Nivelamento e alinhamento incorretos podem prejudicar o desempenho das portas de madeira | Construção Mercado

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Como fiscalizar

Nivelamento e alinhamento incorretos podem prejudicar o desempenho das portas de madeira

Por Kelly Carvalho
Edição 159 - Setembro/2014
Divulgação: Multidoor
Kits porta pronta devem ser instalados de acordo com o sentido de abertura e respeitando o espaço de 5 mm entre a soleira ou o piso acabado e a porta

Mais do que o atendimento a requisitos estéticos, a especificação adequada das portas garante prolongamento da vida útil e desempenho elevado. Por isso, os cuidados com as portas devem começar ainda na fase de projeto. Os parâmetros para as escolhas de projeto relativas às portas são estabelecidos pela Norma 15.930 - Portas de Madeira para Edificações.

"A norma apresenta produtos classificados por desempenho, localização e uso, com uma forma muito simples de especificar", afirma Roberto Pimentel, coordenador da comissão de estudos de portas de madeira da ABNT e diretor técnico do comitê de portas da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci). "Quando um projetista especifica que o produto é uma porta interna de madeira, por exemplo, automaticamente sabe-se que uma série de requisitos de desempenho corresponde àquele tipo de porta", completa.

É possível definir o tipo de porta mais adequado para cada projeto a partir de cinco categorias, que apresentam critérios técnicos para atender às necessidades de cada ambiente. Além da especificação do desempenho por tipo de uso, itens como padrão de aparência e variação nominal também são definidos em projeto.

Basicamente, as portas são compostas por marco, folha da porta, alizar e ferragens. Vendidas em kits, as portas saem prontas das fábricas, dispensando o processo de montagem na obra e facilitando a padronização.

No canteiro
Especialistas recomendam que os cuidados com as portas comecem na chegada do produto ao canteiro, para evitar problemas no recebimento, transporte e armazenamento que comprometam a qualidade final do produto. Devem ser checadas nessa etapa especificações de projeto, tais como tipologia e acabamento, além do selo de certificação - inclusive o das ferragens. "É recomendável verificar se o kit não veio danificado, se está no padrão de aparência que foi solicitado e com as dimensões macro", acrescenta o engenheiro Claudio Vicente Mitidieri Filho, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

O ideal é que o planejamento da obra preveja a chegada das portas no momento da instalação, de modo que os kits sejam transportados diretamente para os locais a que se destinam. Caso não seja possível, as portas devem ficar armazenadas em paletes, na posição horizontal, livres de intempéries. Não é recomendável o empilhamento do material nem o contato de uma peça com outra, sob risco de danos ao acabamento.

Pimentel afirma que também não é aconselhável, embora seja comum, o armazenamento das portas em garagens no subsolo, o que pode oferecer condições de insalubridade que prejudicam a qualidade da porta. Outro risco apontado por especialistas diz respeito às embalagens do produto, que devem oferecer ventilação para evitar mofo e manchas na madeira.

Divulgação: Multidoor
Equipe responsável deve cumprir checklist de verificações antes de fazer a instalação

Instalação
Os produtos devem ser instalados no final da obra, sem contato com a fase úmida da construção. Dessa forma, pisos, soleiras e tetos deverão estar concluídos, as esquadrias externas deverão estar com vidros já instalados e as paredes deverão ter recebido pelo menos a primeira demão de tinta.

Como é comum a instalação da porta de entrada logo após a execução da alvenaria, para preservar a segurança do local, o pesquisador do IPT sugere a instalação de uma porta provisória, que seja substituída pelo produto definitivo na fase final de execução. Antes da instalação, especificamente, alguns itens devem ser verificados, tais como alinhamento das paredes, dimensões do vão, esquadro e prumo do vão livre e espaço para arremates, além do espaço para revestimento, caso não tenha sido aplicado.

"Todas as referências devem respeitar o piso acabado, por isso nossa orientação é que, se o piso não estiver instalado, que pelo menos coloque-se a soleira para definir o limite de altura do piso", recomenda Pimentel.

Após a conferência, a instalação inclui as seguintes etapas, conforme o manual Instalação de Kit Porta Pronta, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) do Paraná: fixação provisória do kit no vão com cunhas de madeira; fixação definitiva do kit no vão com a aplicação de espuma de poliuretano; colocação de arremates; retirada dos contraventamentos, das cunhas e do excesso de espuma expandida; instalação da fechadura e dos acessórios que a compõem (caso não tenha sido fornecida com o kit); e colocação dos alizares com o uso de cola no encaixe. Caso o kit venha com fundo para verniz ou pintura (primeira demão), deve-se proceder com o lixamento e a aplicação da demão final.

Checagem final
Ainda segundo o manual do Senai/PR, o responsável pela fiscalização do processo deve seguir alguns procedimentos de checagem da instalação. O kit porta pronta tem de estar instalado conforme o projeto, de acordo com o sentido de abertura e respeitando o espaço de 5 mm entre a soleira ou o piso acabado e a porta. Nivelamento, alinhamento e prumo devem estar corretos.

Também é recomendável a verificação do funcionamento das ferragens e folhas das portas, além do corte e fixação corretos dos alizares. Como um bom serviço depende também da aparência geral, é importante verificar, ainda, se todos os componentes estão limpos, sem ranhuras e com os encaixes perfeitos.

Foto: divulgação Abimci/PSQ-PME
Falha no projeto e na verificação do vão, que tem altura maior do que a do kit


Não conformidade de portas de madeira

Falhas nas diferentes etapas envolvendo projeto e instalação de kits porta pronta acarretam inúmeras possibilidades de patologia no produto final. "A incompatibilidade entre materiais, por exemplo, pode levar ao surgimento de ondulações, trincas e amarelamento em batentes. É o que ocorre quando se utiliza tinta à base de água, que provoca descolamento de juntas e emersão de resinas da madeira", explica Caetano Balvedi Neto, da Abimci. Veja, na tabela e nas fotos abaixo, os fatores que induzem à não conformidade e as patologias decorrentes.

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