Light steel framing rompe resistência cultural ao seu uso e avança em diferentes nichos da construção civil | Construção Mercado

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Debate técnico

Light steel framing rompe resistência cultural ao seu uso e avança em diferentes nichos da construção civil

Por Gisele C. Cichinelli
Edição 160 - Novembro/2014
DIVULGAÇÃO: ODEBRECHT
Light Steel Framing tem sido utilizado em obras de diferentes segmentos, como nas escolas executadas pela Odebrecht em Belo Horizonte

Na contramão do desempenho descendente da construção civil, o segmento de Light Steel Framing deve fechar o ano em expansão. O sistema composto por perfis leves de aço galvanizado que podem ser fechados por placas cimentícias, por painéis de tiras de madeira orientadas (Oriented Strand Board, ou OSB) ou por placas de gesso acartonado segue avançando e conquistando novos mercados. Além da tradicional aplicação em residências unifamiliares, também tem sido aplicado em creches, escolas, galpões, lojas comerciais, alojamentos de obras e em diversas tipologias. Outro nicho que ganha força é o de vedação de fachadas em shopping centers, edificações industriais e edifícios comerciais e de habitação, em que pode substituir a alvenaria em edificações de estrutura metálica ou em concreto.

O cenário favorável, de acordo com especialistas, coincide com a busca cada vez maior por parte das construtoras e incorporadoras por sistemas industrializados, capazes de incrementar a produtividade e reduzir prazos de obra. "O mercado ficou mais complexo. Há maior competitividade entre as empresas, que precisam cada vez mais aumentar sua produtividade. O Steel Framing ajuda as empresas a responder a essa demanda", observa Silva Scalzo, membro da comissão executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) e especialista em desenvolvimento de mercado da construção da ArcelorMittal.

Danilo Andrade, gerente de engenharia da Odebrecht Infraestrutura, confirma que um dos principais motivos para esse avanço são os enormes benefícios oferecidos pela industrialização. "As edificações em Light Steel Framing apresentam um comportamento diferente do convencional. O método é muito vantajoso, tanto que usamos o sistema para executar 32 creches em dois anos em Belo Horizonte. Seria impossível executar esses edifícios de 1,1 mil m² nesse prazo com uma metodologia convencional", conta. O engenheiro lembra que, depois de vencer a barreira cultural para que o sistema fosse aceito na capital mineira, a empresa já conseguiu conquistar um novo contrato para construir mais 14 escolas em um ano. "A tendência é que isso se replique em outros locais. Em virtude da experiência bem-sucedida, a empresa também estuda a sua utilização em obras para atender ao programa Minha Casa Minha Vida", conta.

Projeto detalhado
O Light Steel Framing pode ser usado em diferentes tipologias de edificações. Apesar de permitir a execução de edifícios com até sete pavimentos, especialistas esclarecem que seu uso é mais adequado e competitivo para a construção de casas térreas, sobrados e edifícios baixos, com até quatro pavimentos.

Para garantir o bom desempenho do sistema, o ideal é que o projeto de arquitetura seja o mais detalhado possível, contemplando os projetos complementares e todos os subsistemas a serem utilizados, com atenção especial às interfaces entre os componentes. "Como, por exemplo, o detalhamento da interface das esquadrias com a parede, a sua fixação na parede, posicionamento dos arremates, soleiras e pingadeiras para garantir o escoamento e estanqueidade do sistema", observa Silvia, lembrando que, em sistemas industrializados, a importância do detalhamento é ainda maior. "Em especial para obtenção dos benefícios de maior produtividade e menor geração de resíduos que o sistema pode oferecer."

Ventos, cargas e sobrecargas atuantes, além do próprio peso das estruturas, devem ser previstos durante o cálculo estrutural do edifício, que deve seguir as normas de perfil dobrados a frio. "Vale lembrar que o projeto definirá qual será o nível de atendimento ao desempenho da edificação. Dessa forma, se a especificação solicita um alto nível de desempenho acústico, o projetista deve garantir que os materiais utilizados e o modo de sua aplicação garantirão o desempenho do sistema. Não se pode falar em desempenho do material, mas sim em desempenho da parede, do subsistema", observa Silvia.

Execução sem erros
Um dos principais erros na etapa de execução é a substituição de componentes industrializados por materiais sem garantia. O emprego de componentes inadequados, como papel kraft com betume no lugar de membrana não tecido ou barreira de vapor, deve ser evitado, sob pena de comprometer o bom desempenho. "A falta de componentes necessários, como isolamento com lã mineral em paredes, também irá prejudicar o isolamento térmico e acústico", completa a arquiteta.

Dentre as patologias mais frequentes envolvendo não conformidades do sistema está a falta de estanqueidade da parede ou da cobertura. Geralmente, o problema ocorre devido à falta ou à inadequação do tratamento de juntas entre painéis. Vale obsevar que o sistema deve ser totalmente estanque, impedindo que haja corrosão dos perfis de aço. Esses elementos devem se apoiar sobre uma manta impermeabilizante, aplicada sobre o radier. Como os perfis perdem parte da galvanização nos pontos onde são furados e cortados, é fundamental evitar qualquer contato com água dentro das paredes.

Ainda na etapa de execução, é importante certificar- se da lisura do concreto da fundação, cuidado que permitirá que o frame se apoie corretamente. Outro ponto importante é seguir corretamente a quantidade de parafusos e os espaçamentos sugeridos pelos fabricantes durante a etapa de chapeamento das placas, evitando movimentações e posteriores trincas e fissuras no conjunto construtivo.

Norma em andamento

As empresas e entidades da cadeia produtiva do Light Steel Framing criaram um núcleo, em 2013, com a finalidade de elaborar um texto-base que possa servir como referencial para uma futura norma do sistema construtivo. Formado por entidades como a Associação Drywall e o Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), além de empresas como Eternit, LP, Saint-Gobain e construtores do sistema, o Núcleo do Steel Framing deve colaborar com a criação de uma norma que ofereça aos profissionais referenciais de projeto e de execução e permita a escolha de componentes no mercado, em concordância com a Norma de Desempenho (NBR 15.575).

"Assim que o texto-base estiver pronto, será criada uma Comissão de Estudo junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O objetivo é elaborar uma norma do sistema para aplicação em edificações de até dois andares", observa a arquiteta Silvia Scalzo, membro da comissão executiva do CBCA e especialista em desenvolvimento de mercado da construção da ArcelorMittal. Com a norma, o setor espera ampliar a participação do sistema no mercado brasileiro de construção. Por enquanto, o único texto de referência para o seu uso é a diretriz do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas (Sinat) nº 003 - Sistemas Construtivos Estruturados em Perfis Leves de Aço Conformados a Frio, com Fechamento em Chapas Delgadas (sistemas leves tipo Light Steel Framing). Segundo a arquiteta, apesar do caráter provisório, o documento supre as lacunas da normalização técnica prescritiva. Ela observa, no entanto, que o alto custo e os longos prazos para a obtenção do Documento de Avaliação Técnica (DATec) acabam desestimulando as empresas a buscar referenciais para seus produtos, tornando o sistema de avaliação uma barreira para a inovação na construção civil. "O prazo de vigência desse documento é outro ponto que exige esforços das empresas, uma vez que o DATec tem validade de dois anos, conforme o Regimento Geral do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas de produtos inovadores (Sinat)", lembra.


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