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Edição 160 - Novembro/2014

Guardado a sete chaves

DOODER/SHUTTERSTOCK
Governo esconde data de reajuste dos preços do MCMV com receio de que as incorporadoras adiem lançamentos para esperar os novos valores

O valor máximo dos imóveis que se enquadram no Minha Casa Minha Vida (MCMV) será reajustado em 2015. No entanto, o Governo Federal não revela a data nem o percentual do reajuste. A explicação para o segredo é que o governo quer evitar que incorporadoras adiem o início de empreendimentos para aguardar a implementação dos novos valores. Segundo fonte do governo, existem reclamações pontuais de empresários sobre as margens de lucro apertadas no MCMV, mas não há notícias de que tenham ocorrido adiamentos em massa por falta de viabilidade econômica. Haveria, portanto, bastante prazo para se aplicar o reajuste, que seguirá em segredo.

Vai subir

As taxas de juros do crédito imobiliário estão com viés de alta para os próximos meses. Fonte de um banco estatal explica que os bancos cessaram a disputa por taxas cada vez menores para atrair clientes. O motivo é que o spread do crédito imobiliário já é muito pequeno, e o custo do capital tem subido. Embora o banco estatal negue planejar um reajuste no curto prazo, ele admite que há tendência do setor bancário como um todo de elevar a taxa em 0,5 ponto porcentual nos próximos meses.

Aumento fictício

Para um vereador de São Paulo, as estimativas sobre o aumento dos valores de outorga onerosa, após a aprovação do Plano Diretor da cidade, não são verídicas. "Recebi uma pessoa que trouxe uma estimativa de um banco falando que aumentaria em 40%. Também falam de aumento de 15% ou 20%. Isso é uma ficção. Pode aumentar só até 5% do Valor Geral de Vendas (VGV)", afirma.

Sem pagamento

Uma empreiteira da cidade de São Paulo afirma que mais de cinco construtoras devem a ela a retenção de garantia - percentual recolhido pela contratante em todas as medições (cerca de 5%). Ao final da obra, caso não haja problemas, todas as retenções devem ser devolvida empreiteiro. Mas, segundo a fonte, "as construtoras querem sempre colocar problemas dela na nossa conta e não nos devolvem o valor conforme o combinado". Ele conta ter mais de R$ 500 mil para receber, inclusive de uma construtora de capital aberto.

BATE-ESTACA

Conta salgada
As empresas fornecedoras de escoramentos metálicos têm cobrado altas taxas das contratantes no momento da devolução dos equipamentos, ao fim dos serviços, segundo relatos de uma construtora e de uma empreiteira. Elas contam que o problema tem ocorrido com alguns fornecedores, mas uma empresa em específico tem cobrado "taxas exorbitantes para cobrir peças danificadas e perdidas, como parafusos". Além disso, há o dilema de quem paga a conta: a construtora, que contrata, ou a empreiteira, que, de fato, utiliza os equipamentos. O problema, segundo eles, é relativamente novo e "há cobranças superiores a R$ 100 mil só por causa de alguns parafusos".

Cadê o companheirismo?
Na opinião de um projetista de estruturas, os profissionais da área em que ele atua gostam de criticar o projeto dos outros sem estar participando dele. Ele cita o problema na cobertura do estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro, que está em reforma. "O projetista do Engenhão foi muito criticado, mas não deveria. É um absurdo o que fizeram com ele. Deveria haver mais companheirismo para fortalecer a engenharia nacional."

Decepção com brasileiros
Uma tradicional premiação da América Latina não selecionou nenhum projeto sustentável realizado por profissionais brasileiros. Representante do júri da premiação se disse surpreso com a falta de propostas brasileiras em nível de qualidade competitiva. Segundo o avalista, a baixa sinaliza a necessidade de uma aproximação entre entidades e universidades do Brasil para o fomento de projetos consistentes de sustentabilidade.

Segredo de Estado
Para o ex-diretor de uma tradicional construtora de capital aberto, um incorporador que se preze nunca vende um apartamento informando a data de início da obra. "Se ele informar, vai ficar maluco, porque na véspera do dia informado vão ligar inúmeras pessoas dizendo que não estão vendo movimento nenhum no local. A data de início é um segredo de Estado", diz.

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