação e os materiais homologados por ela", resume ele.

Seleção de fornecedores
Com uma grande variedade de aplicadoras especializadas em impermeabilização no mercado, atendendo a todo tipo e porte de obra, a contratação deve tomar como base, salienta Maria Amélia, o tempo de vida da empresa ou de seus profissionais responsáveis na atividade de impermeabilização, relação de obras já executadas de mesmo porte, contatos com clientes para obtenção de referências.

O IBI, explica a engenheira, "tem em seu quadro de associados diversas empresas de execução de impermeabilização que passam por rigorosos critérios de admissão, devendo ter engenheiro responsável, trabalhar com produtos de qualidade, seguindo os parâmetros da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), dentre outras exigências, como idoneidade técnica e financeira".

Contratação
Além de especificar o sistema a ser aplicado, já definindo o material, de acordo com as normas técnicas, o contrato deve indicar o preço por metro quadrado ou global, afirma Granato. No segundo caso, alerta Maria Amélia, deve ser feita medição cuidadosa das áreas, incluindo os rodapés.

O contrato inclui também o cronograma físico-financeiro, estipulando a forma e os prazos de pagamento, que pode ser mensal ou por etapa concluída. De acordo com Granato, o mais corriqueiro é o pagamento ser feito a partir de medição periódica - quinzenal ou mensal. "A empresa executa dois, três andares por semana e, ao fim do período, emite a fatura do montante, que nasce da quantidade de serviço executado multiplicado pelo preço unitário da proposta", explica.

Sobre os materiais, Granato afirma que o mais comum é a empresa impermeabilizadora ficar responsável pela aquisição, com faturamento direto para a construtora - para evitar bitributação. "O ideal é que seja assim, pois a impermeabilizadora é especializada e tem mais experiência para comprar. Além disso, a responsabilidade pelo desempenho, incluindo a garantia, é dela", explica.

Há casos, entretanto, em que a construtora opta por comprar os materiais para, devido ao volume, exercer maior poder de barganha. Segundo ele, isso é mais comum quando construtora e impermeabilizadora mantêm um contrato amplo de prestação de serviços, com projetos - e, consequentemente, materiais - semelhantes para as diversas obras.

Logística e fiscalização
Os serviços de impermeabilização só podem ser realizados quando o substrato está adequadamente preparado, "o que inclui verificar a declividade em direção aos coletores de água, o chumbamento dos coletores e o espaçamento entre os tubos emergentes, permitindo o arremate seguro da impermeabilização", salienta Maria Amélia. Nos casos em que todo o volume de material é comprado de uma vez, é preciso prever espaço para armazenamento.

Já durante a fiscalização dos serviços executados, ela conta que devem ser observados os seguintes itens: consumo de material de acordo com o especificado; obediência ao prazo mínimo para a cura ou secagem de cada camada, conforme indicação do fabricante; reforços junto às tubulações e outros pontos singulares da área; teste de estanqueidade.

NORMAS TÉCNICAS

NBR 15.885 - Membrana de Polímero Acrílico com ou sem Cimento, para Impermeabilização
NBR 9.575 - Impermeabilização - Seleção e Projeto
NBR 9.574 - Execução de Impermeabilização
NBR 13.321 - Membrana Acrílica para Impermeabilização
NBR 13.724 - Membrana Asfáltica para Impermeabilização com Estrutura Aplicada a Quente
NBR 15.487 - Membrana de Poliuretano para Impermeabilização
NBR 9.396 - Membrana Elastomérica de Policloropreno e Polietileno Clorossulfonado em Solução para Impermeabilização
NBR 15.460 - Membrana Elastomérica de Isobutileno Isopreno em Solução para Impermeabilização
NBR 15.414 - Membrana de Poliuretano com Asfalto para Impermeabilização
NBR 11.905 - Sistema de Impermeabilização Composto por Cimento Impermeabilizante e Polímeros - Especificação
NBR 12.171 - Aderência Aplicável em Sistema de Impermeabilização Composto por Cimento Impermeabilizante e Polímeros - Método de Ensaio

CHECKLIST

- O projetista deve especificar o tipo de membrana e os materiais componentes, a quantidade em kg/m² e a espessura final e os reforços necessários
- A escolha da empresa deve observar sua experiência e a de seus responsáveis técnicos, além do cadastro junto ao IBI
- O contrato deve conter a forma e os prazos para pagamento e a responsabilidade pela compra dos materiais
- A fiscalização do serviço executado deve atentar para o consumo de material, o prazo de cura ou secagem, a aplicação dos reforços necessários e a realização do teste de estanqueidade

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