Aplicação mecanizada de gesso ajuda construtora a reduzir atrasos na construção de torre residencial no Distrito Federal e a obter ganho de produtividade em torno de 30% | Construção Mercado

Construção

Produtividade real

Aplicação mecanizada de gesso ajuda construtora a reduzir atrasos na construção de torre residencial no Distrito Federal e a obter ganho de produtividade em torno de 30%

Juliana Nakamura
Edição 157 - Agosto/2014
 
Foto: Marcelo Scandaroli
Empreendimento no Distrito Federal apostou na aplicação mecanizada de gesso para ganhar tempo

A utilização do gesso projetado em substituição à aplicação manual de gesso liso foi uma das ações que a construtora Tecnisa adotou para recuperar o atraso nas obras do Artlife Design, residencial com unidades de dois e três dormitórios em Águas Claras (DF). A obra começou a ser executada por uma construtora parceira regional. Mas diante da sua dificuldade para atender ao cronograma estipulado, a Tecnisa decidiu que era o caso de assumir a obra e concluí-la com mão de obra própria.

A solução, conforme conta Vitor Ribeiro Valle, gerente de engenharia da Tecnisa, foi investir em soluções que agregassem produtividade, ainda que fossem comparativamente mais caras que alternativas mais convencionais. Uma dessas soluções foi o gesso projetado, com o qual foi possível obter produtividade cerca de 30% maior. "A aplicação mecanizada pode ter encurtado o prazo de execução em pelo menos 60 dias", estima o engenheiro. No Artlife, o gesso projetado foi aplicado nas paredes internas dos apartamentos sobre a alvenaria de blocos de concreto. Ao todo foram 99 mil m² de projeção. Para o forro, preferiu-se empregar gesso em placa.

Estima-se que com esse tipo de tecnologia seja possível atingir uma produção média diária de 200 m²/dia, levando em consideração a utilização de uma máquina de projeção e o trabalho de quatro profissionais.

Ganhos indiretos
Associada à velocidade de execução, a projeção do gesso trouxe outras vantagens para a construtora. Uma delas foi a redução das perdas. Para o gesso comum, a construtora trabalha com uma taxa de perdas em torno de 25%. Já com o gesso projetado, esse valor cai para 5% a 10%. Isso se deve, em grande medida, à melhor trabalhabilidade do gesso para projeção e ao maior intervalo de aplicação.

O gesso aplicado por bombas é composto de calcário, gesso em pó e aditivos que influenciam o tempo de trabalho, a aderência ao substrato, a dureza e a resistência do revestimento. "O acabamento manual, por endurecer mais rapidamente, é mais propenso a empenar na parede na hora do sarrafeamento", compara Valle.

No sistema mecanizado, a aderência do material ao substrato é maior e a energia de aplicação é mais uniforme. Nas obras do Artlife Design, o melhor acabamento superficial proporcionado pela projeção de gesso também permitiu à construtora reduzir o consumo de massa corrida utilizada como preparo para a pintura.

Não foram necessárias grandes adaptações na logística do canteiro para introduzir a aplicação mecanizada em uma obra inicialmente projetada para usar a aplicação convencional. O engenheiro da Tecnisa explica que o equipamento de projeção é pequeno e não há restrições de trânsito com ele. "A bomba misturadora ficava praticamente fixa em determinado local de cada pavimento. A extensão da mangueira de projeção era suficiente para que fizéssemos a aplicação em todos os ambientes", revela Vitor Valle.

Mas o engenheiro ressalta que, para aproveitar toda a produtividade proporcionada pela tecnologia, é importante que haja algum planejamento. Por conta da maior velocidade de execução, o uso do gesso projetado requer que a obra esteja mais acabada e que haja maior frente de serviço. "O ideal é evitar que haja retornos para realizar reparos ou complementações", destaca o gerente de engenharia.

Custo limitador
Embora haja vantagens técnicas proporcionadas pela aplicação mecanizada de gesso, a Tecnisa ainda não tem um histórico muito grande de aproveitamento dessa tecnologia, segundo Valle. O motivo é o custo. Em comparação com o gesso liso, ele estima que o sistema mecanizado seja cerca de 30% mais caro.

Na obra do Distrito Federal, o custo foi ainda maior porque havia um problema de irregularidades nas paredes. Era preciso corrigir esquadros, com a aplicação de espessuras maiores de gesso. Com isso, a construtora calcula que teve que desembolsar 40% a mais do que se optasse pela aplicação manual. "Mas, em contrapartida, reduzimos o prazo de execução e a quantidade de mão de obra no canteiro, que eram aspectos mais críticos naquele momento", diz o engenheiro.

Superada a barreira do preço, outro desafio para trabalhar com a aplicação mecanizada de gesso é dispor de mão de obra qualificada. No caso da Tecnisa, a construtora contratou uma empresa especializada que ficou responsável pela execução dessa etapa e que também forneceu as bombas de projeção. "Mesmo assim, no início do serviço, tivemos grandes problemas com rotatividade, até que conseguíssemos montar uma equipe junto com uma empresa terceirizada", comenta Valle.

FICHA TÉCNICA

Divulgação: Tecnisa

Nome do empreendimento: Artlife Design
Local: Águas Claras (DF)
Área construída: 70.489,09 m²
Terreno: 5.866 m²
Características: Torre residencial com fachada contemporânea, 26 andares, pilotis, térreo e dois subsolos. As 468 unidades têm dois e três dormitórios, com área privativa entre 67,73 m² e 96,60 m².
Construção e incorporação: Tecnisa
Projeto de Arquitetura: MKZ Arquitetura
Decoração: Mezzo Arquitetura
Paisagismo: Luana Mendonça
Mão de obra: Proserv
Fornecedor do gesso: Gessos Especiais
Início das obras: 1º semestre/2011
Término das obras (previsão): agosto/2014

Destaques da Loja Pini
Aplicativos