Obra do Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos, premiada na categoria Infraestrutura, recorreu a projeto fast-track e à industrialização | Construção Mercado

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PRÊMIO PINI 2014 - INFRAESTRUTURA

Obra do Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos, premiada na categoria Infraestrutura, recorreu a projeto fast-track e à industrialização

Por Ubiratan Leal
Edição 161 - Dezembro/2014

FOTO: PEQUI FILMES/GRU AIRPORT
Novo terminal do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, deve atender a 12 milhões de pessoas por ano

FOTO: PEQUI FILMES/GRU AIRPORT

O novo terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Guarulhos, construído pelo OAS, foi responsável pela movimentação de quatro milhões de pessoas durante a Copa do Mundo de 2014, tornando-se um dos principais elementos da estrutura do torneio para receber torcedores de todo o mundo em um intervalo de apenas um mês.

O Terminal 3 foi inaugurado em maio de 2014 com capacidade inicial para receber 12 milhões de pessoas. Foi concebido para receber apenas voos internacionais em seus 192 mil m², uma área maior do que a soma dos terminais 1, 2 e 4, construídos anteriormente. As obras incluíram a construção de terminal de passageiros e um terminal de embarque, com capacidade para 22 aeronaves. O projeto de expansão contemplou, ainda, um novo edifício-garagem, com 2,6 mil vagas, e uma nova área de estacionamento para as aeronaves, próximo à cabeceira da pista.

A arquitetura do novo terminal é marcada por vãos livres generosos e grandes panos de luz natural na envoltória. As fachadas combinam quatro tipos de fechamento: fachada unitizada de caixilhos de alumínio com vidro insulado, fachada ventilada de alumínio composto (ACM) sobre fechamento em alvenaria, alvenaria com pintura em tinta acrílica e painel sanduíche de aço galvanizado com recheio de poliuretano.

FOTO: PEQUI FILMES/GRU AIRPORT
A maior parte dos elementos estruturais de concreto, com exceção de algumas peças especiais, foi pré-fabricada em usina construída no próprio canteiro

O projeto estrutural foi desenvolvido de modo a minimizar o número de pilares, aumentando os vãos estruturais até o limite de 36 m, principalmente nas áreas técnicas de montagem do sistema automatizado de tratamento de bagagens e também nos saguões públicos. "Essas condições nos levaram à adoção de uma cobertura com estrutura metálica em treliças apoiadas em insertos sobre pilares de concreto moldados in loco. Por entre essas treliças, passam as instalações de climatização, proteção contra incêndio, iluminação e outras", explica Andrei de Mesquita Almeida, chefe do departamento de arquitetura da Engecorps e um dos arquitetos responsáveis pelo projeto.

A cobertura também foi criada para favorecer o desempenho térmico e acústico, bem como a entrada de luz natural no edifício principal. Por isso, foi projetado um jogo de águas fragmentadas. Entre um plano de cobertura e outro, as aberturas são vedadas com vidro duplo, permitindo a entrada de iluminação natural nos interiores. Nos planos das coberturas propriamente ditos, foram inseridas claraboias com fechamento em vidro especial.

Racionalização e BIM
As características mínimas do novo terminal foram definidas em edital pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que se baseou em parâmetros de nível de serviço da International Air Transport Association (Iata). "A data de inauguração nos impôs um cronograma reverso. Tivemos de trabalhar com um único e mesmo objetivo: concluir as obras no prazo", lembra Almeida. A solução foi desenvolver um projeto básico em quatro meses e um projeto executivo do tipo fast-track, ou seja, faseado conforme as necessidades da obra. "Em dois meses de projeto executivo foram entregues projetos das escavações dos subsolos, fundações, laje de fundo e pilares moldados in loco. Todo o projeto executivo estrutural foi realizado em seis meses", conta o arquiteto.

O engenheiro Francisco Germano, superintendente de obras da OAS Engenharia, conta que, para atender ao prazo de um ano e nove meses, o projeto estrutural previu uso intensivo de sistemas industrializados. Uma central de pré-fabricados foi montada dentro do canteiro, onde foram construídos cerca de 50% das vigas e dos pilares utilizados na construção Terminal 3 e 100% das peças usadas na construção do viaduto que liga a entrada de veículos ao andar de embarque do terminal.

Além da racionalização, foi decisivo o uso de Building Information Modeling (BIM) no projeto estrutural. "Com o BIM, garantimos a unicidade e a confiabilidade das informações e agilizamos o processo de incorporação de mudanças e adaptações solicitadas pela obra", diz o engenheiro José Laginha, consultor de pré-fabricados.

Fundação e estrutura
Todas as fundações dos edifícios foram executadas em estacas tipo hélice contínua monitoradas, com diâmetros variando de 60 cm a 1 m e comprimentos de até 25 m. Para conformar a superestrutura do edifício do terminal de embarque, a opção foi o uso de pilares com seções de 80 cm x 80 cm a 120 cm x 120 cm, lajes alveolares de 1,25 m de largura e espessuras que variam de 35 cm a 45 cm (sendo 7 cm de capeamento para compressão) e vigas protendidas de 68 cm a 130 cm de altura e de 40 cm a 80 cm de largura. Todos os elementos, com exceção de algumas peças especiais, foram pré-fabricados. Os vãos do edifício variam em uma malha de 9 m x 9 m, atingindo vãos máximos de 36 m.

Segundo Almeida, a arquitetura da área de embarque acabou forçando o projeto estrutural a eliminar pilares para ampliar a área de circulação de passageiros. "Nessas áreas, a malha estrutural segue modulação de 9 m x 9 m entre pilares. Já nas zonas onde era importante reduzir o número de pilares para facilitar a circulação, como nas áreas de check-in e de tratamento de bagagens, os vãos são ainda maiores, de 18 m x 36 m", explica.

Devido às suas dimensões (80 cm x 120 cm), os pilares nas fachadas que sustentam a cobertura foram moldados in loco. Os demais elementos - fachadas, cobertura e estruturas auxiliares, tais como elevadores panorâmicos, escadas públicas especiais, de manutenção e acesso à cobertura - foram executados com estrutura metálica.

FICHA TÉCNICA

Construção: OAS; projeto de fundações, estruturas, drenagem, pavimentação, arquitetura e instalações: Engecorps/Grupo TYPSA; viaduto: Enescil; edifício-garagem: GTP Projetos; consultoria de impermeabilização: Proassp; consultoria de acústica: Akkerman Projetos Acústicos; consultoria de granito: Lithotec; consultoria de alvenaria: Consultest; consultor e instaladora de combate a incêndio: Henre/Techsteel; projeto de fabricação da fachada: Crescêncio Petrucci/QMD Consultoria; projeto de fabricação da estrutura metálica: Tal Projecto (SP Project)/WRS/NSG/ Kurkdjian & Fruchtengarten Engenheiros Associados; estruturas pré-fabricadas: Kingstone/T&A/CPI Engenharia/ Ibpre/ Lajeal; estruturas metálicas: CPC/ Brafer/Tibre; vidros: Glassec; revestimentos: Portinari/Eliane/ Portobello; ar-condicionado: Heating Cooling; sistema de bagagem: Vanderlande; esteiras rolantes: ThyssenKrupp; elevadores: Otis; Claraboias: Exuvent; cobertura: Bemo; canaletas de drenagem: Ulma; impermeabilização: ITS/Radcon; portas automáticas: Dorma; perfis de alumínio: Alcoa/Olgacolor/CDA; painéis de alumínio composto: Alucomaxx/ Projeto Alumínio; painéis termoisolantes: Isoeste; caixilhos de fachada: Consórcio Italux.

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