Os problemas operacionais do passado - como atrasos de obras e descontrole de orçamentos - já foram corrigidos pelas incorporadoras. Mas os distratos e a demora no repasse de clientes estenderam o ciclo financeiro e a conclusão dos processos de reestruturação | Construção Mercado

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Os problemas operacionais do passado - como atrasos de obras e descontrole de orçamentos - já foram corrigidos pelas incorporadoras. Mas os distratos e a demora no repasse de clientes estenderam o ciclo financeiro e a conclusão dos processos de reestruturação

Por Alfredo Netto, Roberta Prescott e Aline Mariane
Edição 160 - Novembro/2014

Quase dois anos após o começo do processo de reestruturação, a incorporadora segue concentrada na geração de caixa e na melhora da rentabilidade. No fim do primeiro semestre, a geração de caixa foi de R$ 64 milhões e sua alavancagem atingiu o patamar de 109%, mostrando que ainda falta um longo caminho para atingir o limite definido como meta para o ano que vem. Um dos maiores desafios tem sido aprimorar o repasse de clientes para os bancos.

A companhia também tem enfrentado distratos de vendas elevados, pois muitos compradores de imóveis não tiveram financiamento concedido pelos bancos. Sem crédito, o negócio acaba desfeito e a unidade volta para o estoque, exigindo novos esforços de comercialização. O volume de cancelamentos de vendas de imóveis no acumulado de 2014 deve permanecer em um patamar semelhante ao de 2013, quando totalizou R$ 588 milhões, conforme a Rossi anunciou em conversa recente com o mercado. Para compensar, a incorporadora iniciou em maio uma campanha nacional para venda dos estoques, com descontos médios de 15% e foco na liquidação de imóveis prontos.

Voltar a crescer não faz parte das prioridades neste momento, mas seus administradores acreditam que a companhia poderia alcançar um nível de lançamentos de R$ 2,5 bilhões a R$ 3,0 bilhões anuais em Valor Geral de Vendas (VGV) no longo prazo.

Por Aline Mariane. Colaborou: Alfredo Netto

Trisul - Incorporadora foi pioneira em processos de reestruturação

A Trisul foi uma das primeiras incorporadoras a colocar em prática um processo de reestruturação, iniciado em 2011 após detectar problemas operacionais originados no descontrole de custos em empreendimentos lançados por volta de 2008 e 2009. Naquele momento, investidores e analistas ainda não tinham a percepção de que esses problemas operacionais iriam se alastrar por praticamente todas as grandes incorporadoras.

A Trisul foi uma das pioneiras na corrida pela expansão dos lançamentos. Além de apostar no segmento de baixa renda, um mercado no qual não estava acostumada a atuar, a incorporadora aumentou seu raio de atuação, migrando para praças onde não detinha a expertise necessária. Com a ampliação dos lançamentos, os projetos não tiveram a execução planejada - e o resultado disso foi a perda do lucro e a elevação do endividamento. Em 2011, seu prejuízo líquido atingiu R$ 38,5 milhões e sua alavancagem bateu em 178%.

A decepção com o segmento econômico e a diversificação geográfica levaram a companhia a rever seu campo de atuação. Para reverter o quadro negativo, a reestruturação da Trisul foi calcada no ajuste das operações, levando a empresa de volta para suas origens. Isso implicou deixar de lado o setor de imóveis econômicos - onde as margens são mais curtas e os ganhos são obtidos pela larga escala dos empreendimentos - e se concentrar em produtos voltados para as classes média e alta - com margens mais folgadas, em um mercado considerado mais resiliente a turbulências macroeconômicas. A empresa também ajustou o foco de atuação para a cidade de São Paulo e região metropolitana, que formam o maior mercado imobiliário do País.

LUCRO LÍQUIDO

PRINCIPAIS LANCES DA REESTRUTURAÇÃO DA TRISUL

Concluído
- Reforço no gerenciamento de obras
- Redução e adiamento de lançamentos
- Foco em São Paulo e imóveis para média-alta renda
- Corte de despesas operacionais e administrativas

Em andamento
- kGeração de caixa constante
- Redução da alavancagem

'A Trisul segurou o crescimento para melhorar a alavancagem'
Marcelo Motta
analista do mercado imobiliário do JP Morgan

Esse ajuste fez com que a Trisul se tornasse mais seletiva na decisão de lançar novos projetos. Ao diminuir o volume dos lançamentos, a empresa precisou diminuir de tamanho, vendendo terrenos considerados não estratégicos e realizando cortes de despesas operacionais e administrativas. "A Trisul segurou o crescimento para melhorar a alavancagem", resume Marcelo Motta, analista do mercado imobiliário do JP Morgan.

Após a implementação do plano de reestruturação, pouco a pouco a companhia recuperou a estabilidade. Nos últimos três anos, a Trisul conseguiu baixar em 40 pontos porcentuais a alavancagem, chegando a 53% no fechamento do segundo trimestre de 2014. A margem bruta no fim de junho atingiu 33,8% ante 24,8% no mesmo mês do ano passado. Depois da guinada, o lucro teve leve alta de R$ 27,26 milhões em 2012 para R$ 50,9 milhões em 2013 e acumulava R$ 12,4 milhões até a metade deste ano.

A efetividade do plano de reestruturação se refletiu, por exemplo, na sua avaliação de rating de agência de classificação de risco Fitch. Neste ano, a perspectiva do rating passou de negativa para estável, como resultado da recuperação gradual dos indicadores de crédito, com redução da dívida, melhora das margens operacionais e geração de caixa.

Por Roberta Prescott. Colaborou: Alfredo Netto


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