Para mitigar riscos de atraso na entrega de um hotel no Rio de Janeiro, construtora opta por contenção com estacas secantes, mesmo sendo a opção mais cara | Construção Mercado

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Custo Comparado

Para mitigar riscos de atraso na entrega de um hotel no Rio de Janeiro, construtora opta por contenção com estacas secantes, mesmo sendo a opção mais cara

Edição 160 - Novembro/2014

Com um cronograma de execução apertado, os engenheiros da Lafem Engenharia precisavam avaliar alternativas construtivas mais rápidas para as obras do hotel cinco estrelas Arena Leme, em construção na zona Sul do Rio de Janeiro. Inicialmente, a obra previa a construção de paredes-diafragma para a contenção do solo, que tinha terreno arenoso e presença de água. Outra dificuldade encontrada pelos engenheiros eram as dimensões do terreno - o espaço para a instalação de um canteiro de obras era reduzido.

Em comum acordo com o cliente, os engenheiros da Lafem decidiram estudar alternativas, visando a ganhos de qualidade, produtividade e sistemas que demandassem menos espaço em canteiro para execução. Após analisar algumas opções, como perfil prancheado e a própria parede-diafragma, a escolha foi pelas estacas secantes. A tecnologia, relativamente nova no Brasil, é indicada justamente quando se tem solos arenosos e com lençol freático elevado, além de demandar menos espaço em canteiro para ser realizada.

Apesar dos custos mais altos - a estaca secante custou R$ 1,2 milhão, enquanto a construção da parede-diafragma sairia por cerca de R$ 898 mil -, a construtora conseguiu reduzir o prazo desta etapa de obra em torno de dois meses e meio. Segundo Roberto Roza, arquiteto da Lafem, a construção de uma parede-diafragma levaria cerca de quatro meses, enquanto as estacas secantes foram executadas em 40 dias.

Entre as principais diferenças desse processo em relação ao sistema convencional de paredes-diafragma com lama bentonítica estão a possibilidade de se fazerem escavações menores; de se ter a usina de concreto fora do local das escavações; de utilizar equipamentos mais compactos e executar uma concretagem mais rápida e limpa. Assim, os muros construídos com estacas secantes podem ser erguidos em locais de dimensões reduzidas e junto a estruturas preexistentes - o que ocorreu neste caso.

A tomada de decisão sobre o sistema de contenção do Arena Leme Hotel foi decidida ainda na fase de projetos. Para isso, os engenheiros da Lafem visitaram outras obras que estavam adotando o sistema de estacas secantes, além de consultarem os prestadores desse serviço, já que havia o inconveniente de existirem poucos equipamentos disponíveis no mercado para execução desse método. "Fomos uma espécie de cobaia, mas já estamos adotando essa alternativa em outras obras da construtora", conta Roberto Roza.

Tecnologias avaliadas
Relativamente novo no Brasil, todo o processo de execução das estacas secantes pode ser dividido em seis etapas: 1) construção de muros-guia; 2) instalação de camisa metálica; 3) perfuração; 4) preenchimento das estacas com concreto; 5) perfuração para execução da estaca secundária; e 6) instalação da armadura e concretagem da estaca secundária. Depois disso, o processo se repete até que se complete todo o perímetro da construção do muro de contenção.

Já para a execução da parede-diafragma, seria preciso que a obra adotasse uma central de estoque de lama bentonítica e equipamentos de movimentação pesados para escavação e colocação de armadura, como guindastes com clam-shell hidráulico e mecânico acoplados. "Além de inviável para o tipo de terreno que tínhamos, seria uma obra mais suja", comenta o arquiteto da Lafem.

Apoio de engenharia: Fernando Benigno/PINI Consultoria

OPÇÃO A - ESTACA SECANTE

OPÇÃO B - PARECE-DIAFRAGMA

Observações: De acordo com a Lafem Engenharia, o concreto de fck 15 MPa da opção A é simples, somente para fixação do gabarito, de modo a não perder o alinhamento na movimentação da máquina. Ainda de acordo com a empresa, o concreto de fck 18 MPa da opção B é convencional. Informações referentes às características técnicas dos itens citados acima devem ser solicitadas diretamente à empresa.

Esta seção mostra estudos feitos pelas construtoras. As projeções só valem para o caso apresentado. O sistema apontado como mais competitivo pode mostrar-se inviável em obras com outras características e dimensões. O estudo apresentado não deve ser tomado como padrão estrito para decisões de orçamento e escolha de materiais ou sistemas. Construtoras poderão enviar estudos comparativos para publicação nesta seção. Fale com a Redação pelo telefone (11) 2173-2303 ou envie e-mail para construcao@pini.com.br

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