Falhas de especificação e de planejamento comprometem o desempenho das portas de madeira e são motivo frequente de reclamações pós-ocupação | Construção Mercado

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Ficha técnica

Falhas de especificação e de planejamento comprometem o desempenho das portas de madeira e são motivo frequente de reclamações pós-ocupação

Por Juliana Nakamura
Edição 159 - Setembro/2014
Divulgação: Multidoor
Especificação correta de portas de madeira deve fundamentar-se no perfil de uso e desempenho esperado

A qualidade e o desempenho das portas de madeira utilizadas em edificações ganharam os holofotes nos últimos anos com a publicação da ABNT NBR 15.930 - Portas de Madeira para Edificações, em 2011, e da ABNT NBR 15.575 - Edificações Habitacionais - Desempenho, em 2013. Embora ainda haja muitos fabricantes produzindo portas de madeira sem qualquer preocupação com os requisitos mínimos de qualidade, a certificação recente de 14 marcas de portas pela ABNT Certificadora também representou um passo importante rumo à maior qualificação desses componentes. A conquista foi obtida no âmbito do Programa Setorial da Qualidade para Portas de Madeira de Edificações (PSQ/PME) da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).

Tudo isso, contudo, não significa que as construtoras estejam adquirindo portas melhores para seus empreendimentos. Para o vice-presidente coordenador do comitê de portas da Abimci, Caetano Balvedi Neto, os motivos vão desde a falta de informação dos compradores para distinguir uma porta de qualidade de uma porta comum à dificuldade de projetistas, construtores e incorporadores em ver as portas como um componente importante para o desempenho da edificação. "O mercado precisa romper com o paradigma da porta única e parar de ver as portas como mera commodity", diz Balvedi.

Segundo dados da Abimci, o mercado brasileiro de portas produz cerca de 600 mil unidades por mês. Praticamente todo esse volume é destinado ao consumo interno. No momento estão em vigor as partes 1 (Terminologia e Simbologia) e 2 (Requisitos) da NBR 15.930. As partes 3 (Requisitos de Desempenho Adicionais) e 4 (Instalação e Manutenção) estão em desenvolvimento, com previsão para publicação em 2015.

PORTA DE USO INTERIOR

Fonte: ABNT NBR 15.930 - Portas de Madeira para Edificações

ENSAIOS DE DESEMPENHO

A NBR 15.930 apresenta dez ensaios para avaliar o desempenho das portas de madeira e definir a sua classificação por perfil de desempenho

Critérios de especificação
Embora seja crucial para respaldar uma boa aquisição, a especificação costuma ser deficiente quando se trata de portas de madeira. Em vez de apresentar requisitos mínimos de desempenho, na maioria das vezes a especificação se limita a termos como "porta lisa para pintura" ou "porta lisa branca". O ideal, na visão do engenheiro Roberto Pimentel Lopes, diretor técnico do comitê de portas da Abimci e coordenador da comissão de estudos de portas da ABNT, seria que a especificação contemplasse:
1) A qualificação do produto por desempenho, atentando para itens como eventual certificação de conformidade ABNT do produto e se ele compõe algum programa de qualidade.
2) Condições de uso e ocupação: trata- se de ambiente privado ou coletivo?
3) Local de instalação da porta - a NBR 15.930-2 classifica as portas em cinco tipos:
- Porta Interna de Madeira (PIM)
- Porta Interna de Madeira Resistente à Umidade (PIM RU)
- Porta de Entrada de Madeira (PEM)
- Porta de Entrada de Madeira Resistente à Umidade (PEM RU)
- Porta Externa (PXM)
4) Dimensões.
5) Desempenho, relacionado a critérios como massa da porta por kg/m², variação dimensional, desempenho mecânico, resistência à torção estática, ao impacto de corpo mole e duro, ao carregamento vertical.
6) Avaliação da aparência do produto (padrão A, B ou C, segundo a NBR 15.930-2).
7) Acabamento de fábrica: verniz, pintura etc.
8) Requisitos adicionais: resistência ao fogo, capacidade de isolamento acústico, isolamento à radiação, propriedades antiarrombamento etc.

Cadu Primola/Multidoor
Local de instalação da porta de madeira condiciona tipologia aplicada. Banheiros, por exemplo, devem contar com portas com resistência à umidade

Atualmente, quase a totalidade das portas de madeira fabricadas no Brasil utiliza matéria-prima de floresta plantada, em sua maioria das espécies pinus e eucaliptus. Na fábrica, aplicam-se processos de engenharia para elevar a qualidade da madeira. "A própria secagem, quando executada adequadamente, contribui em grande parte para o futuro desempenho dimensional e de resistência da porta", afirma Balvedi. A matéria-prima recebe tratamento por imersão e é recomposta, passando por processos de seleção de peças e colagem da madeira engenheirada (engineered wood), com métodos de colagem como finger-joint, que criam uma nova peça com resistência 40% maior.


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