Construtoras enxugam equipes e apostam em líderes com mais bagagem | Construção Mercado

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Construtoras enxugam equipes e apostam em líderes com mais bagagem

Por Marina Teixeira
Edição 159 - Setembro/2014
Divulgação: Asap


'Nos tempos de crescimento expressivo, a maior competência que o mercado buscava nos líderes era o dinamismo, valorizando quem trouxesse resultados rápidos. Hoje a experiência é fundamental e o líder deve ser capaz de fazer boas análises e engajar a equipe'

Juliano Ballarotti
diretor da consultoria Asap Recruiters

A exceção é a área de engenharia, especialmente nas funções responsáveis por planejamento de obras. Nessa área, o rigor técnico está ainda mais valorizado neste momento. O motivo é que boa parte dos prejuízos das empresas nos últimos anos se deve a cálculos de custos de obras mal feitos.

Segundo Kallas, preencher uma vaga de liderança na área técnica é uma das tarefas mais difíceis para as construtoras. O motivo é que há uma lacuna de engenheiros na faixa de 40 anos atuando na construção civil. "A engenharia foi uma profissão pouco valorizada nos anos 1990 e muitos profissionais que se formaram nesta época migraram para outros segmentos, principalmente o mercado financeiro", conta o vice-presidente do Secovi-SP. Só o tempo fará com que essa perda de potenciais líderes seja recomposta.

Profissionalização
Apesar dos prejuízos pela falta de rigor na hora de crescer, o período de "vacas gordas" no setor deixou algumas mudanças positivas. Com as exigências de governança corporativa impostas às empresas que abriram capital, diversas construtoras tiveram de se profissionalizar.

Calão Jorge/Secovi-SP



'Uma diminuição forte das vendas fará com que mesmo empresas em situação financeira boa façam reduções de quadros para se adequar'

Emilio Kallas
vice-presidente de incorporação do Secovi-SP

Para isso, elas buscaram profissionais de outros mercados, que conheciam métodos de gestão, processos e sistemas. "Isso foi ótimo, porque trouxemos líderes de empresas mais profissionalizadas, provocando a mão de obra que existia no setor imobiliário a prestar atenção nisso", lembra a gerente de RH da Tecnisa.

A cultura de profissionalização se espalhou no mercado e chegou até mesmo a empresas de capital fechado. A construtora Tarjab, por exemplo, começou a revisão de processos há três anos, em meio a uma transição da empresa de companhia com gestão familiar para empresa profissionalizada. "Contratamos profissionais de outros mercados para desenvolver processos e trazer novas práticas de gestão", conta o gerente de recursos humanos, Bruno Profeta Figueira.

Apesar de as incorporadoras persistirem com o interesse em captar líderes de outras indústrias, a retração no setor tornou-o menos atrativo para eles, relatam os especialistas em recrutamento procurados pela reportagem. Com a desaceleração da economia brasileira, no entanto, a visão das construtoras é de que as empresas de todos os setores tendem a pisar no freio e ser mais conservadoras na oferta de salários. "Vamos continuar buscando profissionais em outros mercados. A desaceleração da economia afetou todas as empresas", afirma a gerente de recursos humanos da PDG no Rio de Janeiro, que trocou o emprego em uma mineradora pelo trabalho na companhia.


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