Com desaceleração do mercado imobiliário, construtoras de Blumenau procuram novos modelos de negócio e tentam manter bons resultados dos últimos anos | Construção Mercado

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Raios X - Vale do Itajaí

Com desaceleração do mercado imobiliário, construtoras de Blumenau procuram novos modelos de negócio e tentam manter bons resultados dos últimos anos

Por Magali Moser
Edição 160 - Novembro/2014

JANDYR NASCIMENTO
Vista aérea de Blumenau. Mercado imobiliário na cidade enfrenta desaquecimento, com queda nas vendas

Diante da grande oferta do mercado imobiliário em Blumenau (SC) e região, um consumidor mais exigente desafia o setor da construção a incorporar mudanças e acompanhar novidades, na tentativa de afastar sinais de desaceleração e repetir o crescimento registrado no passado. Empreendimentos mistos, na opinião de especialistas, estão entre as tendências de produto que podem crescer nos próximos anos.

Depois do boom imobiliário, entre 2008 e 2011, o mercado de Blumenau registra um processo de estabilização dos preços. O Sindicato da Indústria da Construção de Blumenau (Sinduscon-Blumenau), representante de mais de mil empresas em 14 municípios do Vale do Itajaí, aponta este como o principal diagnóstico do setor, especialmente em um momento caracterizado pela cautela e receio de investidores. O novo cenário tende a afastar do mercado aqueles construtores atraídos pelos tempos áureos do mercado imobiliário

"O mercado mostra que o cliente está cada vez mais exigente. Há espaço para quem se preocupar com inovação, com atenção a itens como sustentabilidade e preocupação com o meio ambiente", explica o presidente do Sinduscon, Renato Rossmark Schramm.

Na busca por novos modelos de negócio, alguns perfis inovadores de produto, com oferta ainda incipiente na cidade, apontam para o futuro. Na opinião de Soraia Vasselai, presidente do Sindicato da Habitação de Blumenau e Região (Secovi Blumenau), um deles são os empreendimentos mistos, com torres ao mesmo tempo residenciais e comerciais. "Há uma carência de edifícios comerciais. Imóveis com perfil residencial em cima e comercial embaixo garantem mobilidade. Acredito que a tendência seja partir para esse filão", analisa.

EDSON PELENCE



'O mercado mostra que o cliente está cada vez mais exigente. Há espaço para quem se preocupar com inovação, com atenção a itens como sustentabilidade e preocupação com o meio ambiente'

Renato Rossmark Schramm
Sinduscon Blumenau

Com 320 mil habitantes, Blumenau é a cidade polo de uma região com quase um milhão de pessoas. O valor do metro quadrado praticado na cidade é considerado abaixo do mercado. O dado foi apontado ano passado em um levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que analisou o mercado imobiliário de 82 das mais importantes cidades brasileiras. De acordo com a pesquisa, o preço médio por metro quadrado de imóveis novos em Blumenau era de R$ 3.278, contra R$ 4.947 em Florianópolis, o maior valor registrado no Estado.

O fenômeno explica o fato de Blumenau quase não ter empresas de incorporação de fora da cidade. De acordo com o Sinduscon Blumenau, há um histórico de empresas que se instalaram na região e não se fixaram, por conta dos patamares de preço.

Com a desaceleração da economia brasileira e seus impactos sobre o setor da construção, os parâmetros do mercado imobiliário de Blumenau ficaram um pouco mais restritos. "Até 2010, a oferta estava alta. Quem tinha um fundo de reserva virava construtor. Houve um boom também com o Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal. Hoje entendo que o mercado passa por uma releitura, em busca do equilíbrio. Acredito que só ficará no mercado quem é profissional", avalia Soraia.

Transformações no mercado
Na opinião de Christian Krambeck, professor do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Regional de Blumenau (Furb), a cidade entrou em uma fase de desenvolvimento e qualificação de seu mercado imobiliário, conjugando alguns fatores bastante atrativos, como preços relativamente baixos dos imóveis; grande quantidade de áreas subutilizadas e vazias; amadurecimento do mercado de permuta de terrenos por unidades a serem construídas; aumento exponencial da cultura de morar em apartamentos; início de um processo de valorização da arquitetura; e inovação. O carro chefe do mercado neste novo panorama é o apartamento com dois quartos, com valores a partir de R$ 200 mil.

EVOLUÇÃO DAS OFERTAS DE VENDA E LOCAÇÃO NO SEGUNDO TRIMESTRE DE 2014

Fonte: Secovi Blumenau

"A oferta no momento é grande, embora a demanda também seja. Há carência de imóveis com melhor arquitetura, inovação e identidade. Ainda há, sem dúvida, uma predominância nas vendas de apartamentos de dois dormitórios, mas floresce o mercado para apartamentos de um quarto e lofts", observa Krambeck, ao citar a comunidade universitária na cidade.

O Secovi Blumenau encomendou uma pesquisa de dois anos sobre o movimento do mercado imobiliário na região. Um dos dados mais surpreendentes é que, ao contrário do que se divulgava até então, a região Norte da cidade não é a mais procurada, mas sim o bairro da Velha. Uma das explicações estaria no fato de o bairro já ser consolidado e estruturado. "O grande filão a ser explorado em Blumenau são os imóveis de luxo, concentrados até agora apenas na área central. A maioria dos consumidores já tem acesso ao primeiro imóvel. Quem já comprou, investe no segundo e com uma estrutura melhor", conclui a presidente do Secovi.

O mercado de imóveis em Blumenau se diferencia por ser voltado à própria demanda interna da cidade. Ao contrário do que ocorre em Balneário Camboriú, distante 70 km de Blumenau e impulsionada pelo mercado de alto padrão, o comprador é principalmente local - enquanto na cidade praiana se observa um movimento nacional de procura por imóveis, aumentando a amplitude dos negócios.


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