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Classificação de portas a partir de critérios de desempenho simplifica especificação, mas exige melhor conhecimento da norma por parte dos compradores

Por Bruno Loturco
Edição 159 - Setembro/2014

Famossul/Abimci
Fabricantes fornecem diferentes tipologias de portas, que devem ser adequadamente especificadas pelos construtores

Se há alguns anos o próprio uso de madeiras nativas proporcionava qualidade mínima às portas, com a restrição à extração, há aproximadamente uma década, os fabricantes tiveram de se adaptar para alcançar os mesmos níveis de desempenho. "A madeira de florestas plantadas tem densidade menor e presença de nós. Isso exige engenharia aplicada ao produto, o que revolucionou o mercado", analisa Roberto Pimentel, diretor técnico do Comitê de Portas da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).

Ainda que o processamento da madeira tenha dado um salto de qualidade nos últimos anos, conforme considera Pimentel, ele afirma que o mesmo não pode ser dito dos critérios que pautam o mercado. "O conceito é de porta única, que tem como característica principal ser barata", lamenta, ao revelar que as principais construtoras do mercado adotam o mesmo tipo de porta para as mais diversas aplicações. "Quando a empresa quer agregar valor, coloca uma fechadura mais bonita", pontua.

Ainda que o processamento da madeira tenha dado um salto de qualidade nos últimos anos, conforme considera Pimentel, ele afirma que o mesmo não pode ser dito dos critérios que pautam o mercado. "O conceito é de porta única, que tem como característica principal ser barata", lamenta, ao revelar que as principais construtoras do mercado adotam o mesmo tipo de porta para as mais diversas aplicações. "Quando a empresa quer agregar valor, coloca uma fechadura mais bonita", pontua.

Além disso, a industrialização do processo fica comprometida quando é prática comum no mercado a medição, por parte da fornecedora, de cada um dos vãos da obra. O problema, aponta Pimentel, é a falta de padronização nos sistemas construtivos. "O sistema de porta permite regulagem de cerca de 20 mm. E, mesmo assim, não dá certo. É um problema da construtora que a indústria foi para o canteiro resolver", diz.

Especificação
Pimentel afirma que a compra deve ser sempre precedida de especificação, mas que isso não acontece na maioria das vezes. "A especificação que há hoje é do tipo 'porta lisa para pintura', sendo que deveria contemplar desempenho, tipologia etc.", diz.

A norma estabelece diferentes tipologias de portas, aplicáveis a usos e funções distintos (saiba mais na Técnica Ilustrada 1).

TABELA 1 - CLASSIFICAÇÃO DAS PORTAS EM FUNÇÃO DOS ESFORÇOS MECÂNICOS GERAIS

TABELA 2 - PERFIS DE DESEMPENHO MÍNIMO EM FUNÇÃO DA LOCALIZAÇÃO E DO USO EM OCUPAÇÃO RESIDENCIAL

Além disso, podem ser incluídos requisitos adicionais de isolação sonora a ruídos aéreos e de resistência ao fogo, geralmente para portas tipo PEM, PEM-RU e PXM. Obviamente, afirma Claudio Mitidieri, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), requisitos relativos a dimensões nominais, variação nominal (VN) esperada e padrões de acabamento devem também ser considerados na especificação, além do tipo e modelo de porta, considerando o acabamento superficial, se verniz ou pintura.

A falta de especificação, alerta Balvedi, cria um campo fértil para erros. Afinal, fornecedores mal-intencionados ou mal preparados podem entregar qualquer tipo de produto sob especificação tão genérica.

Como forma de garantir a qualidade, Pimentel sugere sempre exigir certificação por parte do fornecedor. "Mas a certificação só aborda a folha da porta. O marco e ferragem não são contemplados ainda, embora haja planos para estender a certificação a eles", conta.

O ideal seria que o comprador tivesse conhecimento das normas e tratasse os fornecedores como parceiros, estabelecendo relacionamento de longo prazo.

Em concordância com a orientação de Pimentel, Mitidieri afirma que, ao especificar portas, a principal informação refere-se ao perfil de desempenho desejado, determinado em função do uso. "Quando se especifica a porta por perfil de desempenho, conforme a NBR 15.930, cada perfil já corresponde a uma série de requisitos, sejam dimensionais, relacionados a esforços mecânicos e físicos", explica.

Então, para cada perfil de desempenho, são definidas as respectivas classes, previstas para os requisitos relativos a variações higroscópicas, esforços mecânicos gerais e específicos, como impactos de corpo mole e de corpo duro, carregamento vertical, fechamento com presença de obstrução, torção, fechamento brusco etc., dependendo da forma de funcionamento da porta (abrir, correr etc.), e requisitos relativos à ação da água, do calor e da umidade, no caso de portas tipo RU.

"A menos que a construtora deseje uma porta especial, como uma porta de segurança, não há necessidade de especificar critérios mecânicos para as portas usuais", orienta Mitidieri. Portas especiais ainda não têm requisitos na norma brasileira.

A norma também traz a possibilidade de especificar diferentes classes de variação nominal e de padrão de aparência, com indicadores objetivos, explica Mitidieri. "É fundamental que o especificador verifique a família de portas certificada, vinculada ao tipo de uso e estrutura, incluindo quadros, reforços, núcleos e capas. Também é importante identificar requisitos complementares, como isolação a ruídos aéreos e resistência ao fogo", acrescenta o pesquisador.

Recebimento
A entrega dos produtos deve ser programada de acordo com o cronograma de obra para evitar que a porta fique muito tempo no canteiro, esperando a instalação. "É comum vermos portas esperando de seis meses a um ano na obra, expostas às condições mais adversas", lamenta Pimentel. Ele conta que o armazenamento errado aumenta o risco de infestação, umidade e outras patologias, reduzindo a vida útil do produto.

O recebimento das portas também merece atenção. Quando a entrega é feita à noite, nem sempre há um técnico para acompanhar. Sem planejamento da movimentação vertical, o transporte pode se dar sem equipamentos adequados. "Os fabricantes têm condições de entregar o produto paletizado, mas as construtoras nem sempre têm condições de recebê-los dessa forma", conta Pimentel.

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