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Entidade planeja criação de padronização internacional para medições de imóveis; primeiro documento a ser lançado contempla empreendimentos comerciais. Entenda as vantagens

Por Aline Mariane
Edição 157 - Agosto/2014

LI CHAOSHU/SHUTTERSTOCK
Até o final de 2014, a RICS lançará um documento sobre a padronização das formas de medição de escritórios; em 2015, será a vez do segmento residencial

A necessidade de padronizar internacionalmente as formas de medição de imóveis tem sido discutida pela Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS). De acordo com a entidade, é comum cada país definir a seu modo quais itens do imóvel são considerados área útil ou privativa. Isso faz com que as metragens sejam diferentes, pois não existe uma regra do que está sendo medido. Na Espanha, por exemplo, a área útil frequentemente inclui piscinas ao ar livre; na Índia, a medida de área pode incluir vagas de garagem fora do edifício e áreas comuns; e nos Estados Unidos, geralmente, é considerada a área de ar-condicionado.

Pensando nessa questão, a RICS está elaborando um trabalho para formatar padrões internacionais de medição de imóveis. Um primeiro documento - aberto no site da entidade para consulta - será lançado até o final de 2014 abordando a forma de medição de escritórios. "A padronização internacional de medição de imóveis irá permitir uma maior transparência para o mercado, tanto para o investidor quanto para o usuário. Hoje em dia, o investidor busca o melhor investimento no mundo, sem necessariamente se ater a limites de fronteiras. Se houver mais clareza, as decisões serão agilizadas", justifica Márcia Ferrari, country manager da RICS.

Paula Casarini, gerente da Colliers, acredita que "a primeira grande vantagem, principalmente para uma empresa que faz monitoramento de escritórios, é que todos os relatórios de mercado terão, automaticamente, a mesma linguagem". "A outra vantagem será no próprio desenho do prédio, na concepção do projeto. Porque já começa a sair com essa nova tendência. Para o inquilino é mais fácil comparar as opções. Mas precisará de um período de adaptação", completa a gerente.

De acordo com a RICS, o objetivo, no momento, não é excluir as formas de medições impostas pelos mercados locais e sim agregar um padrão de medição internacional aos projetos. Ou seja, após lançados os documentos, as incorporadoras que seguirem o padrão internacional de medição elaborado pela RICS deverão desenhar para cada projeto de empreendimento duas formas de medir, a que vem sendo praticada em seu mercado local e a nova, respeitando os padrões internacionais.

"Esta padronização seguirá o entendimento da coalizão formada pelos membros do International Property Measurement Standards (IPMS). Num primeiro momento, possivelmente, haverá ferramentas para 'conversão' entre a regra local e a internacional. Com o passar dos anos é provável que, gradualmente, a regra internacional prevaleça, assim como ocorre hoje com o IFRS para contabilidade, que é adotado em vários países", detalha Márcia.

O que pensa o setor
A expectativa das fontes consultadas pela reportagem é que, com a implantação de um padrão internacional, alguns problemas de negociação e compreensão com investidores internacionais sejam facilmente sanados. Por exemplo: no primeiro momento em que o investidor estrangeiro verifica a área de um imóvel brasileiro, ele tende a imaginar que os itens considerados na medição são os mesmos considerados no país dele. Mas, muitas vezes, não são.

Foto: Marcelo Scandaroli



'A padronização internacional de medição de imóveis irá permitir uma maior transparência para o mercado, tanto para o investidor quanto para o usuário'

Márcia Ferrari
country manager da RICS

Paula Casarini/Divulgação Colliers



'A primeira grande vantagem é que todos os relatórios de mercado terão, automaticamente, a mesma linguagem'

Paula Casarini
gerente da Colliers



"A área útil no Brasil é calculada de um jeito. Nos Estados Unidos e na Itália é diferente, por exemplo. Logo, se o investidor for italiano ou americano, ele submeterá à forma como é calculada a área lá fora. Acaba ocorrendo uma interpretação errônea sobre o valor e o tamanho do imóvel, porque as premissas são diferentes", explica Paula Casarini, da Colliers. Quando ocorre este problema, a empresa precisa explicar ao investidor as diferenças da medição e isso pode tornar o processo mais lento. "Quando não há clareza, há demora na tomada de decisão e o preço sobe, pois o risco aumenta", diz Márcia, da RICS.

Para Marcelo da Costa Santos, vice-presidente da Cushman & Wakefield, esse padrão vai criar mais transparência e dar mais habilidade aos investidores na comparação dos produtos, porque dará a certeza de qual será o tamanho do prédio A, do B e do C, algo que não existe hoje, segundo ele. "Se olhar no site, há área total, área construída, área comum. Mas como comparo um prédio que hoje tem quatro ou cinco medidas diferentes de área? Se sou uma empresa procurando um espaço para alugar, como sei o espaço que terei para utilizar? Se sou um investidor, a mesma coisa", questiona o vice-presidente da Cushman & Wakefield.

O IPMS está buscando apoio de órgãos como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) - convidada para conversar sobre o assunto desde novembro de 2012. O objetivo da RICS é elaborar uma forma de medição internacional que esteja acordada entre todos os países envolvidos. Ou seja, todos os participantes podem opinar e contribuir para o material que está sendo elaborado. O documento com a padronização de medição internacional de escritório deverá ser lançado ainda este ano. Já os documentos dos setores residencial e varejo deverão ser lançados em 2015. Também será realizada a padronização internacional de medição para indústrias.

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