Desaquecimento do mercado da construção pressiona construtoras a buscarem eficiência; gestão de processos, produtos e tecnologia será decisiva | Construção Mercado

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Desaquecimento do mercado da construção pressiona construtoras a buscarem eficiência; gestão de processos, produtos e tecnologia será decisiva

Por Eduardo Campos Lima
Edição 158 - Setembro/2014

ILUSTRAÇÃO: SERGIO COLOTTO

O crescimento significativo que as empresas de construção civil tiveram, entre 2007 e 2011, pode ser comprovado por meio de diferentes indicadores, como o incremento nos lançamentos, que foi de 24% ao ano (em área lançada), e a elevação da receita líquida, que foi de 50% ao ano, conforme dados compilados em estudo da consultoria EY referentes a sete das maiores construtoras e incorporadoras do País. A evolução não foi suficiente, entretanto, para superar a expansão dos custos, que foi de 60% ao ano, no mesmo período. O resultado foi o achatamento da margem Ebidta (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), que caiu de 21%, em 2007, para 16%, em 2011. Aumentar a produtividade, nesse cenário, tornou-se condição central para retomar as margens de lucro.

"O contexto atual das empresas é propício para que se defina a evolução da produtividade como meta importante para o negócio. Há quatro ou cinco anos, o crescimento do mercado e a inflação de preços por metro quadrado não pressionavam em direção ao aumento da eficiência. Hoje, como demanda e preço estão em acomodação, resultados melhores dependem de processos mais eficientes", argumenta Flavio Barreiros, sócio de consultoria da EY.

Conforme explica Hélcio Bueno, sócio em consultoria para real estate da EY, em outros ramos da economia, momentos de pressão do mercado, com custos mais elevados, propiciaram a busca pela inovação. "No setor da construção, durante muitos anos as empresas ganharam dinheiro com base na performance financeira dos empreendimentos. Vemos agora um ciclo que ocorreu em outras indústrias chegando ao setor de forma mais tardia", explica.

O cenário, entretanto, apresenta obstáculos. Há limitação da oferta de mão de obra especializada e, ao mesmo tempo, o setor da construção permanece tendo capacidade alta de geração de emprego, o que acarreta elevação relativa do custo do trabalho - mas sem os ganhos de produtividade correspondentes. Soma-se ao quadro a baixa qualificação dos trabalhadores da construção em todos os níveis, algo difícil de equacionar no curto prazo. O problema, na pesquisa da EY, foi apontado por executivos de construtoras e incorporadoras como item com mais impacto sobre a produtividade das empresas.

OBSTÁCULOAS À PRODUTIVIDADE

Os executivos ouvidos pela EY apontaram como principais entraves para avanços na produtividade da construção civil a baixa qualificação da mão de obra e a falta de métodos de gestão focados em resultados

Fonte: Estudo sobre produtividade na construção civil: desafios e tendências no Brasil, da EY

DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO

Pesquisa realizada pela FGV/Firjan entrevistou 159 especialistas, construtores e fornecedores. A percepção da maioria deles é que o avanço tecnológico das empresas de construção civil, especificamente do segmento de edifícios, encontra-se em estágio intermediário atualmente. Confira:


Fonte: FGV/Firjan


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