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Ficha técnica

Saiba em quais situações a alvenaria estrutural é competitiva, assim como condicionantes para o uso bem sucedido dessa solução

Por Juliana Nakamura
Edição 158 - Setembro/2014
Foto: Marcelo Scandaroli
Os blocos para alvenaria estrutural exigem controle rigoroso sobre a especificação, fornecimento e utilização. No Brasil, os blocos de concreto são mais utilizados, especialmente em empreendimentos mais altos

Solução construtiva amplamente estudada e utilizada, especialmente em empreendimentos residenciais, a alvenaria estrutural vem passando por aprimoramentos nos últimos anos visando a atingir o limite de sua produtividade. "A utilização de equipamentos de movimentação, como gruas, facilitou o transporte dos blocos e permitiu o uso de escadas e lajes pré-moldadas em prédios mais baixos e pré-lajes em edifícios mais altos", exemplifica Guilherme Parsekian, coordenador do Laboratório de Sistemas Estruturais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). "A indústria de blocos, por sua vez, melhorou os seus produtos e já há argamassa estrutural e grautes disponíveis em diversas resistências, fornecidas em sacos", acrescenta o engenheiro José Luiz Pereira, um dos precursores da alvenaria estrutural no Brasil e diretor da LJP Engenharia.

Divulgação: Selecta
A entrega dos blocos em paletes facilita o descarregamento e a armazenagem no canteiro e é fundamental para garantir o fluxo de produção e alta produtividade

Grande parte das construções do programa habitacional Minha Casa Minha Vida aproveitou-se da alvenaria estrutural, o que também colaborou para a disseminação do processo construtivo. "Aumentou a oferta de ferramentas para facilitar e garantir a produção correta das paredes, crescendo a produtividade e diminuindo as perdas e a quantidade de homens-hora. Além disso, houve um significativo aumento dos trabalhos científicos relacionados com esse tipo de construção, trazendo para os canteiros de obra os resultados de pesquisas acadêmicas", diz o engenheiro Roberto de Araújo Coelho, diretor da Racional Sistemas Construtivos.

Hoje, o foco está em agregar eficiência e produtividade para garantir boas margens econômicas com o uso do sistema. Segundo o projetista de estruturas Arnoldo Wendler, consultor da Comunidade da Construção, da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), na alvenaria estrutural a evolução está no canteiro e não tanto no projeto. "Os ganhos estão em executarmos as obras com planejamento e logística adequados, em planejarmos o fluxo de materiais, sabermos quantos blocos vamos utilizar a cada dia, para estar tudo abastecido. É aí que estão as maiores oportunidades, industrializando o canteiro", afirma o engenheiro.

Análise de viabilidade
Normalmente a utilização da alvenaria estrutural está vinculada à padronização dimensional e à falta de flexibilidade para alterações futuras, pelo fato de a estrutura estar integrada às paredes. Isso acabou fazendo com que o sistema encontrasse um nicho de aplicação importante em empreendimentos residenciais de padrão econômico.

"Nesses casos, a economia da alvenaria estrutural em comparação a outros sistemas costuma ser grande. Mas o sistema não está restrito a esses tipos de habitação. Em edificações com vãos maiores, menor quantidade de paredes estruturais e com algumas paredes de vedação que podem ser removidas, pode haver também aplicabilidade do sistema, com menor redução no custo", explica o professor Parsekian.

A viabilidade e competitividade de um projeto em alvenaria estrutural dependem de se ter um layout fixo e repetitivo nos pavimentos, de forma que as paredes se sobreponham, facilitando a transferência dos carregamentos verticais. "As dimensões horizontais e verticais devem atender ao módulo mínimo da família de blocos, para que não seja necessário empregar blocos complementares", comenta Roberto Coelho.

Segundo Arnoldo Wendler, a alvenaria estrutural é bastante competitiva em edifícios residenciais e comerciais com vãos de laje de até 7 m ou 8 m. Mas há um ponto ótimo de utilização em edifícios com vãos de laje até 5 m, espessura de laje de 10 cm a 11 cm e preferencialmente com unidades no térreo. Essas condições abrangem uma gama de prédios acima do que é designado como econômico, chegando a um padrão de médio porte. "Mas é possível ir além. Se tivermos uma transição bem estudada, com pilares nos pontos certos, conseguimos viabilizar edifícios bastante altos, com cerca de 20 a 22 pavimentos-tipo, sobretérreo e subsolos em concreto armado. Isto permite atingir faixas de alto padrão com custo inferior aos que utilizam estruturas convencionais de concreto", revela.

De modo geral, a alvenaria estrutural mostra-se pouco indicada em empreendimentos nos quais há predominância de paredes em uma única direção. Essa situação é usualmente encontrada quando existem várias opções de planta. "Projetos de grandes balanços também não contribuem para o sistema. Varandas com pequenos balanços ou ainda varandas embutidas entre paredes estruturais são ideais. Balanços médios apoiados em vigas são possíveis, mas dificultam e encarecem a obra", pontua Guilherme Parsekian. Ele lembra, ainda, que edificações com elevado efeito da ação lateral, casos de prédios muito altos ou sujeitos a elevadas ações sísmicas podem tornar o uso da alvenaria estrutural inviável.

Compatibilização crítica
O resultado técnico e financeiro do uso da alvenaria estrutural está condicionado à atenção com alguns pontos críticos durante as etapas de projeto e de execução. A concepção, por exemplo, deve considerar não apenas a viabilidade estrutural, mas também a integração entre os subsistemas, arquitetura, estrutura e instalações. "Se o projeto não for pensado como um todo, compatibilizando arquitetura com a coordenação modular oferecida pelos blocos, se as instalações não estiverem previamente resolvidas e detalhadas no projeto, o sistema construtivo não irá funcionar", alerta Parsekian. "O mais importante na fase de projetos é a compatibilização entre todas as suas modalidades e também entre o projeto total, a construtora e o empreendedor. O projeto deve representar a viabilidade financeira do empreendedor, a viabilidade executiva da construtora e atender a todos os aspectos normativos do sistema, principalmente a norma de desempenho NBR 15.575", acrescenta Arnoldo Wendler.

Outro ponto fundamental é o uso de blocos estruturais, de alta resistência e com uniformidade dimensional. A alvenaria estrutural pode ser executada com bloco de concreto, cerâmico e sílico-calcário. "A opção por um ou outro material depende da análise de uma série de fatores, como disponibilidade e distância do fornecedor dos blocos, necessidade de altas resistências para edifícios, escolha de algum modelo específico e custos", lista o engenheiro José Luiz Pereira.


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