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Edição 156 - Julho/2014
Ok-Sana/Potapov Alexander/shutterstock
Para esconder as obras inconclusas previstas para a Copa do Mundo, coqueiros foram plantados à frente do canteiro

Camuflagem tropical
Uma obra de infraestrutura prevista para atender aos turistas em visita a uma capital nordestina para assistir aos jogos da Copa do Mundo enfrentou uma série de problemas, não ficando pronta a tempo. Para diminuir o constrangimento geral e camuflar uma grande parcela que resta inconclusa, a solução foi comprar coqueiros. As plantas serão alocadas em um patamar superior, diminuindo a visibilidade das obras.

Economia burra
Um projetista alerta para a importância do controle de execução de fachada, que, na opinião dele, deveria ser obrigatório e não facultativo. "Não tem cabimento uma construtora fazer um prédio de R$ 40 milhões, gastar R$ 3 milhões na fachada e não gastar nem R$ 1 mil para fazer ensaio de aderência do chapisco ao concreto", critica o projetista. Ele confirma que muitas construtoras não fazem os ensaios devidos e cita, por exemplo, o caso de um condomínio em Guarulhos (SP), com mais de 15 prédios, todos com a fachada descolando. Um empreiteiro paulistano corrobora o discurso do projetista e conta que o revestimento da fachada de um edifício na capital paulista caiu por inteiro poucos dias após a execução. O material foi recolhido para análise a fim de descobrir onde está o erro e de quem é a culpa. "Se a construtora tivesse feito os ensaios, isso poderia ter sido evitado", diz o empreiteiro.

Made in China
O mesmo projetista critica a qualidade dos materiais chineses e afirma que existe uma grande chance de que a maioria das telas metálicas usada em fachadas seja chinesa. "Também é preciso mandar essa tela para laboratório para descobrir qual o teor de zinco dela. Certamente, terá apenas 15 gramas por metro quadrado - ou 30 gramas, se for um fabricante chinês bonzinho. Por aqui, as empresas colocam 40, 50 gramas. Mas só um fornecedor coloca o teor ideal de zinco por metro qudrado, que é de 150 gramas", alerta o projetista. Além dos ensaios de revestimento de fachada, ele recomenda que as construtoras façam testes para aferir a qualidade da tela metálica.

BATE-ESTACA

Maquiagem
Um arquiteto que atua com projetos públicos aponta a dificuldade frequente de solucionar de forma adequada gargalos urbanísticos. Ele aponta que os rios que cruzam as cidades, por exemplo, sofrem com as avenidas instaladas às suas margens, que substituem a vegetação natural de proteção e escoam a água da cidade para eles. "O certo seria transferir a circulação de grande porte da cidade para outro local e fazer o devido restauro de margem. Ocorre que a cidade já existe ali. É difícil administrar tudo isso", define. Para completar o problema, geralmente falta apoio governamental. "Muitas vezes o prefeito pensa em intervir apenas de uma maneira cosmética", explica.

Incentivo rar
Para um empresário da construção, os municípios deveriam se preocupar mais em atender as construtoras que estão dispostas a realizar obras do programa Minha Casa Minha Vida em suas regiões. Ele conta que, tempos atrás, levou um projeto para executar mil unidades do programa habitacional em um município e o prefeito deu o prazo de três meses para a aprovação. "Ele afirmou que não podia se dar ao luxo de perder um investimento que não é feito por eles. Quem dera se todos os prefeitos pensassem assim", afirma.

Fabio Berti/shutterstock

Mercearia
Um professor de arquitetura aponta que as faculdades têm se preocupado mais em transmitir conteúdos relacionados aos catálogos de produtos do que ensinar a planejar e operar soluções técnicas - que muitas vezes podem justamente dispensar o emprego das alternativas oferecidas no mercado. "Os jovens têm se formado como compradores de produtos e não como arquitetos", acusa.

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