Com remuneração e ferramentas de comunicação adequadas, desenvolvimento de projetos é capaz de proporcionar ganhos de produtividade à execução de empreendimentos | Construção Mercado

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Com remuneração e ferramentas de comunicação adequadas, desenvolvimento de projetos é capaz de proporcionar ganhos de produtividade à execução de empreendimentos

Por Bruno Loturco
Edição 158 - Setembro/2014
Divulgação: matec
Divulgação: matec

Nos últimos dois anos, o setor da construção civil empenhou esforços para impor melhorias aos seus projetos e aprimorar o planejamento dos empreendimentos, obtendo assim ganhos de produtividade. A informação é de estudo sobre produtividade na construção civil realizado pela EY.

O mesmo documento revela que, atualmente, enquanto projetos deficientes são apenas o quinto motivo de baixa produtividade citado, as principais lacunas sentidas pelos executivos são a falta de qualificação da mão de obra e de métodos de gestão apropriados.

Em vez de direcionar o problema unicamente para a mão de obra operária, Roberto da Cunha, chefe do Núcleo de Projetos Especiais em Construção Civil do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Senai/RJ), afirma que "o setor está precisando de qualificação de mão de obra em todos os níveis". Afinal, explica ele, quanto melhor o projeto e o planejamento, menos decisões são tomadas em canteiro. "Quando delegamos a autonomia da produção para a ponta, é porque tem alguma coisa muito errada. Quanto mais decisão houver no canteiro, menos planejamento e projeto foram feitos antes", analisa.

Antonio Batalha



'Quanto mais decisão houver no canteiro, menos planejamento e projeto foram feitos antes'

Roberto da Cunha

chefe do Núcleo de Projetos Especiais em Construção Civil do Senai/RJ



Os problemas decorrentes da falta de investimento em projeto são perceptíveis no caixa do empreendimento, conforme compara Sérgio Falcão, diretor-executivo técnico da Engineering. Ele diz que, de acordo com sua experiência prática, é corriqueiro no mercado considerar contingência de 5% a 7%, durante a construção. "Em obras sem projeto bem elaborado, pode-se chegar a sobrecusto na casa de 20% a 25%. Em obras que valem R$ 100 milhões, são R$ 25 milhões. Não é desprezível", alerta.

As observações são condizentes com os resultados de estudo sobre os desafios da construção civil elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). De acordo com o levantamento, a produtividade ampliada será resultado, na cadeia da construção, de processos industrializados e projetos cujo ingrediente principal é a construtibilidade. Cunha, que participou da elaboração do estudo, diz que "é o projeto que dá sentido à obra, sendo seu padrão de qualidade. Sem um projeto bem desenvolvido e associado ao planejamento, certamente não haverá execução de qualidade".

Mão de obra projetada
Nesse sentido - e até mesmo porque a qualificação da mão de obra demanda processos mais morosos - o estudo da Firjan propõe como ações para mitigar a carência por qualificação na ponta final o emprego de tecnologias visando ao aumento da produtividade, de forma a reduzir a necessidade de mão de obra e permitir maiores salários, e melhores condições de trabalho.

Inevitavelmente, as recomendações do estudo passam por decisões de projeto, conforme salienta Falcão, para quem a produtividade está diretamente ligada a soluções baseadas em repetição. "Quanto mais repetitiva, mais assertiva", garante. Em paralelo, também é responsabilidade do projeto priorizar a industrialização, concebendo sistemas que sejam feitos fora do canteiro. Isso, diz Falcão, aumenta a produtividade por não exigir que o terreno fique pronto para começar a produção. "São decisões tomadas durante o projeto. Qualquer etapa que se consiga industrializar proporciona ganhos de prazo e qualidade, com menos retrabalho", conta.

Sobre este debate, Cunha salienta que os conceitos de industrialização e repetitividade não se confrontam com a criatividade inerente ao trabalho dos arquitetos, principalmente. Para ele, embora seja salutar conceber soluções de padronização para os sistemas construtivos, é preciso sempre respeitar condições de entorno e de terreno. "Em países como a Alemanha, há uma padronização rigorosa em elementos de fechamento, mas sem perda de qualidade", exemplifica.

Para ilustrar a importância do projeto na produtividade da mão de obra, Falcão fala sobre um empreendimento, que tem participação da Engineering, que reduziu em 20% o prazo executivo devido a soluções de projeto, como a adoção do sistema top-down para execução da estrutura.

No entanto, o modelo de industrialização exige alta precisão, já que não permite improvisos no canteiro. "A compatibilização entre os projetos de todas as disciplinas precisa ser muito detalhada para diminuir ao máximo as não conformidades", salienta Marcelo Pulcinelli, diretor de Engenharia da Matec.

De acordo com ele, ainda existem divergências conceituais no debate que envolve ganho de produtividade e industrialização. Afinal, explica, é possível melhorar a produtividade da execução da alvenaria sem mudar a metodologia de execução, apenas investindo em racionalização. "Entretanto, não é este o modelo que a industrialização busca, mas, na verdade, montar uma parede com peças prontas e industrializadas."

Integração fundamental
Não à toa, portanto, o painel de especialistas proposto pelo estudo da Firjan indicou o Building Information Modeling (BIM) como a tecnologia prioritária para a competitividade do segmento de edificações. Dos 22 representantes do setor industrial, de instituições científicas e tecnológicas e de entidades do setor que compunham o painel, 14 salientaram a relevância do BIM, com perspectiva de difusão no médio prazo. Ou seja, como diferencial tecnológico para os próximos dez anos.


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