Tubos e conexões hidráulicas - conheça tipologias, requisitos técnicos e aplicações tecnológicas para condução de água fria e quente em instalações prediais | Construção Mercado

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Ficha técnica

Tubos e conexões hidráulicas - conheça tipologias, requisitos técnicos e aplicações tecnológicas para condução de água fria e quente em instalações prediais

Por Juliana Nakamura
Edição 161 - Dezembro/2014
FOTO: MARCELO SCANDAROLI
A matéria-prima dos tubos determina sua aplicação. Materiais plásticos mais novos, como o PPR, podem ser usados para água quente ou fria

Estanqueidade, resistência, durabilidade e facilidade de instalação são algumas propriedades importantes em sistemas de instalações hidráulicas prediais, sejam eles de água fria ou quente. Para atingi-las, a variedade de matérias- primas disponíveis é ampla, indo dos tradicionais tubos de PVC (policloreto de vinila) e de cobre, aos mais recentes PEX (polietileno reticulado) e PPR (polipropileno copolímero random).

Além do preço, as tecnologias de tubos e conexões se distinguem em função do método de montagem e de sua resistência à pressão e à temperatura. Em todos os casos, a instalação deverá atender aos parâmetros da ABNT NBR 5.626, que estabelece exigências e recomendações relativas ao projeto, execução e manutenção da instalação predial de água fria, e da ABNT NBR 7.198, que aborda requisitos de projeto e execução de instalações prediais de água quente.

Água fria
Para a condução de água fria, são recorrentes as soluções em tubos e conexões de matriz plástica, como PVC e PPR. Os desenvolvimentos mais recentes nesse campo no Brasil apontam para o uso mais frequente dos tubos flexíveis (PEX), especialmente para compor kits hidráulicos, em obras com maior grau de repetição, como em edifícios comerciais, residenciais e hotéis.

Independentemente do sistema escolhido, é importante elaborar um projeto detalhado para orientar a execução e reduzir as perdas, que podem variar de 5% a 25%, no caso dos tubos, e de 0,5% a 2,5%, no caso de conexões. Segundo o engenheiro Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, professor da Escola Politécnica da USP (Poli-USP) e diretor da Produtime, há uma série de fatores que impactam na diminuição das perdas. Entre eles, a organização do estoque de tubos e do estoque de conexões; a capacidade de utilizar a maior parte do tubo para fazer cada pedaço da tubulação, evitando sobras de pontas; o controle sobre as conexões disponíveis no canteiro de obras; o conhecimento dos detalhes do sistema executado para evitar retrabalho; a possibilidade de execução prévia de partes do sistema em uma bancada; e o conhecimento do operário quanto à tecnologia correta para o material adotado.

Água quente
Entre os materiais aplicados na rede de distribuição predial de água quente, o cobre é o mais difundido, sobretudo em função de características como reduzida dilatação térmica, alta resistência a pressões de serviço e resistência aos efeitos de fadiga mecânica e térmica. De acordo com o engenheiro e consultor de instalações hidráulicas Sérgio Gnipper, embora apresente custo relativo mais elevado, na maioria das aplicações, o cobre apresenta elevada durabilidade e confiabilidade, até mesmo por suas propriedades germicidas, dada à dissolução na água de íons cobre em baixas concentrações.

Nos últimos anos, ao cobre juntaram-se alternativas como os tubos PPR. Em empreendimentos residenciais e comerciais, por exemplo, é possível encontrar esse material em todo o edifício, mas principalmente na rede de distribuição, complementado com prumadas de cobre. O benefício resultante da combinação dos materiais é a redução de custos e ganhos de produtividade. Algumas construtoras revelam redução de 40% do custo da instalação de água quente, com a vantagem extra de reduzir a incidência de roubos, já que o PPR não tem valor de revenda como o cobre. Uma instalação completa para água quente em PPR pode custar 20% menos que a mesma instalação em cobre.

Sistemas para condução de água quente e fria em instalações prediais

FOTO: MARCELO SCANDAROLI

PVC
Tubos e conexões de PVC (policloreto de vinila) são fabricados com termoplástico produzido pela combinação de cloro e etileno. Trata-se de um material que pode ser rígido ou flexível, que não compromete a potabilidade da água e é leve e isolante. As peças podem ser soldáveis (a união se dá por meio da aplicação de adesivo no tubo e na conexão) ou roscáveis (utiliza tarraxa e fita veda-rosca para fazer a união). Atualmente o sistema de junta soldável é o mais utilizado, por ser mais fácil de realizar. A junta roscável, contudo, é mais indicada em obras nas quais sejam necessárias desmontagens da linha para mudanças de projeto ou manutenções. Tubos e conexões de PVC possuem programa setorial da qualidade no âmbito do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H).
Aplicações/indicações: O PVC não pode ser usado em condições de exposição a temperaturas maiores que 60ºC, sob risco de haver degradação do material. Por isso, tubos e conexões com esse material só encontram aplicação em instalações de água fria.
Normas técnicas específicas: ABNT NBR 5.648 - Sistemas Prediais de Água Fria - Tubos e Conexões de PVC.

FOTO: MARCELO SCANDAROLI

CPVC
O CPVC (policloreto de vinila clorado) é um PVC com dose extra de cloro em sua fabricação. Por isso, é mais resistente à condução de líquidos sob pressão e em temperatura mais elevada. De instalação simples, sem necessidade de ferramentas especiais e mão de obra especializada, os tubos de CPVC têm sido bastante usados para conduzir água quente. A junção é feita com a solda dos tubos e conexões a frio, com adesivo.
Aplicações/indicações: O material é resistente à corrosão provocada por substâncias químicas presentes na água, como cloro e flúor. Mas esse tipo de sistema deve ser utilizado em redes em que a temperatura da água não ultrapasse 70°C.
Normas técnicas específicas: ABNT NBR 15.884 - Sistemas de Tubulações Plásticas para Instalações Prediais de Água Quente e Fria - Policloreto de Vinila Clorado (CPVC).

FOTO: MARCELO SCANDAROLI

Cobre
Empregados na condução de água quente, os tubos e conexões de cobre costumam atender aos requisitos desse tipo de aplicação, como elevada resistência e durabilidade e baixa rugosidade. As soldas utilizadas nas conexões também proporcionam estanqueidade, e o cobre, além de ser reciclável, conta com boa condutibilidade térmica. Para assegurar vida longa às instalações, é fundamental que as ligações sejam benfeitas. As tubulações devem ser revestidas com material isolante para evitar perdas excessivas de calor. Também é necessário deixar um espaço de pelo menos 15 cm entre as tubulações embutidas de água fria e água quente para evitar a troca de calor entre os dois sistemas.
Aplicações/indicações: Os tubos e conexões de cobre são divididos em classes de acordo com sua aplicação. Para instalações hidráulicas prediais, são indicados os tubos de classe E. A pressão de serviço máxima na rede admitida pela norma brasileira é de 4 kgf/cm² ou 40 mca (metros de coluna d'água).
Normas técnicas específicas: ABNT NBR 15.345 - Instalação Predial de Tubos e Conexões de Cobre e Ligas de Cobre - Procedimento.


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