Telhas termoisolantes | Construção Mercado

Debates Técnicos

Telhas termoisolantes

Composições diversas de cobertura podem ser usadas para incrementar conforto térmico das edificações

Por Gisele C. Cichinelli
Edição 157 - Agosto/2014

Quais foram os avanços tecnológicos do mercado nos últimos anos?
BONATTO - Sempre buscamos maior eficiência na composição das telhas. O mercado tem evoluído desde o uso do EPS, passando pelo PUR e agora pelo PIR. O isolante mais usado ainda é o PUR, mas o PIR está ocupando mais mercado.
MIRANDA - Também verificamos uma tendência de substituição do PUR pelo PIR. Isso já está começando a acontecer nos grandes projetos ou projetos de multinacionais, que usam o produto no exterior. O PUR tem, por uma questão de custo, uma participação ainda muito grande de mercado.

O uso das membranas sintéticas termoplásticas, empregadas em alguns estádios brasileiros, pode ser replicado em galpões industriais em larga escala?
MIRANDA - Essa cobertura é formada por um substrato metálico - uma telha comum ou com desenho especial - fixada sobre a estrutura, servindo de apoio para placas de isolamento térmico e recebe, por cima, uma manta plástica fixada formando uma cobertura contínua, como se fosse uma grande lona esticada. Essas coberturas começaram a ter uma presença mais forte no Brasil nos últimos anos. Uma das obras mais emblemáticas com a solução foi o estádio João Havelange. Essa solução confere grande continuidade à cobertura, permitindo a execução de coberturas complexas com curvaturas em várias direções ou com muitas interferências. O foco desse sistema são obras de médio e grande porte.
CRUZ - São usadas nos EUA e na Europa, pois conferem resistência ao peso da neve à cobertura. Essas membranas são bastante rígidas e, além de resistirem, também distribuem o peso por toda a cobertura.

Qual o sistema mais usado, os painéis prontos ou as telhas térmicas montadas na obra?
MIRANDA - Hoje, quando se fala em telhas térmicas, o que vem à cabeça dos consumidores são os painéis prontos de fábrica recheados com poliuretano. Essa é a solução mais usada no mercado, embora haja muitos projetos grandes sendo executados com telhas e lãs. Os painéis dão uma ideia de ser um produto acabado, já pronto, por isso são associados a uma montagem menos complexa.

Essa associação acaba condicionando o projetista a especificar o produto acabado?
MIRANDA - Sim, isso acontece. Vemos projetos onde esses painéis já acabados não seriam a solução mais indicada. As telhas zipadas têm uma presença grande em obras industriais com áreas acima de 5 mil m².

Isso não seria ruim para difundir o produto como uma solução capaz de atender a diversas situações?
CAROLINE SALVADOR KUERTEN - O uso está associado ao desenho arquitetônico, ao formato e à inclinação da cobertura. Se a obra tem uma cobertura com grandes vãos e baixa inclinação, não há como escapar das telhas zipadas contínuas, sem emendas e sobreposições. Vale ressaltar que os painéis prontos permitem velocidade maior à obra. O sistema composto exige montagem mais lenta e mão de obra qualificada. São conceitos diferentes.
CRUZ - O uso do painel, por outro lado, aumenta muito o custo do frete. No sistema montado, é possível levar um volume muito maior de materiais em uma carreta.
Miranda - A diferença é brutal. É possível embarcar 5 mil m² de telhas simples em uma carreta, enquanto embarca-se, no máximo, 800 m² de painéis em telhas sanduíches. Mas, por outro lado, na obra, basta içá-los e fixá-los à estrutura.
AQUILINO - Também encontramos falta de homogeneidade em termos de isolação térmica em alguns pontos nos sistemas montados em obra, o que não acontece no sistema pronto.

Qual é o momento certo de especificar o sistema?
MIRANDA - Muitos clientes se preocupam mais com a estrutura do que com o fechamento. A estrutura existe para segurar a telha. É preciso pensar na cobertura a partir da telha, para depois pensar na estrutura que suportará essa telha.

Já há normas balizando o produto?
MIRANDA - Estamos redigindo uma norma para as chamadas telhas sanduíches, já em andamento. É possível que o texto seja disponibilizado para consulta pública ainda neste ano. O objetivo dessa norma é estabelecer desempenhos e obrigar os fabricantes a ensaiar e classificar seus produtos de acordo com as classes estabelecidas.

 

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