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Edição 159 - Setembro/2014
Artenot/Shutterstock
Após tomar calotes, empresário se recusa a alugar equipamentos para construtoras do Minha Casa Minha Vida

Fuga do calote

Um empresário do ramo de aluguel de máquinas e equipamentos para obras admitiu que está recusando contratos com construtoras que atuam em empreendimentos do Minha Casa Minha Vida. O motivo alegado é a alta taxa de inadimplência dos clientes, especialmente os construtores locais de pequeno porte, subcontratados por construtoras maiores. Na opinião do empresário, isso ocorre por causa da falta de gestão e controle de custos durante a execução das obras.

'Informação privilegiada'

Um dirigente do setor de obras públicas diz não entender como algumas empresas elaboram tão rapidamente projetos executivos, após a publicação do edital. "Imagine a licitação para a obra de um estádio, por contratação integrada. É possível em 30 dias apresentar projeto básico, executivo, sondagens de solo e orçamento completo da obra? Só consegue quem estava com informação privilegiada lá atrás - e isso acontece", aponta.

Economia burra
Algumas construtoras de capital aberto têm preferido contratar profissionais que não são engenheiros (como economistas) para o setor de suprimentos, segundo fontes de uma entidade do setor de materiais. "O problema é que esse pessoal, que utiliza muitos conceitos de gestão e tem fluência em termos em inglês, assume com a missão de reduzir o valor gasto com compras. Em mais de uma construtora já aconteceu compra de produtos fora de especificação para atingir a meta de custo."

Guarda o quê?

Preocupado com o desempenho de guarda-corpos (de um grande fornecedor) instalados em varandas recém-construídas e que, teoricamente, seguiam as recomendações técnicas de produção e instalação, um construtor decidiu submetêlos a ensaios. Ao primeiro impacto de corpo mole sofrido, o vidro não quebrou, mas se soltou completamente da esquadria, aterrissando em migalhas no térreo. "Nessa empreitada, acabei descobrindo que 90% dos guarda-corpos instalados no Brasil não passariam pelos ensaios de desempenho", alerta.

BATE-ESTACA

Ferrolho de mercado
Se a fechadura do fabricante A não serve na porta do fornecedor X, que só aceita ferragens da indústria B, o problema pode não ser de desorganização setorial. Pelo contrário. Membro de entidade que representa fabricantes afirma que a falta de padronização dimensional entre portas e fechaduras tem um viés perverso, baseado em estratégia de reserva de mercado.

Puro marketing
Um professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) aponta que os projetos de arquitetura se tornaram grife graças ao marketing das empresas construtoras. "A arquitetura nunca foi tão mercadoria como é hoje." Para ele, sendo bons ou ruins, os projetos serão vendidos da mesma forma. Inclusive, alguns que são considerados modernos cometem erros graves de implantação, segundo o professor.

Que nem água
"Não vamos vender apartamento até o fim de 2015", sentencia o executivo de uma grande incorporadora, a respeito da atual desaceleração do setor da construção. A sobrevivência das empresas, segundo ele, depende de forte redução dos custos. "Vamos industrializar todos os processos para conseguir preço final de R$ 350 mil, em unidades voltadas à classe média baixa de São Paulo. Atingindo esse patamar, vamos vender apartamento que nem água."

Sem padrão de qualidade
Sobre contratação de obras públicas, o dirigente de uma importante entidade setorial diz que "o grande problema é aplicar e fazer funcionar o que está na lei". Segundo ele, a Lei no 8.666 define e exige projeto básico, mas a grande maioria das licitações do País não ocorre em conformidade com a lei. "São projetos de péssima qualidade sendo aprovados há muito tempo e fazendo parte de convênios federais", lamenta.

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