Definição de metas, avaliação contínua e racionalização dos processos devem fundamentar estrutura da organização e gerenciamento do canteiro | Construção Mercado

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Definição de metas, avaliação contínua e racionalização dos processos devem fundamentar estrutura da organização e gerenciamento do canteiro

Por Aline Mariane
Edição 158 - Setembro/2014
Charmaine Paulson/Shutterstock

Com o desenvolvimento expressivo do setor da construção nos últimos anos, a complexidade do negócio das empresas cresceu. Surgiu a necessidade de gerir vários empreendimentos ao mesmo tempo e lidar com uma estrutura administrativa mais robusta. Mas grande parte dos dirigentes de incorporadoras e construtoras acredita que o gerenciamento dos processos não tem conduzido as empresas rumo à eficiência. Em pesquisa realizada pela consultoria EY, 97% dos executivos entrevistados apontaram como lacuna importante a ausência de métodos de gestão apropriados, algo que atravanca os avanços necessários e prejudica o desempenho das companhias.

Para ganhar produtividade, é fundamental promover transformações na gestão das empresas, conforme apontam especialistas no tema. É o que recomenda Hélcio Bueno, sócio em consultoria para real estate da EY. "No setor da construção há uma falta generalizada de gestão por indicadores de produtividade. Estão todos acostumados a uma gestão mais intuitiva", define.

Cabe à diretoria-executiva estabelecer o tema da produtividade em sua agenda e, com isso, criar uma cultura de administração por resultados que perpasse a estrutura da empresa. Assim, fica estabelecido o modelo de produção no qual todas as atividades serão fundamentadas.

Em estudo sobre os desafios da construção civil encomendado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e realizado pela Fundação Getulio Vargas, a necessidade de desenvolver sistemas e adotar tecnologias de gestão empresarial que visem à industrialização da produção é apontada como central para ampliar a produtividade. Os caminhos envolvem a integração de projeto, planejamento, orçamento e gestão por meio de sistemas informatizados e a padronização de processos.

Definidas as metas organizacionais, o processo é disparado por um amplo diagnóstico da produtividade atual da empresa, verificando-se também os itens que podem atrapalhar ou dificultar as atividades. "A primeira coisa é medir a produtividade e, após essa medição, definir metas para cada canteiro de obra. Nós analisamos continuamente se estamos conseguindo alcançar os objetivos delimitados e, em caso negativo, trabalhamos para verificar o que está acontecendo", explica Jorge Batlouni, diretor da Tecnum Construtora.

Segundo Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Produtime, há três dimensões nas quais é preciso tomar decisões que modificam a produtividade: a organização do trabalho, o projeto dos produtos e o projeto dos processos. É preciso definir parâmetros e indicadores para cada uma delas.

Evitar desperdício de materiais também contribui para o aumento da produtividade, sendo recomendável implementar medidas de controle e verificação permanente.

Gestão de pessoas
A gestão de recursos humanos é parte importante do processo. Hélcio Bueno, da EY, explica que há incorporadoras que condicionam o bônus de seus executivos à produtividade atingida em uma obra ou em um conjunto de obras, sendo levados em conta aspectos como economia de recursos, por exemplo.

No que se refere às operações em canteiro, o planejamento de cada atividade deve considerar a capacidade efetiva da mão de obra para executar as tarefas nos tempos previstos, levando em consideração as possíveis interferências que podem surgir durante a execução, tais como rotatividade de equipes, tempo de transporte de materiais e componentes, tempo de espera inerente aos serviços, pontos de controle, inspeção e liberação, variações climáticas e paradas de equipamento. Para tal, de acordo com Marcia Menezes, diretora da área de Inovação & Tecnologia do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), a empresa deve manter um processo de coleta de índices de forma a manter um histórico confiável de informações.

Quando é necessário intervir, as ações passam, em geral, por novos treinamentos para capacitação da mão de obra. A baixa qualificação dos trabalhadores da construção civil aparece, justamente, como principal desafio para aumentar a produtividade no setor, tanto na pesquisa da EY quanto no estudo da FGV/Firjan.

Divulgação: CTE



'Não há como aumentar a produtividade com rotatividade alta'

Marcia Menezes
diretora da área de Inovação & Tecnologia do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE)


Nem sempre é fácil, contudo, levar a cabo iniciativas de qualificação profissional. O principal obstáculo, apontado por empresários e executivos do setor, é a dificuldade de reter mão de obra, o que dificulta programas continuados de treinamento. "Não há como aumentar a produtividade com rotatividade alta", aponta Menezes, do CTE. Além disso, há o fato de que as construtoras fazem uso intensivo de mão de obra subcontratada. As soluções para o problema extrapolam as possibilidades individuais de cada empresa e envolvem a necessidade de atuação setorial e apoio do governo.

Entretanto, há alternativas. O investimento em capacitação, se adequadamente medido e planejado, gera benefícios para as construtoras e, dependendo da situação, pode ser a única forma de recuperar a eficiência. Foi o que perceberam os executivos da Dinâmica, construtora que atua no segmento residencial em Goiânia e Brasília. Após verificar uma queda de produtividade e de qualidade nos seus produtos, a empresa identificou que era necessário qualificar melhor seus funcionários administrativos, encarregados, mestres de obras e engenheiros. A construtora optou por contratar uma consultoria, que realizou treinamento de quatro módulos sobre gestão de obras. "Com as mudanças no mercado, nos últimos anos, perdemos muita mão de obra qualificada. Tivemos que treinar novamente os funcionários que ficaram", conta Moacir Benedito, coordenador de obras da construtora.

Foto: Marcelo Scandaroli



'A primeira coisa é medir a produtividade e, após essa medição, definir metas para cada canteiro de obra'

Jorge Batlouni
diretor da Tecnum Construtora



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