Impermeabilização em light steel frame - construção leve, mais deformável, exige impermeabilizantes flexíveis e com desempenho elevado | Construção Mercado

Construção

Como fiscalizar

Impermeabilização em light steel frame - construção leve, mais deformável, exige impermeabilizantes flexíveis e com desempenho elevado

Por Kelly Carvalho
Edição 160 - Novembro/2014
FOTO: MARCELO SCANDAROLI
Aplicação de primer, que antecede a execução da impermeabilização. Escolha do impermeabilizante deve levar em conta deformações previstas na estrutura

Os efeitos da ausência ou má execução de impermeabilização nas obras em Light Steel Framing são bastante danosos, uma vez que os materiais constituintes do sistema são mais afetados pela umidade. O Light Steel Framing é composto basicamente por quadros estruturais de perfis de aço conformados a frio e fechamento em chapas delgadas. "A construção é mais leve e, consequentemente, mais deformável, exigindo materiais de impermeabilização flexíveis e de elevado desempenho quanto à impermeabilidade, capacidade de elongação, durabilidade e resistência ao envelhecimento", afirma Maria Amélia Silveira, consultora do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI).

O projeto de impermeabilização tem como finalidade evitar o contato dos perfis e das bases das chapas com a umidade, devendo ser especificado na mesma etapa em que os detalhes construtivos serão desenvolvidos.

O tipo de impermeabilização mais adequado depende de uma série de fatores, tais como a finalidade da estrutura, os acabamentos a serem executados e as deformações previstas no cálculo estrutural. "Para obras com previsão de grandes deformações, pode ser mais viável utilizar sistemas de impermeabilização não aderidos à estrutura", exemplifica Maria Amélia.

Fatores externos também influenciam no projeto, como as cargas estáticas ou dinâmicas que podem atuar sobre a estrutura, esforços ocasionados por variações térmicas de grande amplitude e se o ambiente é marinho ou uma região industrial, por exemplo. "É importante também saber da facilidade de acesso à impermeabilização para futuros reparos ou revitalizações, bem como a expectativa de vida útil da edificação", diz a consultora do IBI.

Segundo ela, o projeto de impermeabilização deve conter um cronograma executivo para as diversas áreas da impermeabilização a serem tratadas. Sua compatibilização com os demais serviços da obra deve ser coordenada pela construtora e vai envolver os projetistas de estrutura, hidráulica, elétrica e paisagismo.

De uma forma geral, são impermeabilizados os pisos em contato com o solo e os pisos das áreas molháveis - banheiros, lavabos, cozinhas e áreas de serviço.

Também é preciso impermeabilizar as coberturas e tratar as paredes com materiais que funcionem como barreira de vapor. A consultora do IBI ressalta que outro ponto de relevância é o uso correto de selantes nas junções das placas pré-moldadas e entre as placas e a estrutura metálica. "A não aplicação ou aplicação incorreta desses selantes compromete a estanqueidade da construção", alerta.

Outra recomendação para a garantia de durabilidade da parede e, consequentemente, da edificação, segundo a pesquisadora Luciana Alves de Oliveira, do laboratório de componentes e sistemas construtivos do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (Cetac/IPT), são as diferenças de cota (desníveis) de no mínimo 5 cm entre o piso externo acabado (calçada) e a base dos quadros estruturais da fachada, além da diferença de cota mínima de 2 cm entre a base dos quadros estruturais e o piso acabado das áreas molhadas (banheiros e áreas de serviço).

Recomenda-se também o desnível mínimo de 4 cm entre a base dos quadros estruturais e o piso acabado do boxe, posicionando o perfil do quadro estrutural da parede no nível mais elevado, explica a pesquisadora (outras orientações podem ser obtidas na Diretriz Sinat nº 003 - Revisão 01 - Sistemas Construtivos Estruturados em Perfis Leves de Aço Conformados a Frio, com Fechamentos em Chapas Delgadas - Sistemas leves tipo "Light Steel Framing").

Materiais
Os materiais utilizados nas impermeabilizações das obras de Light Steel Framing são basicamente os mesmos utilizados nas construções convencionais. Maria Amélia Silveira explica que, para funcionar como barreira de vapor, os materiais mais consagrados são os de base asfáltica, como as emulsões asfálticas. Para os pisos em contato com o solo ou nas áreas úmidas, podem ser usados os asfaltos em mantas pré-fabricadas ou em emulsão. Para as coberturas, ela afirma que o mercado dispõe de uma ampla gama de materiais moldados in loco ou mantas pré-fabricadas destinadas ao serviço.

O engenheiro Luiz Tadeu Mariutti, do departamento de engenharia da Construtora Sequência, acrescenta que, como a impermeabilização deve ser flexível, de modo a manter-se intacta com a movimentação das placas, a construtora desenvolveu junto com um fabricante um sistema que passou a integrar todas as obras. "Trata-se de um impermeabilizante acrílico, que é misturado ao cimento Portland. Antes, porém, deve-se vedar o rodapé abaixo da placa de gesso com um cordão expansivo. Depois disso, é aplicada a emulsão impermeabilizante", diz.

Quando os materiais chegam ao canteiro, é importante verificar sua conformidade com relação ao que foi detalhado em projeto. "Se necessário, ou em caso de dúvidas, deve ser separada uma amostra para ensaio", opina Maria Amélia.

O ideal é que os materiais destinados à impermeabilização sejam armazenados na obra, em suas embalagens originais, em local apropriado protegido do sol, chuva e umidade.

Execução
A impermeabilização é realizada conforme o andamento da obra, ou seja, no início impermeabilizam-se as fundações, pisos e reservatórios inferiores e, no fim, as coberturas e os reservatórios superiores. Já a impermeabilização das paredes e a aplicação de selantes deve acompanhar a fase de fechamento da estrutura.

De acordo com a consultora do IBI, a fiscalização dos serviços e também da qualidade dos materiais deveria preferencialmente ser realizada por empresa independente da construtora e da aplicadora. "Pode ser exercida pela empresa responsável pelo projeto de impermeabilização, que terá todo o empenho para que a instalação dos produtos siga o planejado. Entretanto, essa fiscalização independente não impede que controles sejam feitos pelo próprio aplicador e também pela construtora", diz.

Os responsáveis pela fiscalização têm a função de assegurar todos os detalhes especificados em projeto durante a execução. O projeto deve especificar a forma de preparo do substrato para receber a impermeabilização, os quantitativos em kg/m² para a formação das membranas moldadas no local e a definição clara das espessuras e demais requisitos das mantas pré-fabricadas.

"É importante, também, a indicação dos tempos de cura e do intervalo mínimo e máximo entre as demãos. O tempo mínimo é para garantir a cura do material (evaporação do solvente, ou tempo necessário para a polimerização), o tempo máximo é para que não ocorra delaminação (separação ou perda de aderência) entre as camadas.


PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
Destaques da Loja Pini
Aplicativos