Arena Corinthians - Interferências no terreno, troca de projeto de fundações e acidentes com vítimas fatais foram desafios enfrentados durante construção do estádio, que conta com tecnologia pré-moldada nas fundações e estruturas | Construção Mercado

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PRÊMIO PINI 2014 - ESTÁDIO

Arena Corinthians - Interferências no terreno, troca de projeto de fundações e acidentes com vítimas fatais foram desafios enfrentados durante construção do estádio, que conta com tecnologia pré-moldada nas fundações e estruturas

Por Bruno Loturco
Edição 161 - Dezembro/2014

DIVULGAÇÃO: PORTAL DA COPA

A Arena Corinthians, em São Paulo, construída pela Odebrecht Infraestrutura, tem capacidade para receber 48 mil pessoas sob sua cobertura. À época da Copa do Mundo 2014 - evento em que sediou a cerimônia e o jogo de abertura - o estádio ganhou arquibancadas provisórias que aumentaram em 20 mil os lugares para torcedores.

A ligação entre as alas Norte, Oeste, Sul e Leste se dá por meio das arquibancadas inferiores. O lado Oeste, entretanto, é mais baixo do que o seu oposto, ficando à sombra. Esplanadas atrás dos gols permitem ver as arquibancadas a partir da avenida Radial Leste.

A fachada Leste conta com telão de 170 m x 20 m. Os projetores têm nível de iluminação de 5 mil lux, lâmpadas multivapor com temperatura de cor de 6 mil K, brancas, e distribuição uniforme para melhorar transmissões em HD e 3D. O gramado tem sistemas de refrigeração das raízes, de sucção para drenagem e de irrigação.

Desenvolvimento subterrâneo
O primeiro desafio da construção da Arena Corinthians, localizada na região Leste da cidade de São Paulo, começou antes mesmo da mobilização do canteiro. Dois dutos de gás da Transpetro, empresa subsidiária da Petrobras, atravessavam o setor Oeste do terreno, que tem 198 mil m², e tiveram de ser realocados para permitir o início da terraplenagem.

Como a etapa de remoção e realocação dos dutos, com 22" e 24" de diâmetro, levou seis meses além do previsto, outros desafios surgiram ao longo da obra ocasionados pelo estreitamento do prazo. Um dos obstáculos mais evidentes foi a execução de 3.300 estacas-hélice e estacões, conforme previa o projeto original.

A grande quantidade de elementos de fundação associada ao elevado risco de haver rochas nas camadas a serem escamateria vadas levaram à reconsideração por parte da equipe de engenharia, que acatou sugestão do prestador dos serviços de fundação. Foram adotadas, então, estacas pré-moldadas centrifugadas na maior parte dos casos, com estacas-raiz ou pré-moldadas inclinadas apenas nos locais sujeitos a esforços de tração em virtude de água e lama no subsolo ou quando era preciso evitar vibrações que pudessem danificar a estrutura, como nos trechos próximos às contenções.

De um total de 14 bate-estacas operando ao mesmo tempo no canteiro, dez eram hidráulicos. O uso de tais equipamentos foi exigência da empresa responsável pela construção do estádio, a Odebrecht, que visava, além do aumento na produtividade, à melhor qualidade e precisão no cravamento, com menos influência do operador no procedimento.

As obras de terraplenagem e contenção - com estruturas com até 14 m de altura - levaram à movimentação de grandes volumes de terra. Há, na face Oeste, muro de arrimo executado com gabião para estabilização do talude com 400 m de extensão. Para a mesma finalidade, geogrelhas permitiram a criação de um maciço compactado que, para tanto, utilizou solo do próprio terreno.

As escavações chegaram a 15 m de profundidade no setor Oeste, cuja edificação conta com três subsolos e teve de ser construída afastada da contenção para evitar efeito de empuxo. Contrafortes não atirantados fazem as vezes de contenção no setor Sul. Para conter efeitos de erosão causada pela chuva, especialmente no setor Leste do terreno - o que menos demandou movimentações de terra - foi utilizado concreto projetado, drenagem e hidrossemeadura.

Estrutura rápida
Os pré-moldados mostraram-se a melhor opção também para a superestrutura. Os argumentos apontados foram a precisão geométrica proporcionada e a redução do prazo executivo. Afinal, moldar a estrutura in loco exigiria escoramento por, pelo menos, 28 dias.

Sendo assim, a arena conta com pilares, vigas-jacaré e transversais, lajes e paredes pré-moldadas em concreto. Esses elementos, com 18 t a 35 t cada, foram moldados no próprio canteiro, de modo a eliminar a dificuldade que seria transportá- los pela cidade.

Segmentos de lajes alveolares protendidas compõem as arquibancadas, apoiando-se sobre as vigas-jacaré. Daí, as cargas são transferidas para os pilares. O acabamento das arquibancadas foi feito com uso de revestimento em capa de concreto armada com telas soldadas. Elementos de aço, como pinos, roscas e luvas promovem a solidarização dos trechos da estrutura em balanço. Os blocos de fundação, por sua vez, assim como os pilares pré-moldados, são unidos por meio de cálices, parafusados e grauteados. Apenas em locais em que a estrutura apresenta geometria complicada é que o concreto moldado in loco foi usado.

Cobertura, acessos e gramado
Uma estrutura formada por 32 treliças metálicas suporta a cobertura da arena, feita com dupla membrana. Sobre todos os assentos - mas não sobre o gramado -, a cobertura conta com steel deck e membrana rígida em sua parte superior. Mais uma vez, a diferença de altura entre os lados do terreno beneficiou a arquitetura. O desnível de aproximadamente 6 m entre os lados Leste e Oeste promove a ventilação da arena, com o vento sendo direcionado às arquibancadas e, consequentemente, ajudando a reduzir a temperatura.

A cobertura acumula a função de abrigar sistema de células fotovoltaicas para geração de energia elétrica e de evitar que o som da torcida se disperse com facilidade.

Os torcedores têm à disposição 3.700 vagas para automóveis, sendo 929 cobertas. O acesso às arquibancadas se dá por meio de 13 escadas, oito elevadores e duas rampas.

A grama plantada no estádio é especial, cresce mais rápido e é mais resistente, proporcionando maior velocidade à bola. Para sua manutenção foi necessário instalar sistema de refrigeração que controla a temperatura das raízes. Sob o gramado há, ainda, sistema de sucção para drenagem, sensores de temperatura e umidade. A possibilidade de fazer irrigações pontuais garante a uniformidade, inclusive cromática, da grama.

FICHA TÉCNICA

Projetos - arquitetura: Escritório CDC Arquitetos; terraplanagem/ drenagem: Canhedo-Beppu; estrutura de concreto e metálica: EGT/ FHECOR; estrutural/cobertura metálica: Werner Sobek; detalhamento de estrutura e cobertura metálica: Brafer/Alufer; hidráulica/elétrica/telecomunicações: MBM Engenharia; ar-condicionado: Tecnika Engenharia; luminotécnica: T. Kondos Associados; urbanização e paisagismo: SWA Group; design de interiores: Gensler; construção - coordenação e operação: Sport Club Corinthians Paulista/Arena Fundo de Investimento Imobiliário; construtora: Odebrecht Infraestrutura; fornecedores - concreto: Holcim/Engemix/ Concreserv; aço: Gerdau; Cobertura: Alufer/Brafer; pré-moldados: CPI Engenharia; fôrmas para concreto: Mills/Peri/Doka; elevadores: Otis

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