Compra deve estar sujeita à avaliação da qualidade dos blocos e da capacidade de entrega do fornecedor | Construção Mercado

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Compra deve estar sujeita à avaliação da qualidade dos blocos e da capacidade de entrega do fornecedor

Por Bruno Loturco
Edição 158 - Setembro/2014
Foto: Marcelo Scandaroli
Bloco deve ter suas características verificadas, como resistência e dimensões

Elementos estruturais utilizados em grande quantidade, os blocos - cerâmicos ou de concreto - para alvenaria estrutural fazem parte do caminho crítico de uma obra. Sendo assim, sua aquisição deve fazer parte do planejamento estratégico. Afinal, é preciso evitar problemas relacionados ao desempenho desses materiais e à capacidade de entrega por parte do fornecedor escolhido.

Especificação
O diretor de suprimentos da MRV Engenharia, Darnon Medeiros, conta que, para a especificação de blocos estruturais, a empresa leva em consideração as normas brasileiras pertinentes e as orientações de seu departamento de engenharia. "A tipologia é padronizada, mas pode haver mudanças em função da região onde a obra é executada. Como atuamos em 121 cidades, em alguns casos temos de nos adaptar à oferta local", explica.

Embora a especificação dos materiais possa ser feita pelo projetista estrutural e, só então, repassada à construtora para a compra dos blocos, no caso da MRV o procedimento é invertido. "A especificação é exclusiva da nossa engenharia, em conjunto com a área de suprimentos, que conhece o mercado", revela. "A quatro mãos fazemos a definição e só depois enviamos para que o calculista projete em função do que foi estabelecido", conta.

Nesse ínterim, complementa Medeiros, é feita a comparação entre blocos cerâmicos e de concreto. Uma vez que o setor atua em conjunto com a área de engenharia, a especificação ganha alguma flexibilidade para definir o material mais competitivo, levando-se em consideração a região e as características do empreendimento.

O motivo para a inversão está relacionado a questões de mercado, pois é mais prático orientar o projetista com base no que está disponível para venda, levando- se em conta aspectos como condições de pagamento, qualificação da mão de obra e os equipamentos empregados para movimentação de carga. Caso contrário, há o risco de o projeto, já contendo a especificação, ter de ser refeito ou adaptado se a equipe de suprimentos encontrar uma situação adversa para aquisição da tipologia de bloco especificada pelo projetista.

Escolha dos fornecedores
O principal critério para definição do fornecedor de blocos estruturais deve ser a qualidade, conforme salienta o diretor de suprimentos da MRV. Associada à avaliação da qualidade dos produtos está a confiabilidade na empresa fornecedora. "Só no final é que entramos negociando para chegar ao melhor preço", diz. "Como atuamos há 35 anos nesse mercado e temos tecnologia para executar alvenaria estrutural, temos parcerias que já duram décadas", acrescenta.

Ele julga imprescindível exigir da empresa fabricante de blocos o fornecimento de laudos de laboratório que atestem resistência, capacidade de absorção de água e precisão dimensional. "Quando o bloco não passa nos ensaios, o fornecedor tem que recolher o lote e repor sem qualquer custo à construtora", defende.

Outra avaliação a ser feita, referente à confiabilidade, diz respeito à capacidade de produção da empresa contratada. "Esse é um quesito muito importante. Visitamos todos os fornecedores antes de fechar qualquer negociação e constatamos, in loco, qual sua capacidade de produção", explica Medeiros.

Somente a partir desse levantamento, associado à quantidade de clientes em carteira do fornecedor, é que ele julga ser possível estimar o volume real disponível para compra. "Um erro nessa análise pode gerar desabastecimento futuro e prejuízo tanto em prazo quanto em custo das obras", alerta.

Entrega e pagamento
Quando as questões técnicas e logísticas estiverem resolvidas, é preciso estabelecer, em contrato, a data de início de fornecimento, as quantidades a serem entregues e a periodicidade. Outra decisão importante diz respeito à paletização. Medeiros conta que, como envolve o uso de equipamentos, a entrega em paletes deve ser contemplada desde a negociação. Além disso, assegura, "a descarga na obra deve ser por conta do fornecedor".

Armazenamento
A estocagem dos blocos em canteiro deve ser planejada antecipadamente pela equipe de engenharia da obra. A situação ideal, explica Medeiros, se dá quando o bloco sai do caminhão e vai diretamente para o local onde será aplicado.

Nos casos em que isso não é possível, deve haver um local específico para armazenamento, com rota logística planejada, a salvo de intempéries. O ideal é que os blocos não fiquem estocados por muito tempo. Além disso, deve-se atentar para a altura das pilhas de blocos - com até nove camadas, no máximo, ainda é possível que a movimentação seja feita manualmente.

NORMAS TÉCNICAS

NBR 15.961:2011 - Alvenaria Estrutural - Blocos de Concreto
NBR 15.812:2010 - Alvenaria Estrutural - Blocos Cerâmicos
NBR 15.270:2005 - Componentes Cerâmicos - Blocos Cerâmicos para Alvenaria Estrutural
NBR 14.321:1999 - Paredes de Alvenaria Estrutural - Determinação da Resistência ao Cisalhamento
NBR 14.322:1999 - Paredes de Alvenaria Estrutural - Verificação da Resistência à Flexão Simples ou à Flexocompressão
NBR 8.949:1985 - Paredes de Alvenaria Estrutural - Ensaio à Compressão Simples - Método de Ensaio

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